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Casal chinês leiloa a filha para comprar um iPhone

12 de novembro de 2013



Casal chinês leiloa a filha para comprar um iPhone



Pais teriam alegado que queriam garantir um futuro melhor para o bebê


Um casal de Xangai leiloou a filha para conseguir o dinheiro necessário para a compra de um celular iPhone e outros artigos. Segundo o jornal britânico The Telegraph, que citou um jornal oficial local, o casal teria começado a postar anúncios sobre o bebê em junho deste ano. Na transação, eles teriam conseguido levantar cerca de 50 000 yuan (quase 18 mil reais).


Os dois foram identificados apenas como Sr. Teng e Sra. Zhang. O casal tem outros dois filhos e a terceira gravidez ocorreu “por acidente”, segundo a imprensa chinesa. Os relatos são de que a mulher tentou esconder a gravidez e que o parto foi feito em casa.


Descoberto pelas autoridades chinesas, o casal afirmou à promotoria que agiu desta forma para garantir uma qualidade de vida melhor para a filha. A intenção dos pais seria arrumar uma família financeiramente estável que poderia fornecer educação à criança. “Nós não demos nosso bebê em troca de dinheiro, mas, sim, para garantir mais segurança a ela”, disseram. Os dois devem responder a acusações de tráfico humano.


A promotoria afirmou que os registros financeiros do casal indicam que um cartão de crédito foi usado após a venda da criança para fazer várias compras na internet. Entre os itens adquiridos estava o aparelho celular e um par de tênis de corrida.


Em 2011, um jovem chinês de 17 anos vendeu um rim para poder comprar um iPhone e um iPad. Ele recebeu cerca de 8 mil reais, mas sofreu insuficiência renal depois da cirurgia, quando revelou para a mãe o que havia feito. Sete pessoas foram presas depois do episódio, incluindo o cirurgião que retirou o órgão.


Matéria publicada na Revista Veja, em 18 de outubro de 2013.



Nara de Campos Coelho* comenta


Questão de prioridade


A família vende a filha e, entre os bens que adquire com o pagamento recebido, está um moderno iPhone! Esta é a notícia divulgada pelo jornal britânico “The Telegraph”. A justificativa, dada pelos que venderam a filha, foi de que os novos pais tinham mais condições financeiras de cuidar da menina...


Quando estamos diante de fatos assim, nos horrorizamos! E nos precipitamos a julgar as pessoas em questão, mesmo que Jesus tenha nos ensinado a não julgar... Entretanto, não julgar não significa não analisar as situações, passando-as pelo crivo da nossa razão, já que é útil que aprendamos com o erro dos outros, para errar menos. Ao refletirmos sobre o assunto, salta-nos aos olhos a questão da prioridade, que cada pessoa elege para sua vida no exercício do livre-arbítrio. Neste caso em análise, o amor à filha parece estar bem aquém do que é dado aos bens materiais, claro. Eis que a prioridade parece ser a de conquistar os bens de consumo, alcançando um status ambicionado por milhões e milhões de pessoas, ainda que em detrimento da própria filha. Este é um sintoma de doença moral. O mesmo sintoma registrado naquelas pessoas que jogam fora, na lata de lixo, em terrenos baldios, em lixões e tantos outros lugares absurdos, seus filhinhos recém-nascidos. E aquelas que provocam aborto? E aquele sem número de mulheres que vão às ruas em passeatas pelo direito ao aborto? O que podemos perceber é que na raiz de todas essas ações que nos horrorizam está o materialismo. São pessoas que não têm noção do que é a vida, nem do que estão fazendo na Terra... Sentem-se “espremidos entre o berço e o túmulo”, na feliz expressão de Emmanuel, precisando desfrutar dos bens materiais para se sentirem felizes. Ignoram o alerta sábio e experiente de Jesus quando nos esclarece que “a felicidade não é deste mundo”; ou seja, não está nas conquistas materiais, mas nos valores espirituais. Não acreditam em vida futura, nem sabem que são artífices do seu próprio futuro. Ou seja, ainda ignoram que com suas ações estão construindo o porvir, onde, certamente, terão que rever seus atos sob a chancela da dor e do sofrimento.


O materialismo nos desenvolve o egoísmo e o orgulho, grandes chagas da humanidade, no dizer de Kardec. Graças a ele, o mundo perde a generosidade, a fraternidade, o sentido de responsabilidade para a edificação do bem comum. O materialismo, paradoxalmente, atinge até as religiões, envolvendo-as em suas redes de interesses, fazendo-as crer-se aptas a decidir a vida do próximo, em nome de Deus e de Jesus! Têm a coragem (ou a covardia) de proibir nos templos a presença deste ou daquele que consideram menos dignos, ignorando o que Jesus afirmou: ”Aquele que quiser ser o maior, seja o servo de todos!” E o amor ao próximo, a fraternidade sobram como figuras literárias a adornar textos e poemas. O materialismo nos tem tornado duros de coração e imediatistas: “Se não há o amanhã, vamos viver o que podemos no dia de hoje!” Tal pensamento tem justificado, também, a violência de todos os matizes, o ódio descontrolado, as injustiças, a desonestidade que se traveste de várias formas, o culto ao dinheiro, a ganância... E poderíamos seguir por uma vasta fileira de viciações a que se entregam muitas almas que não sabem o que fazem...


Com o Espiritismo, que veio trazer de volta o Cristianismo puro, sabemos das leis da reencarnação e da de causa e efeito a que todos estamos submetidos. Assim, com olhar espírita, percebemos porque não é nada incomum vermos casais tentando em vão ter filhos, sem consegui-lo. Muitas vezes, nem mesmo o avanço científico é capaz de ajudá-los. E, ainda, há os casais que lutam, desesperadamente, para ficar com seus filhos, mesmo tendo vidas miseráveis... Eis que todos nós colhemos o que plantamos... E é assim que, ao longo das reencarnações, aprendemos a respeitar as leis amoráveis e justas do Pai. Por isto, Jesus nos deixou clara a sentença de que “a cada um, segundo as suas obras”.


Antídoto do materialismo, o Espiritismo nos faz o alerta de que somos responsáveis pelos nossos filhos, não apenas materialmente, mas, especialmente, em termos espirituais. Antes de tudo, eles são filhos de Deus, que nos delega o direito e o dever de auxiliá-los na romagem evolutiva, para que se iluminem com a nossa ajuda. Que tarefa é mais honrosa?


Assim, podemos entender melhor o que nos cabe fazer para não nos endividar, mais do que já somos, com as leis de Deus, na esperança de que, um dia, todos tenhamos a consciência ajustada às leis de amor, exemplificadas por Jesus, elegendo com Ele as nossas prioridades.


Que a família chinesa não se faça exemplo para ninguém, porque sabemos que ela ainda gravita na faixa daqueles que não sabem o que fazem!


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.