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Saudável aos 22 anos, jogador de rúgbi luta por direito de morrer

6 de novembro de 2013



Saudável aos 22 anos, jogador de rúgbi luta por direito de morrer



Um jogador de rúgbi de 22 anos, portador da Doença de Huntington, defende que deveria ter o direito de morrer quando estiver sofrendo de seus sintomas degenerativos.


O britânico Josh Cook é saudável, ágil e esportivo, mas quando ficar mais velho, provavelmente a partir dos 50 anos, começará a sentir os efeitos do mal hereditário que afeta o sistema nervoso central, paralisando músculos e afetando habilidades mentais.


Apesar de atualmente eu ser saudável, ativo e amar minha vida, sei que em algum momento não poderei fazer o que amo ou ser um ser humano normal", disse ele ao programa de rádio Newsbeat, da BBC.


"Enfrentarei um longo declínio até uma morte dolorosa", acrescentou.


"Perderei a habilidade de andar e falar, ficarei preso a uma cadeira sofrendo espasmos musculares e poderei morrer engasgado com a minha própria saliva porque perderei capacidade de engolir".


Cook defende que deveria ter o direito de cometer suicídio assistido, algo proibido por lei na Grã-Bretanha.


"Por que não posso decidir, no fim da minha vida, morrer de forma digna, rápida e em paz e ter a oportunidade de me despedir dos que me amam?", indagou.



Debate


As declarações do jovem acirram o debate na Grã-Bretanha acerca da lei de suicídio assistido no país.


Nesta semana, a Alta Corte rejeitou recurso apresentado por dois homens que defendiam uma mudança na lei para permitir que médicos pudessem ajudá-los a pôr fim a suas vidas sem que fossem processados posteriormente.


Segundo o Ato de Suicídio, de 1961, é crime apoiar ou assistir um suicídio ou tentativa de suicídio, com pena de até 14 anos de prisão.


O recurso havia sido apresentado pela família de Tony Nicklinson e por Paul Lamb.


Nicklinson morreu uma semana depois que a primeira decisão da Justiça foi anunciada, no ano passado. Ele havia se recusado a comer e a tomar líquidos.


Apesar da morte do marido, a viúva de Nicklison, que era tetraplégico desde que sofreu um infarto em 2005, continuou sua batalha. E a ela, uniu-se Paul Lamb, que está paralítico desde um acidente de carro em 1990.


Decepcionado com a decisão, Lamb disse que esperava morrer com dignidade.


"Eu vou continuar a lutar. E não só por mim, mas por muitos outros que estão sendo negados o direito de ter uma morte humana e digna só porque a lei teme lidar com essas questões", disse.



Regras claras


Mas um outro britânico de 48 anos, que não quer ter o nome revelado e é conhecido apenas como Martin, ganhou na Justiça uma ação que defende regras mais claras na lei sobre as consequências para profissionais de saúde que ajudam pessoas a cometerem suicídio assistido no exterior.


Martin quer ter respaldo legal para que um médico ou enfermeiro o ajude a viajar para a Suíça, onde poderá cometer suicídio assistido na organização Dignitas, onde ao menos um britânico morre a cada 15 dias.


Em 2009, a Diretoria da Promotoria Pública britânica publicou resolução que permite que famílias ou amigos de pessoas que querem pôr fim a suas vidas na Suíça não sejam processadas. Mas não são claras as regras quanto a participação de profissionais de saúde neste processo.


Apesar de ser muito próxima ao marido e respeitar sua decisão, a mulher de Martin não quer levá-lo à Suíça.


Os três casos serão julgados agora na Suprema Corte britânica.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 2 de agosto de 2013.



Sergio Rodrigues* comenta


Para o espírito chegar à perfeição, a misericórdia divina lhe concede a reencarnação, na qual terá que sofrer todas as situações da existência corporal. Num planeta como a Terra, destinado a espíritos ainda longe de sua destinação final, as provas e as expiações, a dor e o sofrimento são as situações mais comuns, necessárias ao progresso desses espíritos. Jesus ensinou que a lei do amor regenera o espírito de erros passados. Mas enquanto não compreendemos isso e, principalmente, não praticamos, ainda temos que nos sujeitar às expiações retificadoras. São situações que resultam do comportamento do espírito em contrariedade às leis divinas, que feriu, e, por isso, tornou-se incurso na lei de causa e efeito, para que, através do sofrimento expiatório, se reeduque, reajustando-se à lei.


A vida na Terra nos foi concedida por Deus com essa finalidade. A sua duração é determinada por leis divinas, sempre objetivando nosso progresso, e, em consequência, somente a essas leis compete tirá-la. Abreviar a vida por nossa iniciativa é interferir nos desígnios de Deus, contrariando suas leis e fazendo-nos contrair nova dívida, que terá de ser resgatada no futuro. O suicídio assistido a que se refere a matéria comentada, pretendido pelo citado jogador de rugbi, é a prática da chamada “eutanásia”. O Espiritismo mostra o equívoco dessa prática, pois interrompe uma prova ou expiação necessária à progressão espiritual daquele que sofre. Aliás, no caso em questão, o sofrimento pela enfermidade indesejada ainda nem se faz presente. Seria o caso de uma “eutanásia preventiva”.


Emmanuel, no livro “O Consolador”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ensina que “o homem não tem o direito de praticar a eutanásia, em caso algum, ainda que a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja”. Também em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, Kardec indaga dos Espíritos a respeito, e quem responde é São Luís, explicando que o sofrimento prolongado traz benefício para o espírito, por se constituir corretivo de equívocos passados. Além disso, continiua São Luís, em se tratando de enfermidade, nunca podemos afirmar ser incurável, pois a todo instante novas descobertas científicas são feitas pela medicina. Algo hoje incurável, amanhã pode ter a cura encontrada.


A permanência na vida corporal permite que o espírito possa refletir sobre seus atos, pensamentos e sentimentos equivocados, conscientizando-se da necessidade de mudança, senão nesta própria existência, na vida futura. Os momentos de enfermidade podem proporcionar ao espírito reflexões que o recoloquem no caminho reto da evolução, levando-o ao arrependimento. E o arrependimento, ensinam-nos os Espíritos, suaviza a expiação e abre caminho para a reabilitação.


São Luís finaliza sua mensagem recomendando:


“... Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro.”


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.