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E se... pudéssemos ler pensamentos?

5 de outubro de 2013



E se... pudéssemos ler pensamentos?



por Bárbara Soalheiro e Thiago Velloso


A civilização como conhecemos hoje poderia entrar em colapso. A capacidade de ler a mente de outros seres humanos poderia destruir instituições públicas e privadas e estruturas sociais fundamentais para a organização das sociedades. “Seríamos incapazes de traçar qualquer tipo de estratégia e mantê-la em segredo”, diz Wilson Mendonça, professor de filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Wilson acredita que essa evolução teria, provavelmente, um efeito regressivo sobre a civilização. A atividade econômica, por exemplo, que se baseia em expectativas e incertezas, desapareceria por completo. “Uma cantada comum ou um simples jogo de cartas deixariam de existir, porque todas as ações do ser humano poderiam ser antecipadas”, diz o filósofo.


Para corrigir ou coibir excessos advindos da nova capacidade humana, seria necessário montar um sistema de regras infinitamente superior ao que conhecemos hoje. Mas só as leis não seriam suficientes. “Normas jurídicas para impedir o indivíduo de ler o pensamento de outrem não seriam respeitadas”, diz a professora Maria José Galleno de Oliveira, do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito, da USP. Assim, o jeito seria construir bloqueadores mentais e dispositivos legais que impedissem a invasão do pensamento alheio. Eles teriam que ser disseminados para garantir alguma privacidade nessa nova sociedade. “Para preservar o mínimo de eficácia das instituições, teríamos que impor limites tão rígidos que a vida poderia se tornar insuportável”, afirma Wilson.


Mas nem todo mundo vê só caos nesse mundo onde todos sabem o que o outro está pensando. O físico e escritor de ficção científica David Brin acha que, nessa sociedade, haveria menos miséria e desigualdade social. “Como poderíamos ignorar os pobres se soubéssemos exatamente como é seu sofrimento?”, diz ele, que também é autor do livro de não-ficção A Sociedade Transparente. Outra vantagem, na visão de Brin, seriam relacionamentos mais abertos entre casais. Afinal, aqueles pensamentos impuros que passam pela sua cabeça ao ver uma garota bonita seriam “ouvidos” pela sua namorada. “Teríamos que aprender a perdoar ou seria impossível conceber um bebê”, diz Brin.


Matéria publicada na Revista Superinteressante, em novembro de 2004.



Humberto Souza de Arruda* comenta


Realmente, no estado de adiantamento cultural e social em que estamos, seria um colapso se pudéssemos ler pensamentos. Mas também podemos imaginar que uma vez o caos estando instalado traria muitas oportunidades de aprendizado, reflexões e visões cristãs de valores sócio-culturais.


Hoje podemos sugerir que o fato de ainda não lermos pensamentos de outros indivíduos é uma proteção à privacidade. Mas não no sentido que nos traria a liberdade irresponsável do pensar, mas sim como uma ajuda divina à nossa paulatina evolução. Pois, entre outras coisas, a nossa consciência nos exigiria muito quando soubéssemos a avaliação que receberíamos dos outros.


Assim como o que falamos e/ou a forma como agimos atraem pessoas simpáticas a estas práticas, podemos ter uma prévia de como seria ler os pensamentos dos outros se fizéssemos uma analogia que para cada tipo de pensamento ficássemos com uma cor ou cheiro característicos. Com certa distância, já saberíamos a natureza dos pensamentos dos outros. E, talvez, nós não estivéssemos preparados para que fôssemos discriminados ou julgados por estarmos com uma cor ou cheiro condizentes ao que estamos pensando. Mas, esquecendo da analogia e voltando à nossa realidade, temos hoje a comunicação entre Espíritos desencarnados que é feita através do pensamento, assim como entre encarnados, mas com menos intensidade.


Durante o sono, com a emancipação da alma, os Espíritos libertos do corpo passam a se reunir entre os de mesma afinidade, surgindo assim muitos dos inventos simultâneos. E, desta forma também, grandes inspirações ao despertarmos do sono. Há espíritos que mesmo acordados podem ter o mesmo pensamento simultaneamente pelo fato de serem simpáticos. Como sabiamente nos mostrou Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, no capítulo VIII, na parte sobre Transmissão oculta do pensamento, contida nas questões 419, 420 e 421.


Apesar dos Espíritos poderem ler os pensamentos um dos outros, o fazem preferencialmente por afinidade de ideias. Mas devemos lembrar que, mesmo estando nós em uma vibração inferior, temos sempre bons Espíritos por perto nos intuindo ao bem e aguardando nossa receptividade por eles, fazendo assim uma leitura produtiva de pensamentos.


Chegaremos a ter uma civilização onde a comunhão de pensamentos será para ajuda de todos os necessitados, diminuindo assim a distância moral, social e intelectual dos indivíduos.


* Humberto Souza de Arruda é evangelizador, voluntário em Serviço de Promoção Social Espírita (SAPSE) e colaborador do Espiritismo.net.