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Neozelandesa sonâmbula 'enviou torpedos enquanto dirigia'

11 de setembro de 2013



Neozelandesa sonâmbula 'enviou torpedos enquanto dirigia'



A polícia da Nova Zelândia pediu à Justiça do país que proíba uma mulher de dirigir, após receber informações de que ela teria dirigido por centenas de quilômetros enquanto estava dormindo.


A mulher sonâmbula teria também enviado mensagens de texto por celular enquanto dirigia.


Amigos da mulher alertaram a polícia, dizendo que ela sofre de um distúrbio do sono pouco comum.


Ela foi encontrada caída sobre a direção do carro numa casa em que ela tinha vivido anteriormente, e disse que não lembrava como havia chegado lá.


Segundo a polícia, a maioria das mensagens enviadas por ela era incoerente.


Um especialista em sono ouvido pela BBC afirmou que, apesar de a história parecer pouco factível, a situação não é impossível.


Neil Stanley, ex-presidente da Sociedade Britânica do Sono, afirma que casos de direção durante o sono já foram registrados, mas o envio de mensagens de texto durante o sono é mais incomum.


"Se ela podia dirigir durante o sono, é possível que ela também pudesse enviar mensagens dormindo", afirmou.


"Mas se isso realmente aconteceu seria um caso extremo que chegaria ao limite do possível", disse.



Ligação de emergência


A polícia local disse ter recebido uma ligação de emergência pouco após a meia-noite na quarta-feira de uma amiga da mulher que estava preocupada porque havia saído de carro após ter tomado medicação para dormir.


Segundo ela, a mulher teria feito a mesma coisa há dez meses.


Segundo a polícia, carros de patrulha receberam ordens para procurar seu carro e a localizaram por meio de seu telefone celular.


Eles afirmaram que os dados mostraram que ela estava enviando mensagens enquanto dirigia de sua casa, na cidade de Hamilton, à cidade de praia Mount Maunganui, a uma distância de 300 quilômetros.


"Nós pedimos à Justiça uma ação urgente para proibi-la de dirigir e obrigá-la a buscar aconselhamento médico sobre sua capacidade de manter a carteira de motorista", afirmou o sargento Dave Litton.


"Apesar de ela ter sido encontrada em segurança, o que é um alívio para todas as pessoas envolvidas, o potencial para uma tragédia era grande", disse.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 15 de agosto de 2013.



Jorge Hessen* comenta


Uma neozelandesa conseguiu dirigir e enviar mensagens(1) pelo celular (enquanto “dormia” ao volante) em completo estado de transe sonambúlico(2). Eis aqui um tema desafiador para cogitação espírita, porquanto o sonambulismo [do latim somnus= sono e ambulare= marchar, passear] consiste no estado de emancipação da alma mais completo do que no sonho. O sonho é um sonambulismo imperfeito. No sonambulismo, a lucidez da alma, isto é, a faculdade de ver, que é um dos atributos de sua natureza, é mais desenvolvida. Ela vê as coisas com mais precisão e nitidez, o corpo pode agir sob o impulso da vontade da alma. O esquecimento absoluto no momento do despertar é um dos sinais característicos do verdadeiro sonambulismo, visto que a independência da alma e do corpo é mais completa do que no sonho.


Allan Kardec informa na Introdução de O Livro dos Espíritos que se interessou pelo sonambulismo e magnetismo desde sua juventude. Na época o tema era observado em todo continente europeu, despertando interesse acadêmico de numerosos estudiosos. O Marques de Puysegur, um dos mais célebres discípulos de Franz Anton Mesmer, provocava a “crise mesmérica” e aproveitava esse período de “sono provocado” para curar seus pacientes. Durante o transe, certos sonâmbulos podiam ditar recomendações sobre o diagnóstico e o tratamento de enfermos ali presentes.


No século XIX, portanto, além de despertar o interesse da comunidade científica, o “magnetismo” foi bastante estudado nas obras Espíritas. O Codificador, um pesquisador do magnetismo desde os 18 anos de idade, redefiniu alguns conceitos sobre o tema. Palavras como “espírito” e “médium” já existiam, entretanto Kardec deu-lhes outra acepção, visando estratificar os arcabouços da Doutrina que vinha ao mundo sob as orientações dos Instrutores desencarnados.


O “médium”, na concepção mesmerista, significava uma pessoa que se colocava sob o controle de um magnetizador. Todavia, Kardec anota no Cap. XIV de O Livro dos Médiuns que “médium” é todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos.


Comparemos o termo “médium sonâmbulo”: para os seguidores de Mesmer era uma faculdade que permitia uma pessoa entrar em transe sonambúlico sob influência magnética. Kardec ao estudar o tema percebeu algumas variáveis do transe sonambúlico. Primeiro percebeu quando o sonâmbulo age espontaneamente sob a influência do seu próprio Espírito (animismo); é a própria alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. Por outro lado, o médium sonâmbulo pode ser instrumento de uma inteligência estranha; quando é passivo e o que diz não vem de si. Em suma, o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento, enquanto que o médium exprime o de outrem.


Lembrando aqui que o Espírito que se comunica com um médium comum igualmente o pode fazer com um sonâmbulo; porque o estado de emancipação da alma facilita essa comunicação. Muitos sonâmbulos veem impecavelmente os Espíritos e os apresentam com tanta exatidão, como fazem os médiuns videntes. Podem dialogar com eles e transmitir-nos as suas ideias. O que narram, fora do âmbito de seus conhecimentos particulares, lhes é com certeza recomendada por outros Espíritos.


No Brasil o sonambulismo ainda é pouco compreendido porque é raramente pesquisado, daí a dificuldade de muitos dirigentes de reuniões mediúnicas em identificá-lo. Infelizmente é tema menosprezado pela maioria dos espíritas. Enquanto isso, sabemos de caso de sonâmbulo que se atirou do 7º andar do prédio em que residia. O infeliz caiu sobre a copa de uma árvore e só vindo despertar no pronto socorro com a medula completamente comprometida. Nunca mais conseguiu andar. Existem muitas pessoas sob o impacto das crises de sonambulismos.


Entendemos que o assunto merece ser examinado e debatido com mais frequência, mirando-se abrigo e socorro aos portadores dessa faculdade, que muitas vezes padecem agruras imensas, por não haver maior número de estudiosos para socorrê-los.


Como percebemos, o sonambulismo natural é espontâneo, ao passo que o sonambulismo magnético é voluntário e por isso pode ser provocado. Um não suprime o outro, já que em ambos persiste a faculdade da alma em emancipar-se; ocorre apenas outra diretriz que disciplina o fenômeno. A educação mediúnica também permite ao médium que, por sua vontade, ele tenha controle voluntário sobre o Espírito que vai por ele se manifestar.


Assim sendo, pode considerar-se o sonambulismo como sendo uma variedade da faculdade mediúnica. Ambos caminham juntos e, nos dois fenômenos encontramos a alma, emancipada e livre para se manifestar. Reiteramos que  o sonâmbulo age sob a influência do seu próprio Espírito, é sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. O médium ao contrário, como disse acima, é instrumento de uma inteligência estranha; é passivo e o que diz não vem de si. O sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento, enquanto o médium exprime o de outrem. Sonâmbulos são médiuns independentemente de entrarem no transe anímico e, nessa condição, “incorporam” espíritos sofredores, ou não, mas o fazem também no decorrer desse transe, quando se desdobram e ocorre a psicofonia sonambúlica. Passam, assim, do transe anímico ao transe mediúnico.


Reenfatizamos que a deficiência de estudo dessa faculdade é falha gravíssima no movimento espírita, em face dos expedientes que proporciona no auxílio a espíritos padecentes, seja porque o médium, desdobrado, desloca-se a regiões distantes, ou próximas, onde existam intensos sofrimentos, seja porque permite “[quando os Mentores Espirituais concordam com a aplicação desse recurso] submeter o espírito rebelde à regressão de memória, quando “incorporado” ao médium em transe sonambúlico e, em casos assim, ele atua na condição de médium, exercitando a psicofonia sonambúlica.”(3)


O sonambulismo puro, quando em mãos desavisadas, pode produzir belos fenômenos, mas é menos útil na construção espiritual do bem. Porquanto “a psicofonia inconsciente, naqueles que não possuem méritos morais suficientes à própria defesa, pode levar à possessão, sempre nociva, e que por isso, apenas se evidencia integral nos obsessos que se renderam às forças vampirizantes.”(4)



Referências bibliográficas:


(1) As mensagens enviadas eram desconexas;


(2) Dados mostraram que ela estava enviando mensagens enquanto dirigia de sua casa, na cidade de Hamilton, à cidade de praia Mount Maunganui, a uma distância de 300 quilômetros;


(3) Xavier, Francisco C. Nos Domínios da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 9ª Ed. - Rio de Janeiro: FEB, 1979. Caps. 3, 8 e 11. Sugerimos leitura do item 173, de O Livro dos Médiuns;


(4) Idem, Caps. 3, 8 e 11.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.