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Poluição na China poderá dar pena de morte

5 de setembro de 2013



Poluição na China poderá dar pena de morte



José Eduardo Mendonça


Fala-se muito nas chamadas “aldeias do câncer” na China. São locais onde a incidência da doença é muito alta devido à manipulação de metais pesados na reciclagem de aparelhos eletrônicos ou à contaminação de cursos de água e solo.


Estes focos de câncer, infertilidade e outros problemas relacionados à poluição são hoje para os cidadãos chineses mais preocupantes que a questão do crescimento econômico. No campo, as pessoas sofrem em silêncio porque seus problemas têm menor atenção na mídia, enquanto na cidade o crescimento dos protestos leva as autoridades à ação, como no caso de diversas medidas tomadas recentemente por Beijing para cortar a emissão de gases estufa e combater com mais severidade a produção de outros poluentes.


Nos EUA, por exemplo, o Congresso, dominado por interesses do petróleo, acha que a melhor coisa para o país é o corte de impostos (dos ricos) e a redução de regulamentações de toda ordem, e a falta de legislação a respeito faz com que seja muito raro alguém ir para a cadeia por crimes ambientais. Na Europa já é diferente. Cadeia e grandes multas são muito mais frequentes e severas.


Mas a coisa está mesmo ficando complicada para os poluidores na China. Autoridades deram recentemente aos tribunais autoridade para condenaram à morte responsáveis pelos casos mais serios de poluição. Esta é aparentemente uma resposta ao clamor publico.


Esta nova interpretação da lei é um aperto nas “sanções lenientes e superficiais” existentes até o momento, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.


Os protestos públicos da população chinesa contra o crescimento a qualquer custo têm crescido muito como resposta ao aumento da poluição de solo, água e ar. Uma nova pesquisa do Public Opinion Research Centre, em colaboração com a Universidade Shanghai Jiao Tong, descobriu que, para 80% da população, a proteção ambiental deve ser uma prioridade mais alta que o crescimento econômico. E o Health Effects Institute, em Boston, relata que mais de um milhão de pessoas morrem prematuramente na China como resultado das condições ambientais, informa o Triple Pundit.


Os níveis de matéria fina particulada em Beijing, Guangzhou e outras grandes cidades chinesas sobem com frequência a uma taxa sete vezes mais alta do que o considerado minimamente seguro pela Organização Mundial de Saúde. O povo parece ter perdido a paciência. Agora, as autoridades também.


Notícia publicada no Planeta Sustentável, em 3 de julho de 2013.



Breno Henrique de Sousa* comenta


Poluição e Pena de Morte


Podemos fazer algumas reflexões intrigantes sobre essa notícia. É de conhecimento de todos que na China a pena de morte é bastante utilizada, talvez seja o país onde mais facilmente alguém pode ser condenado. Sobre isso, o Espiritismo é claro ao pronunciar-se contra qualquer forma de atentado à vida, seja a pena de morte, o aborto, o suicídio ou a eutanásia. A vida é o mais sagrado de todos os valores. O homem não pode banalizá-la ou destruí-la sob quaisquer alegações.


A única situação em que se pode tirar a vida é pela necessidade inevitável de salvar outras vidas. Temos a permissão de matar as plantas e animais para saciar a nossa fome, mas não para realizar matanças desnecessárias; uma mulher na iminência da morte por causa de uma gravidez de risco, pode realizar o aborto, mas não por simplesmente não querer arcar com a responsabilidade de seus atos; o policial que entra numa escola cheia de crianças para deter alguém que sai atirando e matando a todos, se não houver outra solução, tem o direito de matar o atirador, mas não de se tornar um justiceiro fardado.


Sempre deve-se buscar o meio de salvar e preservar a vida. Quando o Estado julga e condena friamente alguém à morte, ele está dizendo quem merece ou não viver, está retirando o que não deu nem pode dar, está se colocando no lugar de Deus.


Eu sou até a favor, em certos casos muito especiais, da prisão perpétua, mas quero deixar bem claro que se trata de uma visão pessoal, o Espiritismo nada diz sobre a prisão perpétua. Mas não estamos falando de nossa realidade, estamos falando da China, e falar sobre direitos humanos na China é algo um tanto complicado. Além do regime comunista fechado, a distância geográfica, linguística e cultural é muito grande, porém, as notícias que nos chegam de lá é de muitos casos de desrespeito às liberdades individuais e de uma grande opressão e controle do Estado.


Outra impressão que também fica clara na matéria é a de que a China busca obsessivamente o crescimento econômico, tendo como meta superar os Estados Unidos da América. Para atingir essa meta, assim como os nossos amigos do norte, o respeito ao meio ambiente é apenas um empecilho que deve ser derrubado. Os dirigentes não são românticos nem bucólicos, eles enxergam cifras, poder e controle. E é pelo medo de perder o poder que eles reagem aos apelos da população descontente e revoltada que pode se insurgir e tirá-los do poder. Não há “bom mocismo” nessas atitudes, mas podemos estar certos de que elas são providenciais e que a espiritualidade atua sobre a coletividade para definir os rumos da humanidade.


Podemos exercer um papel importante enquanto cidadãos na cobrança aos nossos governantes pela preservação do meio ambiente, não para que os infratores sejam punidos coma pena de morte, mas para que sejam punidos justamente. Podemos nos tornar consumidores mais conscientes que escolhem melhor o que comprar, forçando o mercado a produzir produtos ecologicamente corretos, como já existe de maneira limitada. Um dia todos os produtos serão ecologicamente corretos e a economia será verde, porque será exercida sob os princípios da sustentabilidade ambiental, onde os hábitos e necessidades das atuais gerações podem ser satisfeitos sem comprometer a sobrevivência das futuras gerações.


Nesse dia, as próprias instituições de defesa do meio ambiente estarão dignificadas e não veremos mais nos jornais os escândalos de recebimento de propina para não fiscalizar atividades poluentes ou para autorizar ações ambientalmente ilegais.


Devemos alertar que existem muitos que se vestem de verde porque encontram nas causas ecológicas um filão monetário cada dia mais gordo, sem ter nenhum compromisso real com a causa ambiental. Em todos os casos, essas são etapas do desenvolvimento humano. Tudo acontece dentro de uma ordem maior e Deus usa para os seus fins mesmo aqueles que pensam agir apenas em interesse próprio.


É uma incoerência o governo condenar a morte alguns cidadãos quando o próprio governo não é nenhum exemplo de preservação ambiental e é movido pela sede do crescimento econômico. Todos devemos responder e responderemos por nossos atos, podemos escapar da justiça dos homens, mas a justiça divina é o tribunal de nossas consciências, está sempre lá. Preservemos a natureza revendo os nossos hábitos e cobrando de nossos governantes posturas condizentes com as demandas ecológicas da atualidade. Enquanto espíritas, temos o dever moral de resguardar a nossa morada terrestre. Amar ao próximo é também amar a natureza.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.