Espiritismo .NET

Após 2 dias no fundo do mar, homem é achado vivo em banheiro de navio

11 de julho de 2013



Após 2 dias no fundo do mar, homem é achado vivo em banheiro de navio



Harrison Okene estava em barco que afundou na costa da Nigéria. 'Ouvia os peixes comendo os corpos que boiavam ao meu lado', conta.


Da Reuters


Harrison Okene, de 29 anos, estava no fundo do mar, dentro de um banheiro de um navio rebocador, quando foi encontrado por mergulhadores. Okene passou mais de 60 horas respirando graças a uma bolha de ar que se formou ali na hora do naufrágio, no dia 26 de maio, a 30 quilômetros da costa da Nigéria. Okene tinha certeza de que ia morrer.


O cozinheiro de 29 anos estava dentro do rebocador "Jascon-4" quando chuvas fortes atingiram o navio no oceano Atlântico. Das 12 pessoas a bordo, só ele foi encontrado com vida.


"Eu estava lá na água em total escuridão e tinha certeza de que era o fim. Fiquei pensando que a água ia encher a sala, mas isso não aconteceu", disse o rapaz, que contou também que partes da sua pele estavam descascando após dias de imersão na água salgada.


"Eu estava com muita fome, mas, principalmente, com muita sede. A água salgada tirou a pele da minha boca", disse ele.


Às 4h50, Okene diz que estava no banheiro quando percebeu que o rebocador estava começando a virar. Como a água entrou e o navio virou, ele forçou a porta de metal.


"Três rapazes estavam na minha frente e de repente a água entrou muito forte. Vi o primeiro, o segundo, o terceiro apenas sendo levados. Eu sabia que esses caras já estariam mortos”, disse ele à Reuters.


O que ele não sabia era que ele iria passar os próximos dois dias e meio preso no fundo do mar rezando para que ele fosse encontrado.


Para ser resgatado, Okene foi arrastado ao longo de uma estreita passagem entre o banheiro e o quarto. Para a surpresa dos mergulhadores, ele ainda estava respirando.



Peixes comendo cadáveres


Okene, vestindo apenas cueca, sobreviveu a cerca de um dia no pequeno banheiro, segurando a bacia virada para manter a cabeça fora da água, que só enchia uma parte do cômodo, permitindo com que o rapaz respirasse.


Ele sentiu que ele não estava sozinho na escuridão. "Estava muito, muito frio e estava muito escuro. Eu não conseguia ver nada", diz Okene.


"Mas eu podia perceber que os corpos da minha tripulação estavam nas proximidades. E eu podia sentir o cheiro deles. Vieram os peixes e começaram a comer os corpos. Eu podia ouvir o som. Foi um horror."


Okene não sabia que uma equipe de mergulhadores enviada pela Chevron e pelos proprietários do navio, a Ventures África Ocidental, estava à procura de membros da tripulação.


Na tarde de 28 de maio, Okene ouviu um som estranho. "Ouvi um martelo batendo no navio. Bum, bum, bum! Nadei para baixo e encontrei um dispensador de água. Puxei o filtro de água e martelei o lado do navio esperando que alguém me ouvisse. Então, o mergulhador me ouviu."


Os mergulhadores invadiram o navio, e Okene viu a luz de uma lanterna, presa à cabeça de alguém que nadava em sua direção.


"Quando eu comecei a acenar, ele ficou chocado”, disse Okene. Ele pensou que estava no fundo do mar, embora a empresa afirme que a profundidade era de 30 metros.


A equipe de mergulho colocou em Okene uma máscara de oxigênio, roupas de mergulhador e um capacete para que ele conseguisse chegar à superfície, mais de 60 horas depois de o navio ter afundado.


O cozinheiro descreve a sua extraordinária história de sobrevivência como um "milagre", mas a memória de seu tempo na escuridão ainda o assombra, e ele não tem certeza se um dia voltará para o mar.


"Quando estou em casa, às vezes parece que a cama em que eu estou dormindo está afundando. Acho que ainda estou no mar novamente", diz Okene, balançando a cabeça.


"Eu não sei o que impediu a água de encher o cômodo. Eu só fiquei chamando por Deus. Ele me protegeu. Foi um milagre."


Notícia publicada no Portal G1, em 13 de junho de 2013.



Raphael Vivacqua Carneiro* comenta


Vários aspectos são admiráveis na impressionante aventura vivida pelo marinheiro nigeriano Harrison Okene. A tempestade em alto-mar provocou o trágico naufrágio do rebocador, atingindo os seus 12 tripulantes e levando a embarcação para uma profundidade de 30 metros. Esse flagelo destruidor deflagrou a desencarnação coletiva. Uma fatalidade, sem dúvida. Entretanto, um desses tripulantes milagrosamente se salvou. Como? Uns atribuem à sorte, ao acaso. Os espíritas têm outra explicação: de um lado, a indisfarçável ação da Providência divina; de outro, o estado de espírito desse homem.


Uma sequência de fatos tão improváveis não poderia ser fortuita. Primeiramente, Okene foi arrastado justo até o banheiro da embarcação, enquanto seus colegas eram carreados pelas ondas. Em seguida, esse banheiro, parcialmente inundado, criou uma bolha hermeticamente isolada, com pouco mais de um metro cúbico de ar. Até então agira a Providência divina, criando as mínimas e impensáveis condições de sobrevivência para aquele indivíduo. A partir daí, valeu o estado de espírito do bravo marinheiro. Além da quantidade limitada de oxigênio e do horror pairando ao redor, ele passou 60 horas sem luz, sem calor, sem companhia, sem comida, sem bebida. Apesar de tudo, manteve a consciência e – mais importante – a vontade de viver e a esperança num milagre. Por fim, a ação providencial foi operada pela equipe de resgate, que agiu com perícia, em tempo hábil.


Ensina a Doutrina dos Espíritos que a fatalidade existe quanto ao momento em que devemos aparecer e desaparecer deste mundo. Deus sabe as provas que cada um tem de enfrentar e o tempo de duração destinado a cada reencarnação. Dessa forma, se a hora da morte ainda não chegou, a Providência emprega variados meios para impedir que partamos. Por outro lado, chegado o momento da morte, de uma forma ou de outra, a ela não podemos escapar. Disso temos inúmeros exemplos. Um desses casos estampou os noticiários em 2002: o da turista alemã Isabel von Jordan, que visitava a ilha de Bali, na Indonésia, com um grupo de amigos. Eles estavam na discoteca Sari Club, quando um grupo terrorista explodiu um carro-bomba, matando cerca de 200 pessoas. Os feridos foram removidos para o norte da Austrália, onde receberiam maiores cuidados. Isabel estava na discoteca no momento da explosão, mas conseguiu escapar por pouco. Dali ela foi para a Austrália, visitar os amigos que ficaram feridos no atentado. Chegando lá, resolveu fazer um pouco de turismo, e visitou o Parque Nacional Kakadu, onde tomou um banho noturno numa lagoa, junto com várias pessoas de uma excursão. Um crocodilo de quatro metros escolheu justamente Isabel como presa e a matou, dez dias após ela ter escapado da morte por um triz. Chegado o momento da partida...


Retornando ao caso do marinheiro Harrison Okene, é importante notar dois ingredientes muito importantes para o desenrolar e o desfecho da história: o amor à vida e o poder da fé e da oração. “Eu só fiquei chamando por Deus; Ele me protegeu” – afirma Okene. A Providência divina propicia os meios, mas é preciso ter muita força interior para vencer essas provações extraordinárias. A fraqueza moral pode levar alguém a abreviar a duração da sua existência terrena. A força interior, ao contrário, opera milagres. Temos, portanto, uma bela lição a aprender com o irmão nigeriano.


* Raphael Vivacqua Carneiro é engenheiro e mestre em informática. É palestrante espírita e dirigente de grupo mediúnico em Vitória, Espírito Santo. É um dos fundadores do Espiritismo.net.