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Casal junta R$ 65 mil para tratamento da filha, mas doa para outra criança

7 de julho de 2013



Casal junta R$ 65 mil para tratamento da filha, mas doa para outra criança após médicos dizerem que é incurável



Família que recebeu o dinheiro pagará cirurgia que fará garoto de três anos voltar a andar


Crescer


Um casal repassou para outra família os cerca de R$ 65 mil (£22,5 mil) que havia juntado por meio de doações para pagar o tratamento da filha, segundo o site inglês Daily Mail. Kevin e Christine Williams acreditavam que o dinheiro iria pagar um tratamento com células tronco para Abigail, sua filha de 7 anos, que possui uma doença genética fatal. Os médicos, no entanto, desencorajaram o casal após dizer que a condição de Abigail é incurável, e que nenhum procedimento a ajudaria.


O dinheiro foi doado para a família de Kyle Weaver, de três anos, e pagará a cirurgia que permitirá ao garoto voltar a andar. “Não é justo termos £22,5 mil parados no banco esperando uma cura que nunca chegará, enquanto outra criança está doente e precisa do dinheiro. Esperamos que a família de Kyle faça bom uso do dinheiro”, afirmou Kevin.


Os pais de Kyle, os britânicos Simon e Samantha Weaver, afirmaram estar surpresos com a doação generosa. Eles estão tentando levantar R$ 171 mil (£58 mil) para a operação do garoto. “Estamos com sentimentos duplos. Eles nos ajudaram e gostaríamos de ajudá-los, mas não há nada que possamos fazer”, afirmou Simon.


A cirurgia de Kyle está marcada para 21 de maio no hospital infantal St Louis, no Missouri (EUA). A cirurgia custará £28 mil, a fisioterapia custará £3 mil e a família ainda precisará de dinheiro para custear as passagens e a hospedagem nos Estados Unidos durante cerca de seis semanas.


Matéria publicada na Revista Crescer, em abril de 2013.



Humberto Souza de Arruda* comenta


Na maioria dos casos, quando uma pessoa está com uma enfermidade, é importante refletir em como esta situação foi atraída a ela. Mesmo nesta existência, colhemos frutos de acordo com o plantio. Mas em um caso como o da Abigail, que tem uma patologia tão grave, a resposta encontraremos analisando os conceitos da reencarnação.


Com o entendimento das múltiplas existências, aceitamos melhor a necessidade das provas e expiações que ainda precisamos passar. Assim, podemos aprender, reparar, perdoar, ajudar e tantas outras coisas que compõem o nosso crescimento moral.


E Abigail trouxe para a família e amigos esta oportunidade de crescimento. Poderiam ficar lamentando e até duvidando da existência e da bondade divina, mas optaram por juntos criarem uma rede de amor através das doações de amigos e parentes para custear o tratamento da menina.


Através da comunicabilidade dos Espíritos, seja entre desencarnados ou encarnados, o pensamento vai a muito longe, ainda mais como no caso de uma campanha pelo bem da filha como fez a família. Cada um dos envolvidos nesta ação envolve vários outros com o pensamento no bem.


E foi com esta sintonia de querer o melhor ao próximo que esta família encontrou a família do menino Kyle. Com esta nobreza de aproveitar a ajuda que teve para também ajudar a outros. Os pais da Abigail poderiam continuar investindo no tratamento da filha mesmo contrariando as previsões médicas. Ou mesmo melhorar as condições do tempo de vida que ainda tem a filha, como presentes, viagens e outros confortos e diversões.


Percebamos o quanto temos de responsabilidade com o nosso livre-arbítrio. São muitas as oportunidades que Deus coloca à nossa frente, como nos orienta a questão 258-a, de O Livro dos Espíritos:


- Não é Deus, então, quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?


“Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus quem estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Ide agora perguntar por que decretou Ele esta lei e não aquela. Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das consequências que estes tiverem. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal. Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação de que nem tudo se lhe acabou e que a bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi mal feito. Demais, cumpre se distinga o que é obra da vontade de Deus do que o é da do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós quem o criou e sim Deus. Vosso, porém, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu.”


Assim, a forma como iremos aproveitar uma provação será de acordo com o nosso adiantamento. E a forma que os pais de Abigail escolheram foi a de enxergar estas oportunidades de ajuda. Eles Viram no Kyle uma oportunidade ímpar de mostrar o amor incondicional.


O valor do dinheiro é muito relativo ao que ele representa. Em um instante, o montante resultante das doações era uma grande conquista; depois das últimas avaliações médicas do estado em que estava Abigail, já não valia nada, e, em um tempo depois, volta a ter a grande importância por poder contribuir em trazer o caminhar ao Kyle.


E mesmo a família do Kyle dizer que não ha nada que eles possam fazer para retribuir a ajuda, na verdade, eles deram a oportunidade da prática da caridade e os pais da Abigail usaram o seu livre-arbítrio da forma certa.


Mas lembremos de que, independente de ter um recurso financeiro grande, como o mostrado na reportagem, nós podemos ajudar muitos irmãos necessitados usando menos dinheiro ou sem o uso deste. No mundo, temos muitos irmãos que não encherão a barriga com um abraço e uma palavra de conforto, mas se sentirão mais fortalecidos na fé que são filhos de Deus quando recebem uma solidariedade fraterna de um irmão que não é de sangue.


* Humberto Souza de Arruda é evangelizador, voluntário em Serviço de Promoção Social Espírita (SAPSE) e colaborador do Espiritismo.net.