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Paciente de médica suspeita relatou ameaça e se salvou

3 de julho de 2013



Paciente de médica suspeita relatou ameaça e se salvou



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A Polícia Civil do Paraná poderá exumar sete corpos de pacientes que morreram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Curitiba (PR) durante os plantões da médica Virgínia Soares de Souza - coordenadora da unidade e detida na última terça-feira (19), suspeita de ordenar o desligamento de aparelhos que mantinham vivos pacientes internados. O caso ganhou contornos dramáticos ontem com a revelação de uma ex-paciente da UTI, que em dezembro escreveu um bilhete para a filha quando estava internada pedindo para ser retirada da unidade porque sabia que seria morta.


A médica intensivista, que era investigada há um ano pela Polícia Civil, foi indiciada por homicídio qualificado, porque as pessoas não tinham chance de se defender. Ela atua no hospital desde 1988 e chefia a UTI há sete anos.


A direção do hospital não confirmou a hipótese de exumação de corpos, levantada por uma fonte ligada ao caso - cuja investigação é feita em sigilo -, e apenas confirmou a troca de 34 enfermeiros e 13 médicos do setor de UTI. Segundo o diretor-clínico Gilberto Pascolat, o objetivo da troca - que atendia pedido da Secretaria Municipal de Saúde - é o de evitar pânico entre os familiares de pacientes. "É uma forma de tranquilizar mais as famílias", disse.


A denúncia que culminou com a prisão de Virgínia teve início no ano passado, conforme a queixa de uma pessoa que conhecia o trâmite na UTI. "A pessoa entrou em contato com a Ouvidoria, que nos repassou a denúncia e iniciamos a investigação", disse a delegada Paula Brisola.


Nos últimos dias, vieram à tona depoimentos com acusações gravíssimas contra a médica. Na quinta-feira (21), a família de uma ex-paciente que passou pela UTI do hospital em dezembro contou que ela escreveu um bilhete para a filha pedindo que a retirassem dali. "Eu preciso sair daqui, pois tentaram hoje me matar desligando os aparelhos", diz trecho do bilhete. A paciente estava entubada quando teria escutado alguém mandar desligar o aparelho. "Eram 8h da manhã, a médica (Virgínia Soares de Souza) disse que queria ver se eu aguentava até as 16h. Mas, assim que ela deu as costas, a enfermeira colocou o respirador e disse que não deixaria que fizessem isso comigo."


Antes, uma ex-funcionária da UTI disse que a médica tratava os pacientes do SUS com desdém, dando a entender que ela desligava os aparelhos no qual eles estavam ligados. "Quase todo dia havia uma parada cardíaca e ela gritava ‘Spp’ (sigla utilizada em UTIs que significa "se parar, parou!"), então, as enfermeiras saíam fora e deixavam o paciente. Isso quando era SUS; se era particular ou convênio aí tentavam salvar", disse.


A RPC TV, afiliada da Rede Globo, divulgou trecho do depoimento da médica à polícia no qual ela diz que havia sido "mal interpretada" por falas como "Quero desentulhar a UTI, que está me dando coceira". Outro ex-enfermeiro disse que ela interrompia ou a ventilação mecânica ou as medicações que mantinham pacientes vivos. Um terceiro, em depoimento à RPC TV, disse que ela fumava na UTI e ameaçava funcionários.


O Conselho Federal de Medicina (CFM) se manifestou por meio de nota e não descartou a cassação do exercício profissional da médica. "Se for confirmado o delito, o CRM-PR proporá a abertura de processo contra a médica denunciada, que ficará passível de receber penas que vão até a cassação do exercício profissional", diz a nota.


O advogado de defesa de Virgínia, Elias Mattar Assad, disse que entregará nesta sexta-feira um documento ao Conselho Federal de Medicina pedindo para que sejam revistos os procedimentos em UTIs de todo o País.


"Não é possível que os intensivistas fiquem cuidando e com a responsabilidade de pacientes que não são deles. Em uma UTI seria necessário mais acompanhamento do médico responsável e nenhuma atitude poderia ser tomada sem que ele desse a autorização. A UTI é a fronteira entre a vida e a morte", disse.


Notícia publicada no Portal UOL, em 22 de fevereiro de 2013.



Sergio Rodrigues* comenta


Caso de extrema gravidade, que ganhou espaço no noticiário nos últimos meses, os fatos a que se refere a notícia em questão ainda são objeto de apuração policial. Embora sejam muitos os indícios que conduzem à possibilidade de que tenha de fato ocorrido uma ação criminosa, é preciso aguardar a conclusão do processo investigatório, a fim de que não se venha cometer um julgamento precipitado, que pode resultar em injustiça. Se comprovada a prática delitiva, a médica em questão terá assumido grave endividamento, não apenas perante a lei dos homens, mas também, e principalmente, perante a Lei de Deus. Com efeito, conforme responderam os Espíritos à questão 746, de O Livro dos Espíritos, comete um grande crime aos olhos de Deus aquele que tira a vida de seu semelhante, interrompendo uma existência que poderia representar para ele uma expiação ou uma missão, ambas ainda tão necessárias ao nosso progresso espiritual.


Nem mesmo o argumento de que os possíveis sujeitos passivos dessa eventual ação criminosa eram doentes que se encontravam sob cruéis sofrimentos, agonizantes, mesmo, e cujo estado não lhes permitia qualquer perspectiva de cura, isenta a responsabilidade da profissional em questão. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo V, item 28, Allan Kardec traz uma instrução do Espírito São Luís abordando a hipótese. Esclarece o Espírito, primeiramente, que a ninguém cabe o direito de prejulgar os desígnios de Deus. Não se pode, pois, garantir que, num último momento, a Providência Divina não restitua a um enfermo em estado aparentemente final a possibilidade de retomar a vida física por mais algum tempo. Além disso, ressalta o Espírito a possibilidade de a ciência terrena ter se enganado em suas previsões, negando-lhe a esperança de cura, quando esta ainda se mostra possível perante as leis naturais, embora possa ser inexpressiva essa probabilidade.


Mas o ponto mais importante da instrução é que, segundo esclarece São Luís, num último momento, esses instantes finais que se quer abreviar podem ser de grande valia para o paciente, pois poderá ser utilizado para fazer, durante a agonia, valiosas reflexões, inclusive levando-o ao arrependimento de eventuais equívocos cometidos naquela existência. O arrependimento, explicam os Espíritos, é o primeiro passo para a regeneração do espírito faltoso. Esses momentos finais, portanto, podem encurtar o caminho de volta do espírito em direção às Leis de Deus, atenuando, mesmo, tormentos expiatórios futuros.


Aquele que apenas vê o corpo, certamente, tem uma visão materialista da situação e racioncina unicamente em função da vida terrena. No caso comentado, inclusive, há indícios de que a ação criminosa sob investigação tenha sido ditada por interesses de natureza puramente econômicos. Testemunhas ouvidas afirmam que, na grande maioria dos casos, as possíveis vítimas eram vinculadas ao sistema público de saúde, proporcionando um rendimento em muito inferior aos auferidos com pacientes atendidos mediante planos de saúde privados. A se confirmar essa circunstância, somente será agravada a situação da mencionada médica e de outros possíveis envolvidos no caso, quer perante a lei dos homens, quer perante a Lei de Deus.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.