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Professor inclui questões sobre escravidão na lição de matemática

17 de junho de 2013



Professor inclui questões sobre escravidão na lição de matemática



Atividade foi entregue para alunos com nove anos de idade


Do R7


Em uma escola em Midtown, nos Estados Unidos, uma atividade polêmica foi aplicada pelo professor de matemática: os alunos deveriam fazer a contagem de assassinatos e espancamentos dos escravos. As perguntas foram entregues a uma sala de aula com alunos em torno dos nove anos de idade. As informações foram retiradas do New York Post.


De acordo com outros funcionários da escola, a atividade surgiu a partir de uma tentativa entre a professora de história associar o conteúdo sobre a escravidão com um trabalho de matemática.


Foram encontradas entre as perguntas relação com açoitamento a partir da pergunta: Um escravo foi açoitado cinco vezes por dia. Quantas vezes ele foi batido em um mês?


Em outra pergunta sobre subtração diz: Em um navio de escravos, pode haver 3.799 escravos. Um dia, os escravos assumiram o navio. 1.897 são mortos. Quantos escravos estão vivos?


Em comunicado o diretor do colégio disse que ficou chocado sobre esta atividade e tomará as medidas necessárias com os professores.


— Já me encontrei com o professor e discutiremos em torno desta questão.


Notícia publicada no Portal R7, em 22 de fevereiro de 2013.



Breno Henrique de Sousa* comenta


Ao ler esta notícia, comecei a refletir sobre o porquê dessa situação. O mais provável é que se trate de uma atitude displicente. Pelo que foi relatado, parece ter sido a tentativa desastrada de relacionar o conteúdo de duas disciplinas. Quem sabe falta de habilidade com o que chamamos de interdisciplinaridade?


De qualquer forma, em tempos onde cada vírgula é fiscalizada, devemos estar vigilantes sobre o que escrevemos e dizemos.


Sem “bomocismo”, deve ser a preocupação de qualquer pessoa sensata, zelar pelo que diz para não ser mal interpretado ou acabar dizendo o que não queria. Se há de fato preconceito nesse acontecimento, não sabemos, sabemos que existem pessoas preconceituosas e que para elas certos preconceitos são tão naturais que se tornam invisíveis e acabam transparecendo em suas palavras.


O professor Paulo Freire denunciava alguns desses preconceitos quando se escuta, por exemplo, a frase: fulana é negra, mas é honesta. O “mas” na frase denuncia o preconceito. Não faria sentido dizer que fulana é loira, “mas” é honesta. Muitos dos nossos ditos populares repassam ideias e preconceitos irrefletidos. Não sou a favor do policiamento punitivo das expressões linguísticas, isso gera outro tipo de hipocrisia. Sou a favor da reflexão e educação para termos consciência da responsabilidade do que dizemos. Frases como: a coisa tá russa; serviço de preto, dia de branco. Podem ser ditas de maneira inocente, mas temos o dever de educar, não de reprimir, pois a repressão provoca o efeito contrário.


Afinal, mais importante que as palavras é a intenção que elas vestem. Podemos especular as intenções, mas só Deus pode sondar o nosso íntimo. As palavras podem ajudar ou prejudicar, esclarecer ou confundir, aliviar ou pesar, consolar ou desesperar. Seremos chamados a prestar contas do uso desse poderoso instrumento. A palavra é nossa enquanto não é dita, depois que sai de nossa boca, lança-se a semente que trará fatalmente a colheita do que plantamos.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.