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Mais de 60% das mortes por armas de fogo nos EUA são suicídios

20 de maio de 2013



Mais de 60% das mortes por armas de fogo nos EUA são suicídios



O massacre de dezembro passado em uma escola de Newton, no Estado de Connecticut, nordeste dos Estados Unidos, lançou no país um novo debate sobre a relação entre o acesso facilitado a armas de fogo e a violência com armas.


Mas algumas entidades aproveitaram o debate nacional para destacar uma realidade que muitas vezes passa despercebida: o número anual de pessoas que cometem suicídio usando armas de fogo é muito maior do que o número de vítimas de homicídios cometidos com essas armas.


Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, cerca de 19 mil das 31 mil mortes por armas de fogo que acontecem anualmente nos Estados Unidos, ou 61,3%, são suicídios.


Uma preocupação adicional das autoridades e profissionais de saúde é o alto nível de eficácia das pistolas e fuzis se comparados com outros métodos: um total de 85% das tentativas de suicídio com essas armas no país resultam em morte, enquanto que apenas 2% das tentativas de suicídio realizadas com comprimidos têm êxito.



Motivos


Psiquiatras e psicólogos enfatizam que, ainda que se deva examinar os motivos que levaram alguém a querer tirar a própria vida, também é importante analisar como a pessoa tentou se suicidar.


É por isso que a Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard criou o projeto Means Matter (“Os Meios Importam”, em tradução livre), que visa destacar o papel de armas de fogo em suicídios.


"Existe uma tremenda disparidade na porcentagem de mortes em decorrência do método que se escolheu para um suicídio. Não é tão fácil morrer em tentativas de suicídio, e as armas, sem dúvida, tornam isso mais fácil", disse à BBC Catherine Barber, diretora da Means Matter.


De acordo com Barber, a maioria dos que querem tirar a própria vida dedicam pouco tempo ao planejamento do suicídio. Tudo é feito muitas vezes de impulso, e se o método eleito é uma arma, há poucas chances que o suicida tenha a chance de se arrepender de sua decisão.


"Já analisei centenas de suicídios, e o que mais chama a atenção é que em muitos casos de suicídio, no dia em que ele se deu, ocorreu um evento que atuou como gatilho, como uma separação, uma discussão doméstica, problemas na escola", comenta.


"Os pensamentos suicidas não costumam durar muito tempo. Aparecem e logo pode ser que não regressem. Só uma minoria de pessoas permanece em estado suicida durante um longo período de tempo", afirma Barber.


Em um estudo de 2005 feito com um grupo de pessoas que sobreviveram a um enfarte ou a uma tentativa de suicídio, 25% dos entrevistados disse ter planejado o ato suicida durante pelo menos cinco minutos.


Analistas destacam ainda que nos Estados americanos em que há maior número de proprietários de pistolas e fuzis, ocorrem mais suicídios.


"Suicídios acontecem em todos os Estados Unidos, mas Estados com mais armas têm níveis mais altos de suicídios, como Wyoming, Montana, Alasca e Nevada - enquanto que os nove Estados com menor número de proprietários de armas têm cifras de suicídio significativamente mais baixas", afirmou à BBC Kenneth Duckworth, psiquiatra e diretor médico da Aliança Nacional para Doenças Mentais.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 6 de março de 2013.



Humberto Souza de Arruda* comenta


Se hoje a morte é algo que aterroriza muitas pessoas, imaginemos isso há dezenas de séculos atrás. E, com este pensamento, alquimistas tentavam encontrar fórmulas de criar um elixir da imortalidade que pudesse curar todos os males, como uma verdadeira “panaceia divina”. E, assim, acidentalmente, na manipulação do salitre, enxofre e carvão vegetal em proporções certas, descobriram o enorme poder de expansão de gases que estes minerais causavam, criando, nesse momento, por volta dos séculos VIII e IX, a pólvora.


Não demorou muito para concentrarem limalhas de ferro junto com a pólvora em tubos, para enfeitarem o céu com os maravilhosos fogos de artifícios. Mas, em pouco tempo, trocaram estas limalhas por pedaços de ferro. E, então, mesmo continuando em tubos de bambu, criou-se ali a arma de fogo, e já com aplicação militar.


Apesar de, ironicamente, a arma de fogo ter surgido da ideia de salvar vidas através dos experimentos para se conseguir um elixir que tudo curasse, este equipamento foi criado para matar. E com o passar de vários séculos, a indústria aperfeiçoou este aparelho para ficar cada vez mais preciso, portátil e acessível.


Quem compra uma arma de fogo está inclinado a usá-la. Quem pensa em usar uma arma de fogo, provavelmente está pensando em homicídio. E se pensar em suicídio… Tendo uma arma de fogo, dificilmente pensará em outra forma de interromper a sua vida.


“Entre as causas mais comuns de sobreeexcitação cerebral, devem contar-se as decepções, os infortúnios, as afeições contrariadas, que, ao mesmo tempo, são as causas mais frequentes de suicídio.” (Trecho retirado do item XV, da introdução de O Livro dos Espíritos.) Estas, que são as causas mais comuns que levam uma pessoa ao suicídio, têm como base uma visão materialista, a de que Deus reservou a este ser um fardo muito grande, reforçado também pelo desconhecimento da Lei de Ação e Reação trazida por nossas várias existências.


Com as experiências mal sucedidas de outras existências, que nós optamos por não traduzir em aprendizado, criamos muitas situações perturbadoras de hoje. Como nos mostra André Luiz, em uma psicografia de Chico Xavier, no livro Ação e Reação:


“Figuremos um homem acovardado diante da luta, perpetrando o suicídio aos quarenta anos de idade no corpo físico. Esse homem penetra no mundo espiritual sofrendo as consequências imediatas do gesto infeliz, gastando tempo mais ou menos longo, segundo as atenuantes e agravantes de sua deserção, para recompor as células do veículo perispirítico, e, logo que oportuno, quando torna a merecer o prêmio de um corpo carnal na Esfera Humana, dentre as provas que repetirão, naturalmente se inclui a extrema tentação ao suicídio na idade precisa em que abandonou a posição de trabalho que lhe cabia, porque as imagens destrutivas, que arquivou em sua mente, se desdobrarão, diante dele, através do fenômeno a que podemos chamar “circunstâncias reflexas”, dando azo a recônditos desequilíbrios emocionais que o colocarão, logicamente, em contato com as forças desequilibradas que se lhe ajustam ao temporário modo de ser. Se esse homem não houver amealhado recursos educativos e renovadores em si mesmo, pela prática da fraternidade e do estudo, de modo a superar a crise inevitável, muito dificilmente escapará ao suicídio, de novo, porque as tentações, não obstante reforçadas por fora de nós, começam em nós e alimentam-se de nós mesmos.”


A porta do suicídio é a pior forma de regressar ao mundo espiritual, pois além de levarmos os problemas que nós mesmos nos deixamos induzir ao erro, ainda levamos o débito do suicídio em si. E sem falar que o desencarne, nesta situação, não tem o auxílio que um espírito recebe, em muitas vezes, no caso de uma morte violenta qualquer, pois os laços que prendem o Espírito ao corpo permanecem por uma certa punição da consciência do próprio suicida.


Mas, independente de ter ou não uma arma de fogo, a causa maior deste desequilíbrio é a distância que equivocadamente optamos por manter das Leis Morais, como a Lei da Conservação, a Lei do Progresso, a Lei da Liberdade e a Lei do Amor. E é na Lei do Amor que consta o amor próprio, o amor aos entes queridos e a caridade.


Assim, o potencial suicida deve pensar muito bem na caridade que deixaria de fazer aos entes queridos com a covardia de interromper uma existência por orgulho. Seja com um atentado à vida diretamente ou indiretamente, como alguns esportes radicais, toxicomania, ou outras agressões ao corpo que é o equipamento do qual precisamos para completarmos a nossa evolução neste orbe.


* Humberto Souza de Arruda é evangelizador, voluntário em Serviço de Promoção Social Espírita (SAPSE) e colaborador do Espiritismo.net.