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Historiador decifra 'carisma' de Hitler e vê paralelos em mundo hoje

26 de abril de 2013



Historiador decifra 'carisma' de Hitler e vê paralelos em mundo hoje



Laurence Rees
BBC News Magazine


Poucos teriam previsto, com base nas características pessoais de Hitler, que ele seria capaz de formar uma conexão tão forte com milhões de pessoas. Até hoje, muitos se perguntam como foi possível que um tipo esquisito, com tantos defeitos e inadequações, conquistasse o poder em um país como a Alemanha, em pleno coração da Europa. Pois o caso do líder alemão é um importante aviso para o mundo moderno.


A ascensão de Adolf Hitler tem suas raízes não apenas nas circunstâncias históricas do período - em particular, a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e a depressão econômica do início da década de 1930 - como também na forma de sua liderança.



De Artista a Ditador


Hitler foi o arquétipo do líder carismático. Não era um político "normal" - alguém que promete medidas como impostos menores ou melhor sistema de saúde -, mas quase um líder religioso, que oferece metas espirituais, como redenção e salvação. Hitler acreditava estar predestinado a algo grandioso. Ele chamava isso de "providência".


Antes da Primeira Guerra Mundial, era um joão-ninguém, um sujeito estranho, que não conseguia formar relacionamentos íntimos, incapaz de participar de uma discussão intelectual e cheio de raiva e preconceito.


Mas, quando fazia discursos para o povo após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra, suas fraquezas eram percebidas como qualidades.


O ódio que sentia ecoava os sentimentos de milhares de alemães que, sentindo-se humilhados pelos termos do Tratado de Versalhes, buscavam um bode expiatório.


Sua falta de talento para debates era vista como um sinal de caráter, sua recusa em bater papo, a marca de um "grande homem" que vivia em um mundo à parte.


E, acima de tudo, estava o fato de que Hitler descobriu que era capaz de se conectar com sua audiência. Isso, que muitos chamam de "carisma", formou a base do seu futuro sucesso.


"O homem emanava um carisma tal que as pessoas acreditavam em qualquer coisa que ele dizia", disse Emil Klein, que ouviu Hitler falar na década de 1920.


Mas Hitler não hipnotizava a audiência. Nem todos sentiam essa conexão. Você tinha de estar predisposto a acreditar no que ele dizia para poder vivenciar essa conexão com ele.


Muitos que ouviram discursos de Hitler nesse período achavam que ele era um idiota.


"Eu senti uma aversão imediata a ele por causa da sua voz estridente", disse Herbert Richter, um veterano alemão da Primeira Guerra Mundial que conheceu Hitler em Munique na década de 1920.


"Ele berrava ideias políticas realmente simples. Achei que ele não era muito normal".


Quando a economia da Alemanha ia bem, no período entre 1925 e o final da década, Hitler era considerado carismático apenas por um punhado de fanáticos. Na eleição de 1928, os nazistas conseguiram apenas 2,6% dos votos.


Em menos de cinco anos, no entanto, Adolf Hitler viria a ocupar o posto de chanceler da Alemanha, líder do partido político mais popular do país.


O que mudou foi a situação econômica. A quebra da bolsa em Nova York, nos Estados Unidos, em 1929, deixou milhares de desempregados e vários bancos falidos na Alemanha.


"O povo estava realmente com fome", disse Jutta Ruediger, que começou a apoiar os nazistas nessa época. "Foi muito, muito duro. Nesse contexto, Hitler, com suas verdades, parecia ser o portador da salvação".


Ela disse que olhou para Hitler e, de repente, sentiu uma conexão com ele.


"Eu tinha a sensação de que aqui estava um homem que não pensava em si próprio e em suas vantagens pessoais, mas somente no bem do povo alemão".



Paralelos Históricos


Hitler disse a milhões de alemães que eles eram arianos e, portanto, "especiais". Que eram, racialmente, um povo "melhor" do que os outros, algo que ajudou a cimentar a conexão carismática entre o líder e os liderados.


Ele não escondeu do eleitorado seu ódio, seu desprezo pela democracia ou sua crença no uso da violência para alcançar objetivos políticos. Um detalhe crucial, no entanto, era que ele falava contra inimigos definidos cuidadosamente, como comunistas e judeus.


Uma vez que a maioria dos alemães comuns não se encaixava nesses grupos e, desde que essa maioria abraçasse o novo mundo nazista, o alemão comum estava relativamente livre de perseguições. Pelo menos até os alemães começarem a perder a guerra.


Essa história é importante para nós hoje. Não apenas porque nos oferece "lições", mas porque a História pode conter avisos.


Em uma crise econômica, milhões de pessoas decidiram se voltar para um líder pouco convencional que, na opinião deles, tinha "carisma". Um líder que se conectava com seus medos, esperanças e desejo latente de culpar os outros pela situação difícil que viviam.


O resultado disso foi desastroso para milhões de pessoas.


Quando Hitler assumiu o poder, o índice de desemprego na Alemanha era 30%. Hoje, na Grécia, ele é 25,1%. E está subindo.


É irônico que, recentemente, a chanceler alemã Angela Merkel tenha sido saudada em Atenas por gregos irados, carregando cartazes com suásticas, protestando contra o que consideram ser uma interferência indevida da Alemanha em seu país.


Irônico porque é na Grécia - em meio a uma terrível crise econômica - que observamos a ascensão repentina de um movimento político que se gaba de sua intolerância e desejo de perseguir minorias - o Aurora Dourada.


O movimento é liderado por um homem que alega não ter havido câmaras de gás em Auschwitz. Pode existir um aviso mais sério do que esse?


O historiador Laurence Rees é autor de seis livros sobre a Segunda Guerra Mundial.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 13 de novembro de 2012.



Jorge Hessen* comenta


Adolf Hitler, com todo seu carisma, não teria força suficiente para, sozinho, causar a Segunda Guerra Mundial. A rigor, nos momentos de grandes crises sociais, surgem “falsos profetas” oferecendo salvação. Não significa necessariamente que tais personagens sejam grandiosos, mas têm, mormente, qualidades de sedução. Um dos elementos de acesso de Hitler ao poder foi a sede de vingança do povo alemão contra os países vencedores da Primeira Guerra Mundial.


Anotamos também a influência de outras forças ocultas para explicar como o Führer, um indivíduo obsedado, excêntrico, desajustado mental em alto grau, chegou ao comando do Alemanha, em pleno coração da Europa. Como se explicaria, sem essa intervenção maciça de obsessores [encarnados e desencarnados], que um jovem fracassado, sem êxito, pobre, abandonado à sua sorte, rejeitado pela sociedade, tivesse conseguido montar o mais tenebroso instrumento de opressão que o mundo já conheceu?


As suas altissonantes revelações (provindas das trevas) ajudavam a cimentar a dependência carismática entre ele e o povo obsedado. Hitler era um médium pervertido, totalmente subjugado por falanges encarnadas e do além-tumba. Por mais irracionais que fossem as suas ordens, sempre houve alguém disposto a cumpri-las. Emanava um tipo de magnetismo tão estranho e hipnotizante que as pessoas acreditavam em qualquer coisa que pronunciasse. Transmitia mensagens exóticas, prometia que o Terceiro Reich seria um reinado de 1000 anos de fartura, poder e felicidade. Era uma marionete dos gênios das trevas que oferecia não opções de livre-arbítrio, mas uma tentadora visão milenarista, ilusória, oca, irracional e escravizante.


No livro Mein Kampf, de sua autoria (mancomunado com as sombras), Adolf Hitler divide os seres humanos em categorias com base na aparência física, estabelecendo ordens superiores e inferiores. No topo da qualificação está o homem germânico com sua pele clara, cabelos loiros e olhos azuis (ariano). Afirmava que o ariano é a forma suprema da raça humana. Sua filosofia de modo algum acreditava na igualdade de raças, por isso era obrigado a promover a elevação do mais forte e exigir a subordinação do mais fraco.  Essa ideia seria compartilhada em diferentes graus por milhões de alemães e habitantes de países ocupados, que permaneceram em silêncio ou participaram do sistema.


O poder carismático, conforme explica Marx Weber, dependente das qualidades inerentes a um indivíduo e repousa numa qualidade excêntrica e arbitrária. Por isso o caráter durável, excêntrico e individualista de poder carismático deve ser regulado se se deseja estabelecer um sistema mais estável dentro de uma comunidade. A intransigência obsessiva ostentada por reformadores sociais que se julgam iluminados pela graça divina, e que por isso pensam possuir um conjunto de qualidades em liderança política, tidas como excepcionais ou sobrenaturais, levam ao fanatismo popular.


Aqueles que dizem ter o poder de carisma são o que Jesus chamou de falsos profetas (médiuns das sombras). A História demonstra isso. A obsessão tem sido a doença de todos os séculos. O surto de aparecimento dos fenômenos mediúnicos destrambelhados é o efeito natural da maior incidência dos Espíritos malignos sobre os homens. Hitler construiu para si a imagem de ser o escolhido, no sentido teológico da palavra. A insistência dele em possuir um poder e um mistério quase do outro mundo tinha um grande apelo, o que lhe deu a sensação de ser de fato o salvador.


A mediunidade luminosa foi um magnífico elemento nas vidas de Francisco de Assis, Mahatma Gandhi e Chico Xavier, mas a mediunidade trevosa por outro lado assomou os meandros do psiquismo de Adolf Hitler, um frequentador do grupo mediúnico de Tullis, no início do século XX, em Berlim. Ele sabia muito bem da sua condição de instrumento dos invisíveis.


“Numa entrevista à imprensa, documentou claramente esse pensamento ao dizer: 'movimento-me como um sonâmbulo, tal como me ordena a Providência'. Havia nele súbitas e tempestuosas mudanças de atitude. De uma placidez fria e meditativa, explodia, de repente, em cólera, pronunciando, alucinadamente, uma torrente de palavras, com emoção e impacto, especialmente quando a conversa enveredava pelos temas políticos e raciais.”(1)


A sociedade precisa estar atenta a essas investidas, pois é muito apurada a técnica da infiltração das trevas. O lobo adere ao rebanho sob a pele do manso cordeiro; ele não pode dizer que vem destruir, nem pode apresentar-se como inimigo; tem de aparecer com um gesto sedutor, atitude de salvador, herói, um desejo de servir até a morte, sem restrições.


A sugestão pós-hipnótica tem sido até hoje muito bem aplicada por obsessores altamente treinados na técnica da manipulação da mente humana individual e coletiva. Hitler entrou para a História como a encarnação da maldade, o inventor do holocausto, o marco de um dos regimes mais apavorantes já experimentados pela humanidade. Sua personalidade tem oferecido inexaurível fonte de implicações para as mais variadas abordagens temáticas.


Muitas vezes, esses representantes das trevas nem têm ciência exata que estão servindo de utensílios aos entes sinistros das sombras. Cremos que Adolf Hitler e vários dos seus sequazes desempenharam terrível papel na tática geral de fundação do reino das trevas na Terra, num trabalho colossal que, obviamente, tem a marca pujante do Anticristo, consoante mencionou o apóstolo João.(2)



Notas:


(1) Texto de Hermínio C. Miranda publicado no Reformador de Março de 1976;


(2) 1João 2:18 http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Jo%C3%A3o>


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.