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Umbanda e Santo Daime melhoram estado emocional dos praticantes

10 de abril de 2013



Umbanda e Santo Daime melhoram estado emocional dos praticantes



Com informações da USP



Estados diferenciados de consciência


De um lado o Santo Daime, uma prática religiosa que faz uso sacramental da bebida psicoativa Ayahuasca.


Do outro, a Umbanda, religião tradicional no Brasil, igualmente com rituais fundamentados em práticas de estados diferenciados de consciência.


Pesquisadores do Instituto de Psicologia (IP) da USP queriam saber se há alguma relação entre as práticas associadas com essas formas de religiosidade e a saúde dos seus praticantes.


Suely Mizumoto e Wellington Zangari fizeram suas observações a partir das condições de saúde e de indicadores de bem-estar psicológico e social dos membros das duas religiões.



Autodomínio emocional


Entre as diversas constatações feitas pelos pesquisadores, eles verificaram que os adeptos do Santo Daime e da Umbanda apresentaram diferenças significativas quanto à redução da frequência de mudanças de humor e de sentimentos contraditórios.


E os dois grupos também apresentaram um aumento no domínio próprio sobre essas alterações mentais.


As diferenças foram baseadas nas experiências anteriores e posteriores à participação nos rituais de cada religião.


Quando comparados a um grupo controle - não participantes de práticas similares -, os adeptos das duas religiões mostraram ter maior equilíbrio de humor e emoção.


Os praticantes do Santo Daime ainda revelaram ter maior domínio sobre quadros de base depressiva.


Já na Umbanda, o aumento de domínio foi mais aparente em experiências de alteração de identidade.



Transes mediúnicos


Segundo os pesquisadores, a comunidade religiosa, provedora de apoio emocional, material e afetivo, pode também ser compreendida como uma comunidade terapêutica para as condições psicológicas estressantes.


Os adeptos podem encontrar em suas comunidades suporte em momentos de fragilidade.


É comum a quem desconhece a questão do transe mediúnico temer algum tipo de aumento na mediunidade ou descontrole.


No entanto, Suely diz que, "na verdade, o aprendizado que essas religiões proporcionam pode ensinar seus adeptos a ter um domínio maior quanto ao enfrentamento espiritual dessas questões, diminuindo experiências mediúnicas traumatizantes".



Ayahuasca


A pesquisa tratou ainda da polêmica em torno da utilização do psicoativo Ayahuasca.


Geralmente condenado, o uso do psicodélico mostrou associar a experiência de cura espiritual - desfrutada por participar aos rituais - a mudanças no estilo de vida dos usuários.


A ruptura de velhos padrões e a adoção de outros novos e saudáveis causou reflexo no combate ao risco de dependências da nicotina, álcool, cannabis sativa (maconha) e cocaína.


O ritual com a Ayahuasca aumentou, em altas porcentagens, a recuperação declarada quanto ao abuso e risco de dependência para usuários das substâncias citadas.


Na esfera da afetividade, a Ayahuasca serviu como uma espécie de antidepressivo, ou como a psicóloga conta, "aqueles que faziam parte dos rituais com o psicoativo diziam ter os períodos muito longos de tristeza cada vez menores e mais raros, como se a Ayahuasca fosse equivalente a um 'banho de serotonina'".


Segundo Suely, "é possível que a busca por uma religião que faça uso da ayahuasca possa resultar em efeitos terapêuticos para aqueles vulneráveis a quadros bipolares ou à depressão".


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 20 de outubro de 2012.



Breno Henrique de Sousa* comenta


A prática religiosa revela a cada dia seus benefícios, contrariando a opinião dos que dizem que as religiões são um mal para a humanidade. Afinal, aqueles que afirmam ser a religião um mal, o fazem a partir de observações históricas, destacando episódios onde os representantes das religiões constituídas cometeram atrocidades em nome de suas crenças. Não tenho a intenção de nivelar todas as religiões, no sentido de dizer que são boas e benéficas. Sabemos que no bojo das religiões encontramos de tudo, desde a inspiração divina inicial, até a deturpação dos seus seguidores.


Como a maioria das religiões guarda um caráter subjetivo e simbólico, isso permite aos indivíduos fazerem suas interpretações individuais, reduzindo a religião à sua visão individual do mundo, mais ou menos acanhada, mais ou menos equilibrada ou conturbada. Para os violentos, Deus é o senhor dos exércitos; para os fanáticos, é o Deus exclusivista; para os sádicos, é o Deus cruel das torturas do inferno e assim por diante. As religiões podem ser deturpadas pelo homem, fazendo jus ao que dizem muitos de seus críticos, mas em seu sentido original, àqueles em que foi concebida pela maioria dos enviados divinos, a religião é uma força benéfica que deve contribuir para o progresso espiritual do homem.


Isso está bem dito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, no capítulo VIII, Item 10:


"O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu principio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem."


Sobre as religiões de origem indígena ou matriz africana, existe ainda muito preconceito ou ignorância. Segundo os seguidores do Santo Daime, a ayahuasca não é uma droga alucinógena e não provoca dependência, nem malefícios físicos, apesar de ser uma substância reconhecidamente psicoativa, que se refere à classe de substâncias que têm algum efeito sobre o sistema nervoso central, mas são amplos os tipos de substâncias psicoativas, seus possíveis efeitos e meios de ação. De fato, desde 2006, o Brasil retirou definitivamente a ayahuasca da lista de drogas alucinógenas e o governo regulamentou seu uso para fins religiosos. Apesar de o uso dessas substâncias não fazer parte do rol de práticas espíritas, devemos respeitar cada cultura e suas respectivas práticas religiosas.


Facilmente pode-se encontrar pela Internet notícias sobre diversos estudos que apontam os benefícios de qualquer prática religiosa. Alguns falam a respeito dos benefícios das orações, dos transes mediúnicos, etc. De qualquer forma, todos esses estudos apontam que a conexão do homem com o divino, seja através de qualquer expressão ou cultura religiosa, é sempre benéfica quando vivenciada de maneira equilibrada. Ao vivenciarmos a nossa espiritualidade, estamos, sem dúvida, dando vazão a uma necessidade humana, a uma característica que faz parte de nossa natureza e que quando vivida aporta benefícios diversos e melhoras na qualidade de vida.


Aqui cabem duas reflexões fundamentais. A primeira é a de que a natureza nos dotou de uma necessidade natural de vivenciar nossa subjetividade e religiosidade, a segunda é a de que a vivência dessa religiosidade não é restrita a um credo específico, podendo qualquer religião ser igualmente benéfica ao ser humano, sem privilégios ou exclusivismos, como acreditam os sectários religiosos. Deus é para todos e todos somos um para Deus.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.