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'A gente tocava nela e levava choque', diz amiga de eletrocutada no RS

13 de março de 2013



'A gente tocava nela e levava choque', diz amiga de eletrocutada no RS



Psiquiatra Anelise Carvalho Figueiredo comunicou a família sobre a morte. Argentina de 47 anos visitava amiga e morreu após pisar em poça de água.


Do G1 RS


A Polícia Civil investiga a morte de uma mulher de 47 anos na noite de segunda-feira (7), em Porto Alegre. A pecuarista argentina Norma Adriana Gonzales chegava ao prédio onde mora a amiga Anelise Carvalho Figueiredo, acompanhada dela, e morreu após receber uma descarga elétrica ao pisar em uma poça de água. A amiga e outros populares tentaram socorrer a vítima, mas ela não resistiu. "A gente tocava nela e recebia choques", lembrou a psiquiatra Anelise.


O acidente ocorreu por volta das 21h, na Avenida Andaraí, próximo à Avenida Plínio Brasil Milano, na Zona Norte. A rua estava alagada devido à forte chuva que atingiu a capital gaúcha.


A amiga de Norma contou como ocorreu o acidente. Segundo ela, as duas desceram de um táxi nas proximidades do prédio e, ao chegarem até o portão de entrada, a argentina foi eletrocutada. "Não vi (se ela tocou no portão). Como ela estava de tênis e eu de salto alto, ela estava caminhando mais rápido, na minha frente. Só vi quando ela gritou, foi arremessada pelo choque e caiu na água", contou, em entrevista à Rádio Gaúcha.


O Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil isolaram o local. Uma equipe de perícia foi acionada e a polícia aguarda, ainda nesta terça, as imagens das câmeras de segurança do prédio para auxiliar na investigação, além do depoimento de testemunhas. A ocorrência foi registrada na 3ª Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA), e o caso será acompanhado pela 9ª Delegacia de Polícia.


De acordo com Anelise, o corpo de Norma foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), e seria liberado por volta das 10h. Os familiares da argentina foram informados e o corpo deve ser levado para seu país de origem, onde será sepultado.


"Ela tomou um choque muito forte e caiu. Pode inclusive ter se afogado em função da água estar muito alta. Mas inicialmente foi pelo choque", disse o inspetor de polícia André Rodrigues da Silva. O laudo do IML deve ficar pronto em aproximadamente um mês.


Notícia publicada no Portal G1, em 8 de janeiro de 2013.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


É complicado imaginarmos passar por uma situação dessa mostrada na reportagem. Hoje estamos aqui com nossos familiares e vivendo todos os nossos compromissos e de repente um acidente banal nos tira a vida. Todos temos conhecimento que viveremos em outra dimensão, mas como reagiríamos se estivéssemos, em Espírito, no lugar da argentina? Revoltados, assustados, resignados ou alegres? De forma imediata, podemos achar que passaríamos muito bem, já que temos o conhecimento da Doutrina Espírita. Mas será?


Quando recebemos algo que nos contraria e não estávamos esperando, como reagimos? Normalmente responderemos com nossas emoções e, na grande maioria das vezes, poderemos, até mesmo, esquecer nossos conhecimentos, reagindo desequilibradamente com nossas bases íntimas que escondemos de nós mesmos. Pela nossa forma de analisar e meditar as situações da vida, não nos preparamos para as contrariedades e perdas reais (físicas e morais) que nos acontecem.


Não acreditamos que algo possa acontecer conosco. Mesmo discursando, não sentimos isso. Talvez (quem sabe?) seja devido ao nosso instinto de conservação. Imaginar que podemos perder qualquer coisa, desde um braço até a nossa vida, e sentir se passando por essas situações é macabro demais. Normalmente fugimos destes pensamentos para nos defender psicologicamente. No entanto, vivemos neste mundo de provas e expiações, temos que realmente passar por certos desafios físicos que nem imaginamos, já que fizemos outros passar por eles em vidas pregressas. Teremos que sofrer violências, doenças ou acidentes que se associem a uma causa qualquer do passado que normalmente não podemos escapar.


Por isso, quando esses acontecimentos nos surpreendem e não podemos fugir deles, reagiremos de forma mecânica e por vezes equivocadas. Quantas vezes reagiremos com revolta, desespero ou decepção em relação a Deus ou às outras pessoas, procurando, muitas vezes, de alguma forma, nos vingar ou demonstrar nossa decepção com a Divina Providência por não nos fazer escapar? Em razão disso, a grande maioria da humanidade, quando desencarna, não segue imediatamente a uma cidade espiritual e fica a vagar nos umbrais da vida. E nós espíritas não ficamos de fora desta porcentagem.


Precisamos compreender que Deus e os Espíritos Superiores estão ao nosso lado em todas as situações que nos acontecem. Tanto nas que escapamos, quanto nas piores situações possíveis que nossa mente possa imaginar e não escapamos de viver. Sabemos que nem tudo era programação reencarnatória, mas tudo foi permitido por Deus. Caso não precisássemos passar, com certeza escaparíamos. Deus muitas vezes permite que o mal nos aconteça porque sabe que dele resultará um bem.


Só poderemos reagir melhor para fatos como o ocorrido com a argentina Norma, seja aqui ou no plano espiritual, se habituarmos nossos pensamentos que tudo pode realmente nos acontecer. Mas para sabermos como suportar esses desafios teremos não apenas que acreditar ou conhecer, mas principalmente sentir a certeza na vida futura, a confiança irrestrita em Deus para compreender que precisávamos passar pelos desafios e a coragem de enfrentar qualquer acontecimento de nossas vidas.


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.