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Aprender outro idioma faz o cérebro crescer

9 de março de 2013



Aprender outro idioma faz o cérebro crescer



Redação do Diário da Saúde



Cérebro e idiomas


Estudos já demonstraram que falar dois idiomas aguça o cérebro e melhora a atenção e até que falar dois idiomas retarda os sintomas do Mal de Alzheimer.


Mas um grupo de pesquisadores suecos queria saber o que acontece no "hardware", ou seja, na fisiologia do cérebro.


Eles encontraram um laboratório perfeito na Academia de Intérpretes das Forças Armadas da Suécia, onde jovens recrutas aprendem um novo idioma em um ritmo muito rápido - 13 meses.


Estudando os cérebros desses recrutas antes e depois do treinamento de idiomas, eles tiveram uma oportunidade sem precedentes para observar o que acontece com o cérebro quando aprendemos um novo idioma.



Curso super intensivo


Ao entrar na Academia de Uppsala, os jovens suecos com talento para línguas vão de um conhecimento zero de línguas como árabe ou russo, a falá-las fluentemente, em um período de 13 meses.


De manhã à noite, durante a semana e os fins de semana, os recrutas estudam em um ritmo diferente do encontrado em qualquer outro curso de idiomas.


Como grupo de controle, os pesquisadores usaram estudantes de medicina e de ciências cognitivas da Universidade de Umea - também estudantes que estudam muito, mas não línguas.


Os dois grupos passaram por exames de ressonância magnética antes e depois de um período de três meses de estudos intensivos.



Crescimento do cérebro


Enquanto a estrutura do cérebro do grupo de controle permaneceu inalterada, partes específicas do cérebro dos estudantes de língua cresceram.


As partes que aumentaram de tamanho foram o hipocampo, uma estrutura cerebral profunda, envolvida na aprendizagem de novos materiais e na navegação espacial, e três áreas no córtex cerebral.


"Ficamos surpresos que diferentes partes do cérebro desenvolveram-se em diferentes graus, dependendo do desempenho dos alunos e de quanto esforço eles tiveram que despender para levar adiante seu curso," disse Johan Martensson, pesquisador em psicologia da Universidade de Lund.


Alunos com maior crescimento no hipocampo e de uma área do córtex cerebral relacionada ao aprendizagem de línguas - o giro temporal superior - alcançaram maiores habilidades de linguagem do que os outros estudantes.


"Ainda que não possamos comparar três meses de estudo intensivo de línguas com uma vida inteira sendo bilíngue, há bastante fundamento para sugerir que a aprendizagem de línguas é uma boa maneira de manter o cérebro em forma," concluiu Martensson.


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 17 de outubro de 2012.



Jorge Hessen* comenta


O cérebro é um complexo órgão composto de ligações, filamentos e redes bem estabelecidas que formam uma conexão transportando informações para todas as partes do corpo físico. Na “massa cinzenta” não há somente uma célula individual que decifra uma função distintiva, mas um grupo admirável delas vinculadas numa “rede neural”. A atividade comum dos múltiplos espaços do cérebro está abrangida com todas as funções cerebrais, incluindo as experiências de consciência, como os pensamentos, a visão, a audição, as destrezas.


A cada dia, a neurociência se depara com vastos desafios (expostos ou ocultos) nas entranhas cranianas. “O cérebro assemelha-se a complicado laboratório em que o espírito – prodigioso alquimista – efetua inimagináveis associações atômicas e moleculares, necessárias às exteriorizações inteligentes.”(1) É a máquina ("hardware humano") que expressa a inteligência no mundo material; por isso, muitos estudiosos da mente fazem da inteligência um predicado do cérebro. São fascinantes as transformações encefálicas que sobrevêm diante dos esforços de aprendizagens de idiomas, música, ciências exatas, artes em geral. Até mesmo nos transes mediúnicos há alterações cerebrais. Pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Thomas Jefferson, da Filadélfia, EUA, monitorou os fluxos sanguíneos em diferentes regiões do cérebro durante a psicografia, sendo observada a atividade cerebral através de tomografia computadorizada por emissão de fótons únicos a áreas ativas e inativas. Foi constatado que a mediunidade altera a dinâmica cerebral.(2) Contudo, conforme Andrew Newberg, diretor de pesquisa do Myrna Brind Center of Integrative Medicine, “a reação cerebral à mediunidade recebe pouca atenção científica”.(3)


Admirável e insólito conjunto conexo de dezenas de bilhões de neurônios em rede específica e complexa, o cérebro é comparado ao mais extraordinário computador que o homem ainda não pode edificar. Suas secreções governam as reações de todo o cosmo fisiológico, trabalhando pela vida física e psíquica. Há semelhanças notáveis com a cibernética, pois os computadores contemporâneos são legítimos “cérebros artificiais”, conquanto extremamente elementares e restritos em analogia com o encéfalo psicossomático. São simples bancos de dados que resolvem entre duas opções, segundo um código preestabelecido e de acordo com o acervo de dados que têm registrado em suas memórias. É óbvio que não desejamos afirmar que o computador seja inteligente, e muito menos que tenha intuição, porém é exato expor que se aproveita de uma das qualidades da inteligência humana, ou seja, a memória.


Os resultados das pesquisas sobre as reações cerebrais, quando se estuda idiomas, por exemplo, apontam para a expansão do hipocampo, dentre outros fenômenos encefálicos. Mas será que da influência dos órgãos se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento do cérebro e o das habilidades e inteligências? Advertem os Benfeitores Espirituais para “não confundirmos o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades [aptidões e inteligências], e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos”.(4)


O Espiritismo e a Ciência se completam, os princípios do mundo espiritual e as leis do mundo material são faces de um evento comum. A Ciência necessita do Espiritismo, tanto quanto o Espiritismo precisa da Ciência; isolados, não chegarão a um saldo final e submergirão no labirinto de suposições arriscadas. A neurociência é de viés essencialmente mecanicista, e logicamente, nesse caso, há uma diferença basilar entre uma ciência materialista e a ciência espírita, pois, enquanto a primeira faz do cérebro o excretor da habilidade e inteligência, a segunda faz do encéfalo apenas um instrumento do espírito, que é o ente inteligente individualizado.


Para alguns especialistas, um dos aspectos perturbadores do tema sintetiza-se nas indagações: “Cérebro menor é sinônimo de habilidade e inteligência mínimas?”; “Cérebro grande é garantia de uma inteligência e habilidade maiores?” Entendemos que habilidade (aptidão) e inteligência são atributos essenciais do espírito, portanto o corpo físico é simplesmente um envoltório que serve de instrumento para o exercício das capacidades espirituais. Entretanto, será que a massa cerebral maior realmente pode ser indício de maior aptidão e inteligência? E cérebro menor pode ser indicativo de inteligência e competência menor? As pesquisas de alguns neurocientistas garantem que sim.


Mas não podemos prever categoricamente a habilidade e inteligência de uma pessoa medindo o tamanho do seu cérebro. “Um dos alunos que estuda na universidade (Sheffield University) tem um QI de 126, ganhou prêmios como melhor aluno de matemática e tem uma vida social normal. Mas não tem cérebro, literalmente falando... Quando foi submetido a um exame, verificou-se que em vez de um cérebro normal de espessura de 4,5 centímetros entre os ventrículos e a superfície cortical, havia apenas uma fina camada de tecido de pouco mais de um milímetro de espessura. Seu crânio é preenchido apenas com fluido cerebrospinal.”(5)


É bastante difícil explanar sobre esses curiosos elementos a fim de apreciar a função desempenhada pelo cérebro; ir mais adiante, visando levantar pontos para melhor compreensão do assunto, é desafiador. É interessante indagar aos neurocientistas: Onde a sede da consciência e do pensamento? Do que são feitas as “vozes” e imagens da lembrança? Onde enxergamos as imagens produzidas pela imaginação? O que é o inconsciente e de onde brotam as lembranças antes de as termos conscientemente? O que é a mente e o que anima o corpo? São pontos que a neurociência não dá conta de explicar.


Conforme o Espírito André Luiz, o cérebro “se divide em três regiões distintas, onde, na primeira região, situamos a “residência de nossos impulsos automáticos”, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; na segunda, localizamos o “domicílio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; na terceira, temos a “casa das noções superiores”, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Numa delas, moram o hábito e o automatismo. Na outra, residem o esforço e a vontade; e, na última, moram o ideal e a meta superior a ser alcançada. E assim distribuímos o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos em nós mesmos o passado, o presente e o futuro”.(6)


Mesmo que permaneça aparentemente estacionária, a mente (espírito) prossegue seu caminho, sem recuos, sob atuação das forças visíveis ou invisíveis. Na vontade, “temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino. Sem ela, o desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento; a inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade; a imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento”.(7)


Ainda sob o enfoque espírita, o cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria. A mente (espírito) é a mestra desse mundo microscópico, em que bilhões de corpúsculos e energias multiformes se aplicam a seu serviço. Dela procedem os fluxos da vontade, produzindo vasta rede de estímulos, reagindo ante as exigências da paisagem externa, ou atendendo às sugestões das zonas interiores. Posta entre objetivo e subjetivo, é coagida, pela lei divina, a aprender, verificar, escolher, repelir, aceitar, recolher, guardar, enriquecer-se, iluminar-se, progredir sempre.



Referência bibliográfica:


(1) Xavier, Francisco Cândido. “Emmanuel”, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1938;


(2) As áreas do lóbulo frontal estão ligadas ao raciocínio, ao planejamento, à geração de linguagem, aos movimentos e à solução de problemas, pelo que os pesquisadores acreditam que durante a psicografia “mecânica” ocorre uma ausência de percepção de si mesmo e de consciência;


(3) Artigo divulgado pela revista Public Library of Sciences, dezembro de 2012, disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/efe/2012/11/17/cientistas-estudam-o-cerebro-de-mediuns-brasileiros-em-transe.htm>, acessado em 07/02/2013;


(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2002, questão 370;


(5) Bruce H. Lipton. A biologia da crença - Ciência e espiritualidade na mesma sintonia, (os estudos pioneiros de Lipton sobre a membrana celular foram os precursores de uma nova ciência, a epigenética, da qual se tornou fundador e um dos seus maiores especialistas). Disponível em http://www.guia.heu.nom.br/cerebro.htm>, acessado em 06/03/2013;


(6) Xavier, Francisco Cândido. No mundo maior, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1947;


(7) Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1999.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.