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Roupa é item opcional em igreja dos EUA

26 de janeiro de 2013



Roupa é item opcional em igreja dos EUA



Uma igreja no Estado americano da Virginia (nordeste dos Estados Unidos) está causando polêmica ao receber fiéis nus. Até o pastor celebra o culto como veio ao mundo.


Na capela de Whitetail - uma comunidade nudista fundada em 1984, na cidade de Ivor -, roupas são um item opcional.


"Eu não acredito que Deus se importe com a maneira como você se veste quando você faz suas orações. O negócio é fazer as orações", diz Richard Foley, um dos frequentadores.


Mas entre os que não fazem parte da congregação, a ideia de uma igreja nudista não agrada muito. Várias pessoas ouvidas nas ruas de Ivor se surpreenderam e disseram achar o conceito de uma igreja nudista desrespeitoso.


O pastor Allen Parker discorda: "Jesus estava nu em momentos fundamentais de sua vida. Quando ele nasceu estava nu, quando foi crucificado estava nu e quando ressuscitou, ele deixou suas roupas sobre o túmulo e estava nu. Se Deus nos fez deste jeito, como isso pode ser errado?"



Lucro


A comunidade nudista de Whitetail vai de vento em popa apesar dos tempos de crise. Segundo a administração do resort, mais de dez mil pessoas visitaram o local no último ano e os lucros subiram 12% no período.


Os visitantes dizem que ser nudista é algo libertador. Para eles, em um ambiente como este não há julgamento de classe social e todos ficam livres para ser quem realmente são.


Além disso, o clima seria de igualdade. Um frequentador exemplificou isso dizendo que, na comunidade, não é possível dizer quem está desempregado, quem é alto-executivo e quem é encanador.


"Aqui, todos participam, todos são compreensivos e preocupados com a comunidade e com a família. Temos uma das congregações mais ativas da região. Eu considero isso um presente de Deus e um privilégio", disse o pastor Parker.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 25 de fevereiro de 2010.



Marcelo Rebollo Gomes* comenta


Desde as mais antigas civilizações, o sexo foi considerado uma sagrada faculdade do homem e da mulher. Nele, sempre foi reverenciado o poder criador da vida e da natureza. Todas as culturas dão testemunho disso em seus ritos, mitologias, artes e tradições religiosas.


Eis que, nesta notícia, temos uma modalidade de vício que ainda permeia o Planeta Terra. Juntamente com o poder e a riqueza, a sexolatria ainda assola mentes desequilibradas e doentes que não conseguem sair desta condição ilusória e passageira de frequências a pensamentos ligados ao sensualismo. Estar nu, ou quase, pode ser uma forma de desenvolver dois desvios sexuais: exibicionismo e o voyeirismo (também chamados de fantasias sexuais) e que são exemplos de falta de pudor, característica ainda presente em nossa sociedade.


É a verdadeira banalização da sexualidade humana, justificada através de cultos, que só direcionam estas pessoas a explorar ainda mais a sensualidade escondida atrás de um templo de pedra. Homens e mulheres orando nus e/ou outros somente assistindo, mas todos desviando a atenção do verdadeiro sentido da religião, que é nos impulsionar a elevar nossa sintonia com o Criador.


É claro que o Sexo é vida e faz parte da estrutura de todos nós para que possamos reencarnar e progredir a cada existência. Tão sagrado quanto a família, ele nos possibilita progredir como homens através da constituição familiar, possibilitando troca de energias entre seres que se amam, a consolidação dos relacionamentos mais primitivos e a própria perpetuação da espécie.


Hoje em dia, e principalmente no Brasil, a nudez parece que virou algo obrigatório em determinadas situações. A começar pela televisão, desde novelas, passando pelos reality shows e até mesmo em comerciais, vemos uma pessoa (geralmente mulher) com pouca roupa ou quase nenhuma. Mas por que agir assim? Por ganhar audiência ou pura apelação mesmo? Será que uma mulher não tem mais nada a oferecer do que um corpo nu ou quase nu?


Por mais que sejamos donos dos nossos próprios corpos, existe uma questão importante de ser ressaltada que é o respeito. Respeito pelo nosso corpo e para com as outras pessoas que não são obrigadas a assistir e presenciar certas coisas. É necessário ter senso crítico e saber se posicionar nos lugares, sempre respeitando a todos.


Sabemos que a vestimenta humana foi um processo milenar de avanço de nossa sociedade. A utilização de roupas foi uma fórmula encontrada pelo homem de coibir os sentimentos primitivos da sexualidade para que esta fosse exercitada com responsabilidade e amor pela sociedade civilizada. E ela é e será ainda por muito tempo imprescindível ao nosso mundo de provas e expiações.


A justificativa destes irmãos equivocados, de que a ausência de roupas iguala os fiéis dentro da igreja, independente do poder aquisitivo, é uma visão distorcida da vida, porque não importa o tipo de roupa quando os valores mais sublimes de amor, caridade e solidariedade estão presentes em cada um de nós.


As posses legítimas estão no templo da nossa própria consciência. São elas as nossas conquistas morais que adquirimos a cada encarnação e que são o verdadeiro combustível para o progresso intelecto-moral da nossa estrada evolutiva infinita. E Deus, todo poderoso, nos enviou o Mestre Jesus, nosso modelo e guia para nos ensinar comportamentos de um homem de bem.


* Marcelo Rebollo Gomes é graduado em Administração, especialista em Direito do Trabalho, atuando na Universidade Federal da Fronteira Sul. Após ter passado, na infância, pelas aulas de evangelização espírita, tornou-se evangelizador infanto juvenil e trabalha como atendente fraterno no Grupo Espírita Rubem Siqueira, em Erechim, RS; integra, há 5 anos, um grupo do Estudo Avançado da Doutrina Espírita (EADE), além de colaborar como atendente fraterno no Espiritismo.net.