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ONGs defendem legalização do aborto para alcançar sustentabilidade

16 de janeiro de 2013



ONGs defendem legalização do aborto para alcançar sustentabilidade



Permitir aborto é necessário ao desenvolvimento sustentável, defendem. ONGs também criticaram medidas dos países desenvolvidos diante da crise.


Nathalia Passarinho
Do G1, no Rio


Organizações não-governamentais (ONGs) presentes à Rio+20, defenderam nesta quarta-feira (14) a legalização do aborto como forma de alcançar o desenvolvimento sustentável. Para Alexandra Garita, representante da Internacional Women Health Coalison (Coalisão Internacional pela Saúde das Mulheres), os países devem garantir às mulheres a possibilidade de abortar com segurança e evitar o nascimento de crianças que não terão acesso a saúde, educação e padrões mínimos de qualidade de vida.


“As mulheres já abortam hoje e muitas morrem. É importante que elas possam fazer isso com segurança”, afirmou. Garita também defendeu acesso gratuito a métodos contraceptivos e a informações sobre como evitar a gravidez.


O coordenador da Federação Internacional de Estudantes de Medicina, Mike Kamus, também defendeu o aborto como forma de garantir desenvolvimento sustentável. “Do meu ponto de vista pessoal, é preciso garantir o aborto com segurança. Milhares de mulheres morrem tentando abortar. As que levam uma gravidez indesejada até o fim, muitas vezes, não têm condição de dar uma vida de qualidade aos filhos”, afirmou. Segundo ele, é preciso “dar aos jovens o direito de decidir.”



Empregos verdes


Representantes de ONGs também defenderam que os governos estimulem a criação de empregos voltados à proteção do meio-ambiente, como os relacionados a reciclagem.


“Queremos que todos os empregos criados sejam voltados ao desenvolvimento sustentável, por isso a importância na indústria verde”, afirmou Mike Kamus.


A secretária-geral da International Trade Union Confederation, Sheran Burrow, criticou as medidas adotadas pelos países desenvolvidos diante da crise financeira internacional. A organização representa interesses sociais de trabalhadores de todo o mundo.


“Atualmente dois terços da população dizem que as futuras gerações enfrentarão condições piores do que as nossas. As pessoas estão perdendo as esperanças”, afirmou. Segundo Sharon, o Brasil é um dos únicos países “otimistas”. “No Brasil, dois terços da população têm esperanças no futuro. Isto porque o governo federal focou em inclusão social e proteção social”, disse.


Notícia publicada no Portal G1, em 14 de junho de 2012.



Nara de Campos Coelho* comenta


A Rio+20, Conferência realizada em Junho de 2012, tendo como fim maior traçar metas para o Desenvolvimento Sustentável de toda a Humanidade, foi muito aquém do esperado, deixando frustrados muitos segmentos dos que ali se fizeram representar.


É fácil observar o que se passa: os países não querem abrir mão de seu conforto, mesmo que seja para beneficiar os que jazem na pobreza e na mendicância. Qual a raiz disto tudo? O egoísmo, claro. O mesmo egoísmo que autorizou a ONGs ali presentes a defenderem o aborto como forma de alcançar o Desenvolvimento Sustentável. O mesmo egoísmo que dá voz à representante da “Coalizão Internacional para a Saúde das Mulheres”, para pleitear que o aborto seguro seja garantindo às mulheres, a fim de impedir que elas tenham filhos que não terão acesso á saúde, à educação e a padrões mínimos de qualidade de vida. Matar alguém sob o estigma da falta de saúde que, possivelmente, lhe será negada é, no mínimo, um paradoxo, que revela descaso e desrespeito para com a vida que surge.


O egoísmo é filho dileto do materialismo, porque proclama o interesse pessoal acima do bem comum. O aborto, estrelando o materialismo, impede que aquele corpinho frágil, que cresce no seio materno e que já está ligado a um Espírito, tenha condições de dizer: ”Eu quero viver! Eu quero lutar por uma vida melhor! Eu serei porta-voz da evolução no meio onde viverei!” O aborto extingue uma vida que está incapaz de se defender, de correr, de se esconder, de se salvar das garras criminosas de quem recebeu de Deus a incumbência de ampará-lo, auxiliá-lo, protegê-lo. O aborto é a maior das traições! As mulheres em questão, cegadas pelo egoísmo, pela luta por seus direitos ao prazer e à liberdade de agir, nem prestam a atenção no fato de que seus filhos, mesmo que em vida intra-uterina, são outras pessoas, com os mesmos direitos que elas.


O egoísmo, sob o comando do materialismo exacerbado, não lhes deixa perceber que os filhos são outorgas de Deus para que elas cuidem e ajudem a iluminar.


Com o espiritismo tudo se esclarece. Somos Espíritos em evolução. Todos com direito a vida e as experiências necessárias ao aperfeiçoamento individual. O aborto, como nos ajuda a entender “O Livro dos Espíritos”, só tem razão de ser nos casos em que a mãe corre risco de morrer, porque entre uma vida completada e a que se completa, aponta-nos o bom senso a escolha da primeira.


Quando vemos mulheres lutando para terem o direito de abortar seus filhos, percebemos, com tristeza, o quanto a sociedade está distante de entender a vida em sua plenitude... O quanto, ainda, fabricamos as misérias físicas e morais que se repercutirão pelas vidas sucessivas, alongando as experiências dolorosas que têm marcado a nossa vida na Terra. Longe de ser uma luta pelos direitos humanos, o aborto é uma luta cruel e fratricida, pois expulsa do corpo físico, de forma violenta, um Espírito irmão, segundo a paternidade divina, e que também tem seus direitos adquiridos.


Com o espiritismo, aprendemos a combater o egoísmo que tem sido sustentado pelo materialismo reinante na nossa contemporaneidade. E com esta postura, entendemos que a busca pelo prazer imediato, em detrimento do próximo, jamais nos conduzirá a paz e a felicidade com que sonhamos. A luta pelo direito ao aborto é um caminho equivocado, que conduz o caminhante a uma zona escura e plena de espíritos revoltados e infelizes que terão que ser resgatados por aqueles mesmos que, um dia, os impediram de desfrutar das oportunidades de evolução que só se dão no corpo físico.


Para “quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir”, fica atestado que, enquanto o homem não combater individualmente o seu egoísmo, que Kardec chamou de chaga da humanidade, o bem comum terá dificuldades de ser alcançado.


Mas, até quando?!


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.