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Paciente em estado vegetativo se comunica em ressonância

27 de dezembro de 2012



Paciente em estado vegetativo se comunica em ressonância



Fergus Walsh


BBC News


Um canadense considerado em estado vegetativo há mais de uma década foi capaz de se comunicar com cientistas por meio de sua atividade cerebral monitorada em um exame de ressonância magnética.


Scott Routley, de 39 anos, foi questionado durante um exame e foi capaz de relatar aos pesquisadores que não sentia dor.


Esta é a primeira vez que um paciente com danos cerebrais graves e sem capacidade de comunicação conseguiu dar respostas consideradas clinicamente relevantes.


Os médicos de Routley dizem que a descoberta significa que os manuais médicos precisam ser reescritos.


O caso do canadense é relatado em um documentário produzido pelo programa Panorama, da BBC, que vai ao ar na Grã-Bretanha na noite desta terça-feira.


O programa acompanhou vários pacientes em estado vegetativo ou em estado mínimo de consciência na Grã-Bretanha e no Canadá por mais de um ano.



Mente consciente


Os pacientes em estado vegetativo saem do estado de coma para uma condição na qual têm períodos nos quais ficam acordados, com os olhos abertos, mas sem percepção de si mesmos ou do mundo exterior.


Routley sofreu danos cerebrais em um acidente de carro há 12 anos.


Nenhum dos exames físicos desde então haviam mostrado sinal de consciência ou de habilidade para se comunicar.


Mas o neurocientista britânico Adrian Owen - que coordenou a equipe de pesquisadores no Instituto de Cérebro e Mente da Universidade de Western Ontario, no Canadá - diz que Routley claramente não está em estado vegetativo.


"Scott foi capaz de mostrar que tem uma mente consciente e pensante. Nós o examinamos várias vezes e seu padrão de atividade cerebral mostra que ele está claramente escolhendo responder nossas questões. Acreditamos que ele saiba quem é e onde está", diz Owen.


"Perguntar a um paciente algo importante para ele tem sido nosso objetivo por anos. No futuro, podemos perguntar o que for possível para melhorar sua qualidade de vida. Podem ser coisas simples como o entretenimento que damos a eles ou a hora do dia em que eles são lavados e alimentados", observa.



Consciência


Os pais de Scott Routley dizem que sempre acreditaram que ele estava consciente e que conseguia se comunicar levantando um polegar ou movendo seus olhos. Mas isso nunca tinha sido aceito pelos médicos.


O neurologista Bryan Young, que cuidou de Routley por uma década, diz que os resultados dos novos exames alteraram todas as análises de comportamento que haviam sido feitas ao longo dos anos.


"Eu fiquei impressionado e espantado com o fato de ele ter sido capaz de mostrar essas respostas cognitivas. Ele tinha o quadro clínico de um típico paciente vegetativo e não mostrava nenhum movimento espontâneo que parecesse significativo", diz.


Análises tradicionais de Routley, desde que ele deu as respostas nos exames de ressonância magnética, continuam a sugerir que ele esteja em estado vegetativo. Young diz que os textos médicos precisam ser atualizados para incluir a técnica de Owen.


Outro paciente canadense acompanhado pelo Panorama, Steven Graham, foi capaz de demonstrar que havia sido capaz de acumular novas memórias após ter sofrido danos cerebrais.


Graham responde "sim" ao ser questionado se sua irmã tem uma filha. Sua sobrinha nasceu após seu acidente de carro, há cinco anos.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 13 de novembro de 2012.



Reinaldo Monteiro Macedo* comenta


Analisando essa pequena reportagem sob a ótica espírita, uma pergunta ecoa na nossa cabeça: Por que tal pessoa está passando por essa situação?


Sabemos que o acaso não existe e que não há efeito sem causa. Esta premissa provoca-nos à reflexão que apenas conhecimento dos fundamentos e de estudos espíritas nos poderão ajudar a encontrar explicações para essa problemática.


Mas esta experiência tão difícil é uma prova ou expiação? Para melhor esclarecer o que pretendemos mostrar, vamos detalhar o que é prova e o que é expiação:


Prova é o ato ou efeito de provar. Geralmente é sofrida por alguém, a fim de determinar se já possui condições de vencer as vicissitudes e percalços da vida. Por exemplo: prova da pobreza, da riqueza, da saúde, da inteligência, etc. Trata-se de uma situação a ser vivida pelo indivíduo, para saber se já é capaz de resolvê-la a contento, fato que atestará o seu progresso no respectivo processo evolutivo, sempre alcançando esferas superiores de vida e felicidade.


Expiação é a natural consequência de um erro cometido ou de comportamento equivocado. Não é um castigo, mas sim uma oportunidade de aprendizado que está no nosso caminho aguardando a atitude certa para ser ultrapassada. O Espiritismo mostra-nos que a culpa encontra-se na própria consciência do culpado e, por necessidade de evolução, o mesmo pode expiar seus graves erros na mesma existência em que cometeu o desatino ou em existência futura. O certo é que Deus, nosso Pai e Criador, não quer a destruição do pecador, mas sim a sua recuperação, o seu crescimento moral para que ele possa, através da experiência, adquirir o conhecimento e aprendizagem necessária do que é bom e do que é prejudicial.


(...) "Na Natureza não há castigos nem recompensas, mas consequências". - Dicionário de Filosofia Espírita, de L. Palhano Jr.


Com base nesses argumentos, o caso de Scott Rouley pode ser prova ou expiação. Interessante perceber como este caso traz para a Medicina um melhor entendimento das coisas naturais. Pensando desta forma, não poderia Scott Rouley estar em missão, já que em missão se reencarna com o objetivo de trazer mais conhecimento para a humanidade?


Assim, o caso de Scott Rouley pode pertencer a qualquer uma das três hipóteses. Seria leviano procurar impôr uma opinião como sendo a correta, o que também contrariaria o bom senso. No entanto, ficam registrados alguns argumentos para a nossa reflexão lembrando que cada caso é um caso.


* Reinaldo Monteiro Macedo é aposentado, administrador e analista de sistemas de formação, expositor de estudos e colaborador do Centro Espírita Nair Montez de Castro no Rio de Janeiro/RJ e de algumas outras Casas.