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Pesquisa observa atividade cerebral de médiuns durante psicografia

9 de dezembro de 2012



Pesquisa observa atividade cerebral de médiuns durante psicografia



Resultado mostra diminuição de fluxo sanguíneo em áreas inesperadas. Motivo é desconhecido, mas merece ser aprofundado, defende autor.
 
Do G1, em São Paulo


Cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA, mediram as atividades cerebrais de dez médiuns brasileiros enquanto faziam psicografia, ou seja, enquanto, segundo acreditam, um espírito supostamente escrevia um texto usando suas mãos.


Eles compararam os resultados da ação de psicografar com a atividade cerebral enquanto redigiam um texto fora do estado de transe, isto é, de “próprio punho”.


A equipe liderada por Julio Peres, do Instituto de Psiquiatria da USP, usou voluntários que têm entre 15 e 47 anos de experiência em psicografia. Eles foram divididos em dois grupos – mais e menos experientes.


Para verificar a atividade cerebral dos dez médiuns, os cientistas injetaram neles um marcador radioativo que permite checar a intensidade dos fluxos sanguíneos em diferentes áreas do cérebro por meio de tomografia.


Os autores afirmam que os médiuns experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade durante a psicografia, em comparação à escrita normal, justamente em áreas frontais do cérebro associadas ao planejamento, raciocínio, geração de linguagem e solução de problemas. De acordo com os cientistas, isso pode refletir a ausência de consciência durante a psicografia.


Os psicógrafos menos experientes, por sua vez, tiveram atividade mais intensa nessas mesmas áreas enquanto psicografavam, ainda que também inferior à registrada durante a escrita fora de transe. Segundo os pesquisadores, este fato poderia estar relacionado com uma tentativa “mais esforçada” dos médiuns menos experientes de fazer a psicografia.



Textos


Os autores ainda analisaram os textos produzidos e concluíram que aqueles psicografados resultaram mais complexos que os produzidos em estado normal de vigília, especialmente entre os médiuns mais experientes. Seria de se esperar que isso exigisse mais atividade em áreas frontais e temporais do cérebro, mas não foi o que os cientistas observaram.


De acordo com Peres, não há ainda uma explicação exata para esses resultados, mas eles merecem um aprofundamento. Uma possibilidade é que, como a atividade nas partes frontais do cérebro diminui, outras zonas, relacionadas à criatividade, ficam mais desinibidas. O estudo foi publicado nesta sexta-feira (16) no periódico científico online "PLOS ONE".


Notícia publicada no Portal G1, em 17 de novembro de 2012.



Reinaldo Monteiro Macedo* comenta


A Doutrina Espírita apoia-se em 3 pontos básicos: Ciência, Filosofia e Religião. Conforme nos deixou registrado Allan Kardec, "o Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência sem o Espiritismo se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria. Ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação".


Dessa forma, recentes investigações científicas sobre os fenômenos espíritas (no caso dessa reportagem, trata-se da psicografia) concluíram que os resultados possuem conteúdo que justifica a continuidade das pesquisas. Isso, na nossa visão, e tal como aconteceram em outras circunstâncias, dão todo o respaldo a frase de Kardec que citamos no parágrafo anterior, na qual fica claro a necessidade de serem envidados todos os esforços para a comprovação de fenômenos espíritas, de forma a não dar margem a especulações de qualquer tipo.


Afinal, após a devida aferição e constatação, nenhum fato pode mais ser alvo de especulações nem de "achismos pessoais", passando a ser totalmente confiável e inconsteste, pois, afinal, passa a ser uma conclusão científica pela comprovação dos fatos.


Embora o motivo exato dos presentes resultados não seja conclusivo somente com base nestes estudos, esta primeira avaliação neurocientífica fornece resultados instigantes sobre estados dissociativos de origem mediúnica, em consonância com um conhecimento mais completo da mente e suas relações com o cérebro em si.


Sendo assim, essas conclusões iniciais, pelo seu conteúdo, fazem por merecer outras futuras investigações, a fim de dirimirem-se dúvidas de qualquer natureza. O Espiritismo é também uma ciência, já o dissemos, o que tornamos a enfatizar, pela busca de respostas que nos digam à razão, considerando o bom senso e a lógica, sem dogmas de nenhuma natureza.


Tais perguntas e respostas é que permitem ao homem a ter uma fé inabalável, que só pode ser conquistada pelo conhecimento.


* Reinaldo Monteiro Macedo é aposentado, administrador e analista de sistemas de formação, expositor de estudos e colaborador do Centro Espírita Nair Montez de Castro no Rio de Janeiro/RJ e de algumas outras Casas.