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Desestruturação familiar leva pais a matarem filhos, diz diretor do Decade

29 de novembro de 2012



Desestruturação familiar faz aumentar casos de pais que matam filhos, diz diretor do Decade



Para especialista, todos os casos desse tipo revelam transtornos mentais dos pais


Do R7, com Programa da Tarde


Os casos de pais que matam os filhos aumentaram nos últimos anos por causa da falta de estrutura familiar, segundo Aldo Galiano Júnior, diretor do Decade (Departamento de Capturas e Delegacias Especializadas).


— Estamos vendo que esses casos cresceram por um único motivo: a desestruturação familiar. Os pais se separam e não vivem em harmonia. Todo o problema que levou a separação, quando não é bem administrado, ele provoca uma desestruturação familiar e isso é propício para essas tragédias familiares.


Para o psiquiatra Guido Palomba, todos os casos desse tipo revelam transtornos mentais dos pais.


— Pode ser momentâneo ou fixo, mas nenhum pai que mata o filho é normal mentalmente, porque o filho é a extensão dele mesmo. Essa agressão contra ele mesmo é sempre um estado patológico.


O especialista também atribui a falta de estrutura familiar como um dos motivos para que esses crimes ocorram.


— Por incrível que pareça muitas vezes o marido ou a mulher mata o filho para se vingar do companheiro. Como ele foi abandando, ele mata o filho como vingança.


Esse foi o caso de Alexandre Franco, condenado a 24 anos de prisão por ter matado o filho de seis anos e ter jogado o corpo no Rio Tietê, zona norte de São Paulo, em outubro de 2010. Na época do crime, o homem alegou que não aceitava o fim do relacionamento com a mulher e que matou o filho para se vingar.


Notícia publicada no Portal R7, em 18 de setembro de 2012.



Marcia Leal Jek* comenta


Por que existem pais que matam os filhos? Será por vingança, ódio, desespero, ciúmes? De que forma vemos essas pessoas? Como portadoras de doença mental ou enfermos da alma?


De uma perspetiva distante, é possível perceber estes acontecimentos trágicos como “provações" ou "expiações", tanto para os pais, como para os avós e todos os familiares, até mesmo para a própria criança.


Por vezes, eles têm origem em reações de um corpo enfermo, resultado de várias psicoses compulsivas que variam desde transtornos de personalidades até aos estados psicológicos depressivos.


O ciúme doentio desencadeia várias emoções perturbadoras, como a ansiedade, depressão, raiva, insegurança, humilhação, culpa, desejo de vingança. Esse sentimento pode transformar uma pessoa num vulcão emocional, demasiado próximo da erupção. As reações violentas são destacadas nestas pessoas e tornam-se o principal fator motivador dos índices de homicídios nos dias de hoje.


Sob a visão espírita, essa alma enferma é orgulhosa, infeliz, invigilante, aceita a violência como solução para os problemas que enfrenta. A pessoa acaba abrindo todos canais aos pensamentos de revolta, gerando forças vibracionais de sentimentos negativos agressivos. Com a mente em desequilíbrio, atrai para si mesmo outras mentes afins, desencadeando complexos processos obsessivos. A princípio, como simples sugestões, ela os confunde com os seus próprios pensamentos; com a continuação, as proteções vibratórias enfraquecem pela ação conjunta do sentimento negativo e as ações persistentes de verdugos espirituais favorecem que se estabeleça o domínio total em ações do mal.


A importância da família na formação da personalidade do ser é muito importante. Joanna de Ângelis, no livro "Estudos Espíritas", psicografia de Divaldo Pereira Franco, nos diz: “A família é um grupo de espíritos normalmente necessitados, desajustados, em compromisso inadiável para a reparação, graças à contingência reencarnatória.”


Precisamos entender que ninguém vem ao mundo predestinado a ser vítima de assassinato. Porque, se assim fosse, se “estivesse escrito” que alguém seria assassinado, Deus estaria derrogando suas próprias leis: assassinato é crime, contrário às leis de Deus, em qualquer circunstância. Sobre isso, os Espíritos comentam, em "O Livro dos Espíritos", questão 861:


“Ao escolher a sua existência, o Espírito daquele que comete um assassínio sabia que viria a ser assassino?


Não. Escolhendo uma vida de lutas, sabe que terá ensejo de matar um de seus semelhantes, mas não sabe se o fará, visto que ao crime precederá quase sempre, de sua parte, a deliberação de praticá-lo. Ora, aquele que delibera sobre uma coisa é sempre livre de fazê-la, ou não. Se soubesse previamente que, como homem, teria que cometer um crime, o Espírito estaria a isso predestinado. Ficai, porém, sabendo que a ninguém há predestinado ao crime e que todo crime, como qualquer outro ato, resulta sempre da vontade e do livre-arbítrio. Demais, sempre confundis duas coisas muito distintas: os sucessos materiais e os atos da vida moral. A fatalidade, que por algumas vezes há, só existe com relação àqueles sucessos materiais, cuja causa reside fora de vós e que independem da vossa vontade. Quanto aos da vida moral esses emanam sempre do próprio homem que, por conseguinte, tem sempre a liberdade de escolher. No tocante, pois, a esses atos, nunca há fatalidade.”


Ficou claro, nessa resposta, que somos sempre responsáveis por nossos atos. A nossa escolha, quando podemos fazê-la, é para uma vida de lutas, por vezes dolorosa, mas os detalhes surgirão pela nossa vontade; podendo ou não acontecer.


* Marcia Leal Jek estuda o Espiritismo há mais de 25 anos e é trabalhadora do Centro Espírita Francisco de Assis, em Jacaraipe, Serra, ES.