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Aborto forçado choca a China

26 de outubro de 2012



Aborto forçado choca a China



A foto de um feto de sete meses, ensanguentado ao lado da mãe em uma cama de hospital, horrorizou os chineses na semana passada e mostrou mais uma vez quão distante o país está de um Estado de Direito no qual as leis sejam cumpridas. A mulher era Feng Jianmei, 27, que foi arrastada de sua casa por três funcionários públicos, colocada em um carro contra sua vontade e levada a um hospital onde foi submetida a um aborto forçado. Toda a operação contraria uma série de dispositivos da legislação chinesa, mas ela se repete todos os dias em inúmeras partes do país, sem que os servidores responsáveis sejam punidos.


A lógica que impera no país subverte o Estado de Direito e quem termina punido normalmente são aqueles que denunciam a prática de abortos forçados, proibidos pela legislação. O exemplo mais célebre é o de Chen Guangcheng, o ativista cego que foi perseguido e encarcerado por sete anos por ter denunciado esterilizações e abortos forçados em 7.000 mulheres na província de Shandong.


O caso de Feng Jianmei só veio à tona porque sua foto ao lado de seu bebê morto foi colocada em um site da província de Shaanxi, onde ela vive, e logo se transformou no tema mais comentado nos populares microblogs do país. Desta vez, o governo ficou acuado e teve que afastar os três funcionários que sequestraram a grávida em sua casa, além de pedir desculpas pela violência. Mas inúmeros casos semelhantes continuam a se repetir todos os dias, sem que ninguém seja punido. E não são apenas os bebês que morrem. Em alguns casos, as mães também sucumbem durante aborto realizados em estágios avançados de gravidez - o aborto consentido é legal na China, mas só até os seis meses.


“Eles pegaram minha nora às 9h. Às 17h ela estava morta”, disse ao jornal Los Angeles Times a chinesa Gao Hongying. Aos 38 anos, Ma Jihong estava grávida do que seria seu terceiro filho quando foi arrastada de sua casa e submetida ao aborto que também tirou sua vida.


Feng Jianmei esperava seu segundo filho e não tinha dinheiro para pagar a multa de 40 mil yuans (R$ 12,9 mil) decorrente da violação da política de filho único. Diante da situação, os responsáveis pelo controle de natalidade decidiram impor a política à força. A ironia é que o caso veio à tona um dia depois de a China divulgar seu Plano de Ação para os Direitos Humanos, o segundo do gênero, que traz metas para o período 2012-2015.


Notícia publicada no estadao.com.br, em 18 de junho de 2012.



Sergio Rodrigues* comenta


Sem dúvida, trata-se de um ato de barbárie o descrito na notícia ora comentada. O aborto, em qualquer etapa do processo gestacional, é um crime abominável, posto que interrompe a reencarnação de um espírito que, muitas das vezes, preparou-se durante anos no mundo espiritual para retornar à carne para as experiências necessárias à sua evolução e que somente a vida corporal pode proporcionar. É um ato absolutamente violento e contrário à lei de Deus, pois, além de agredir o espírito reencarnante moralmente, também provoca consequências no organismo físico em formação, sofrendo o espírito as sensações que a expulsão violenta do ventre materno do embrião ou feto ocasiona.


O caso da notícia ora comentada é mais estarrecedor ainda, por se tratar de fetos com mais de seis meses de vida, ou seja, com um corpo em formação já adquirindo sua forma e em estágio adiantado de desenvolvimento. A ligação do espírito ao corpo nesta fase da gestação é mais estreita do que no momento da concepção, exigindo uma ação contundente de maior intensidade para expulsá-lo do ventre materno. Sabemos que o país em questão convive com grandes dificuldades para subsistir às necessidades de seu povo, daí o controle rígido imposto pelo estado ao crescimento populacional. Entretanto, entendemos que nada justifica tamanha barbaridade, pois outros meios podem ser empregados para o exercício desse controle, como até já existe naquele país, como a elevada multa imposta a quem descumpre a orientação do estado no sentido do filho único.


A responsabilidade perante as Leis de Deus que as pessoas envolvidas nessas lamentáveis ocorrências, inclusive daqueles que exercem os poderes constituídos do estado e que consentem tais atos, certamente é imensa e gerará reparação futura à custa de muita dor e sofrimento. Talvez se essas pessoas conhecessem a realidade do espírito imortal, da necessidade de sua evolução e da reencarnação, pensassem mais antes de se entregarem a tais práticas. A ignorância em que se encontram com relação a estas realidades, se é que realmente as ignoram, será levada em conta no momento da reparação. Todavia, uma infringência à Lei de Deus é sempre uma falta a ser reparada e elas não ficarão impunes, principalmente se considerarmos a violência física e moral empregada na prática de tais atos reprováveis.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.