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Papiro do século IV sugere que Jesus foi casado

14 de outubro de 2012



Papiro do século IV sugere que Jesus foi casado



Agencia EFE


Washington, 18 set (EFE).- Um fragmento de um papiro do século IV, que poderia fazer parte de um evangelho apócrifo, menciona em uma frase que Jesus tinha uma esposa, o que alimenta a teoria de que o messias do cristianismo já esteve casado.


Um estudo publicado nesta terça-feira pela professora Karen King da Universidade de Harvard detalha que esse fragmento de papiro inclui a frase em copta, a língua dos antigos cristãos que habitavam o Egito: ‘Jesus disse para eles. Minha esposa ...’.


Para Karen, que apresentou suas conclusões no Congresso Internacional de Estudos Coptas em Roma, este antigo papiro ‘apresenta a primeira prova que alguns dos primeiros cristãos acreditavam que Jesus já esteve casado’.


A tradição cristã afirma que Jesus não se casou, entretanto, a responsável pela pesquisa garante que não existe nenhuma evidência histórica que sustente essa afirmação.


O papiro, que possui inscrições em ambas as faces, embora apenas uma delas seja legível, é propriedade de um colecionador anônimo que contatou Karen entre 2010 e 2011 para investigar o que considerava uma prova de que Jesus esteve casado.


As oito linhas visíveis do fragmento de quatro por oito centímetros escritas em copta demonstram a divisão de opiniões que existia nos primórdios do cristianismo sobre a opção pelo casamento ou pelo celibato.


‘Desde o início, os cristãos discordavam se era melhor não casar, mas foi apenas mais de um século depois da morte de Jesus que começaram a recorrer à condição matrimonial dele para apoiar suas posições’, garantiu a especialista de Harvard, que acredita que o papiro faz parte de um evangelho perdido.


Esse testamento, conhecido pelos pesquisadores como o ‘Evangelho da Esposa de Jesus’, foi provavelmente escrito em grego na segunda metade do século II e traduzido posteriormente à língua dos coptas.


Um comunicado da Universidade de Harvard acrescenta que especialistas como Roger Bagnell, diretor do Instituto para os Estudos do Mundo Antigo, consideram que o fragmento analisado é autêntico de acordo com uma análise do material e da escrita.


Os pesquisadores desconhecem a origem exata do papiro, mas acreditam ter vindo do Egito, já que está escrito na língua copta utilizada pelos cristãos nessa região durante o Império Romano, e faz parte de um códice.


Segundo Karen, no fragmento analisado Jesus fala de sua mãe e de sua esposa, a uma das quais se refere como ‘Maria’. Além disso, os discípulos discutem se Maria é digna e Jesus diz: ‘Ela será capaz de ser minha discípula’.


A pesquisadora reconhece que este fragmento não prova a teoria que Jesus esteve casado com Maria Madalena ou se ela foi aceita como discípula. Entretanto, afirma que o papiro reacende o debate existente desde a origem do cristianismo entre aqueles que consideram que as mulheres poderiam exercer o sacerdócio e temas como o celibato.


Notícia publicada no Portal G1, em 18 de setembro de 2012.



Claudio Conti* comenta


Na questão 625, de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, é apresentado Jesus como o modelo para o homem, sendo o espírito mais evoluído que já encarnou na Terra. Ainda sobre esta questão, devemos supor que a sua encarnação não ocorreu por necessidade reencarnatória, mas um tipo de missão.


Qual seria a missão de um espírito de tão alta envergadura? Para esta questão somente resta uma resposta: Não temos como sequer imaginar em sua totalidade. Todavia, podemos elaborar algumas conclusões baseadas na informação que está à nossa disposição.


Primeiramente, podemos citar os ensinamentos que Jesus divulgou. Contudo, não podemos supor que esta tenha sido a finalidade da sua vinda, haja vista que muita desta informação já estava disponível, como bem coloca Allan Kardec, na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, e deixa claro na sentença: “Além disso, estas citações provarão que, se Sócrates e Platão pressentiram a ideia cristã em seus escritos, também se nos deparam os princípios fundamentais do Espiritismo.”


Devemos lembrar também da informação contida no livro “A Caminho da Luz”, ditado pelo espírito Emmanuel, sob a psicografia de Chico Xavier: Jesus, juntamente com uma equipe de espíritos, estatuiu as leis da genética, a forma como nós hoje nos expressamos como seres encarnados. Desta forma, Jesus seria o responsável pela vida orgânica na Terra desde a sua elaboração até, como podemos supor, aos dias de hoje.


Assim sendo, como podemos sequer tentar imaginar o que Jesus veio fazer no planeta como encarnado há apenas dois mil anos? Creio que, mesmo que tentassem nos esclarecer, não teríamos como compreender.


Por fim, devemos sempre lembrar o que Allan Kardec deixa muito claro também na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”: “Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva.”


Com isso, as nossas crenças e valores, como espíritas, não se altera em nada se Jesus foi realmente casado ou não, ou qualquer outra informação que venha a surgir, pois somente ele pode julgar o que foi necessário para sua missão como espírito que encarnou na Terra.


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.