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Seita russa manteve crianças escondidas por 10 anos

4 de outubro de 2012



Seita russa manteve crianças escondidas por 10 anos



Menores viviam em subterrâneo sem acesso à educação ou serviço de saúde


Uma seita muçulmana russa, cujos membros foram acusados nesta quinta-feira de maus-tratos infantis, manteve durante mais de dez anos sob a terra 15 crianças em uma casa de Kazan, capital da Tartária, na Rússia. Algumas crianças da seita quase não tinham visto a luz do dia e viviam sem contar com os serviços básicos mínimos, incluindo educação e saúde, em uma comunidade que se definiu como ‘um estado com suas próprias normas’.


O chefe de polícia de Kazan, Ranis Bakhitov, disse que pelo menos 15 crianças foram localizadas em esconderijos construídos em oito níveis subterrâneos sob uma casa dos arredores dessa cidade. "Os esconderijos foram construídos em forma de labirinto, com quartos de seis metros quadrados", explicou Bakhitov.


No subterrâneo do imóvel, foram encontrados 30 quartos nos quais 60 pessoas viviam permanentemente há ao menos dez anos. A casa pertencia a Faizrakhman Sattarov, líder de uma seita que tinha formado em meados da década de 90. Ele foi acusado de recrutar crianças e adultos, obrigá-los a cumprir suas ordens e entregar-lhe todos seus recursos financeiros, único sustento material do grupo, segundo fontes da investigação.


"Sattarov proibia os membros da seita de comparecer a centros de saúde e receber qualquer ajuda médica. Proibia as crianças em idade escolar de estudar, violando assim os direitos constitucionais dos cidadãos à educação e à saúde", disse a ajudante do promotor de Kazan, Irina Petrova. A polícia, durante a revista da casa de Sattarov, também confiscou literatura de conteúdo extremista que será investigada pelas autoridades russas.


Os menores de idade foram levados a hospitais da região em companhia de seus pais, que seguramente serão privados em breve da custódia de seus filhos, algo que já foi pedido pelas autoridades russas à Justiça. "O estado das crianças é satisfatório. Todos tinham sido alimentados na seita, embora estivessem muito sujos", afirmou a diretora da unidade infantil do Hospital Nº 18 de Kazan, Tatiana Moroz.


(Com agência EFE)


Matéria publicada na Revista Veja, em 9 de agosto de 2012.



Claudio Conti* comenta


A humanidade, de forma geral, sente no seu íntimo a necessidade de um sistema de crenças e valores para nortear a existência. Muitas vezes, experiencia um vazio interno em decorrência da sua falta, tornando-se presa fácil para os aproveitadores ou vítima de equivocados.


Nesta abordagem, pode-se considerar não apenas as religiões, mas toda vertente de pensamento, inclusive o materialismo, em que o sistema de crenças e valores em questão é a primazia dos gozos e bens materiais e/ou a natureza sobre toda e qualquer questão espiritual ou intelectual.


Nessa busca incessante, o ser, dependendo da sua condição, pode se encontrar fragilizado em decorrência da dificuldade em encontrar a vertente em que melhor se enquadra, podendo, assim, cair em uma verdadeira cilada. Esta reportagem em análise apresenta uma destas "ciladas", como tantas outras, em que o indivíduo sucumbe.


N’O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos um capítulo especialmente dedicado a questão da fé. O Capítulo XIX, intitulado "A Fé Transporta Montanhas", apresenta as formas da fé: robusta, vacilante, verdadeira, sincera, religiosa, inabalável, cega ou raciocinada.


Ao desenvolver a fé cega em um sistema de crenças e valores que lhe é aparentado, o indivíduo poderá se encontrar a mercê do sistema, onde passa a obedecer práticas, rituais e comando sem questionar a finalidade e a legitimidade do que é imposto.


Em contrapartida, a fé raciocinada, na qual a premissa principal é de o próprio indivíduo analisar e compreender o que lhe é apresentado como o sistema de crenças e valores a ser seguido. Nesta condição ideal, o sistema não mais se mantém estático no tempo, podendo e devendo ser aprimorado conforme vai se conquistando conhecimento e maturidade, não apenas individual, mas coletivamente.


O Espiritismo apresenta uma fé dinâmica, adaptável ao avanço do conhecimento, alterando o sistema de crenças e valores sempre para melhor.


Tenhamos sempre em mente as palavras de Kardec, registradas n’O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIX, item 7: "Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade".


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.