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Americano que doou dois órgãos cruza EUA a pé em campanha por mais doações

20 de setembro de 2012



Americano que doou dois órgãos cruza EUA a pé em campanha por mais doações



Um americano que doou dois órgãos está fazendo uma caminhada pelos Estados Unidos em campanha para estimular que mais pessoas façam doações ainda em vida.


Harry Kiernan, que tem 58 anos, doou um rim e parte de seu fígado a pacientes em lista de espera.


Fundador da National Living Organ Donor Foundation, Fundação Nacional de Doadores Vivos, Kiernan disse que a inconveniência para ele foi mínima diante do que as doações representam.


Segundo dados da fundação, há hoje nos Estados Unidos 113.500 pessoas na fila de espera por uma doação de órgão.


A cada dia, 20 delas morrem.


A caminhada de Kiernan para tentar mudar essa realidade teve início no dia 18 de março em Glastonbury, no Estado de Connecticut, na costa leste dos Estados Unidos. E deverá terminar em Los Angeles, Califórnia, no oeste do país, na primeira semana de julho.


Kiernan planejava andar cerca de 3.200 km, passando por cidades como Nova York, Baltimore, Washington e St. Louis, até seu destino final.


Em e-mail à BBC Brasil, no entanto, ele explicou que desde o início da campanha recebeu pedidos de visitas de outras cidades. Como resultado, a rota original deverá ser estendida para incluir paradas em Boston e Chicago, por exemplo.



Terceira Doação


Em uma parada mais longa para se recuperar de bolhas nos pés, Kiernan escreveu que as duas doações que fez até hoje não tiveram qualquer impacto sobre sua vida.


"Fiz check ups completos duas vezes. Que presente pode ser melhor do que receber duas vezes um atestado de saúde perfeita?"


"Além disso, tenho duas cicatrizes legais", brincou.


Acredita-se que Kiernan seja a única pessoa a ter doado, em vida, dois de seus órgãos. Ele diz que uma terceira doação não seria impossível.


"Eu poderia doar um lóbulo do meu pulmão esquerdo. Acho que as recomendações de idade para doações de pulmão são as mesmas que as (recomendações para doações) de fígado, ou seja, não após os 60".


"Vou fazer 60 no dia 20 de junho de 2013. Claro que eu faria (a terceira doação) se houvesse um receptor."


"Infelizmente, sempre haverá a necessidade".


Graças a Kiernan, porém, duas americanas já não vivem a angústia de esperar na fila por um doador.


Elas são Eileen Branciforte - diretora de uma biblioteca pública - que recebeu um rim, e a menina Arianna, que recebeu uma parte do fígado de Kiernan.


Arianna tinha apenas um ano de idade quando recebeu o transplante. Na última sexta-feira, 23 de março, a menina completou três anos.


Harry Kierman está sendo acompanhado em sua caminhada por simpatizantes da causa e uma equipe de filmagem.


Ele disse esperar que por meio de educação, conscientização e apoio, mais pessoas façam como ele e se voluntariem, em vida, para doar órgãos.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 27 de março de 2012.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Já foi muito divulgado o posicionamento favorável do Espiritismo sobre a doação de órgãos, considerando-a um ato de amor, louvável de quem o faz e um alívio de quem recebe.


Quando comparamos os dois tipos de doações, o em vida e o pós-morte, mesmo sabendo que os dois são meritórios, o primeiro nos leva a crer ser o mais difícil. Buscando uma analogia de Chico Xavier para explicar a doação de órgãos: “Assim como nós aproveitamos uma peça de roupa que não tem utilidade para determinado amigo, e esse amigo, considerando a nossa penúria material, nos cede essa peça de roupa.” (Entrevista pela TV Tupi, canal 4, de São Paulo, com o médium Chico Xavier, na Comunhão Espírita Cristã, 1965.) É muito mais complicado doarmos uma roupa que estamos em pleno uso. Se com uma coisa simples, como uma roupa, já é difícil, imagina o desprendimento de doar um órgão em vida. Sendo um desconhecido, aumenta ainda mais esta dificuldade.


Os órgãos que podemos doar em vida são aqueles duplos, como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido, como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém de sua família até o 4º grau. Quando as pessoas não são parentes, há a necessidade de uma autorização judicial para que não haja perigo de venda ou tráfico de órgãos. Além de serem feitos uma infinidade de testes para observar se o doador sofrerá algum risco futuro.


Todos nós podemos fazer está doação entre vivos, se estivermos aptos de saúde, com parentesco, desejando fazer e com toda autorização médica e judicial? Depende. Além disso, precisamos observar os aspectos morais e psicológicos deste empreendimento.


Responderemos sim: “Se a pessoa cultive desinteresse absoluto em tudo aquilo que ela cede para alguém, sem perguntar ao beneficiado o que fez da dádiva recebida, sem desejar qualquer remuneração, nem mesmo aquela que a pessoa humana habitualmente espera com o nome de compreensão, sem aguardar gratidão alguma, isto é, se a pessoa chegou a um ponto de evolução em que a noção de posse não mais a preocupa, esta criatura está em condições de dar.” (“Folha Espírita”, nov/82, apud “Chico, de Francisco”, pág. 84.)


A resposta é não: “Caso a pessoa se sente prejudicada por isso ou por aquilo no curso da vida, ou tenha receio de perder utilidades que julga pertencer-lhe, esta criatura traz a mente vinculada ao apego a determinadas vantagens da existência e com certeza, após a morte do corpo, se inclinará para reclamações descabidas, gerando perturbação em seu próprio campo íntimo. Se a pessoa tiver qualquer apego à posse, inclusive dos objetos, das propriedades, dos afetos, ela não deve dar, porque ela se perturbará.” (“Folha Espírita”, nov/82, apud “Chico, de Francisco”, pág. 84.)


Mesmo que esta resposta tenha sido dada por Chico Xavier em relação aos casos de doação pós-morte, percebemos o quanto ela se adequa para o caso em questão.


Temos ainda pouca divulgação deste tipo de doação aqui no Brasil. E o que Harry Kiernan tem conseguido é nos despertar para esta realidade. Mesmo observando os grandes dilemas que esta atitude nos leva e as dificuldades que nos traz, é sempre bom lembrarmos, caso nos deparemos com uma situação deste tipo em nossas vidas, da seguinte anotação, em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:


Questão 646 - O mérito do bem depende de algumas condições ou há diferentes graus de mérito no bem?


– O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo; não há mérito em fazer o bem sem esforço e quando não custa nada. Deus tem mais em conta o pobre que partilha de seu único pedaço de pão do que o rico que dá apenas o supérfluo. Foi o que Jesus ensinou ao falar da esmola da viúva.


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.