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Menina em foto da Guerra do Vietnã diz que nunca escapou daquele momento

10 de setembro de 2012



Menina retratada em foto icônica da Guerra do Vietnã diz que nunca conseguiu escapar daquele momento



Kim Phuc hoje é casada com um vietnamita e afirma que aquela imagem a perseguiu durante toda a vida


Por Redação Marie Claire


Ela foi a protagonista de uma das imagens mais emblemáticas da Guerra do Vietnã. Na época, com 9 anos, Kim Phuc, que corre no centro da foto de Huynh Cong Ut, fotógrafo da Associated Press, queria fugir e tentar sobreviver. A cena, que aconteceu em Trang Bang, no Vietnã, aconteceu depois de um ataque aéreo sobre lugares onde se havia suspeitas de esconderijos de vietcongues. Quarenta anos depois, ainda é difícil lembrar daquela imagem."Eu realmente queria escapar daquela menina", disse Kim Phuc, hoje com 49, em entrevista ao jornal “Mail Online”. "Mas parece que a imagem não me deixava ir."


Era 8 de junho de 1972, quando Phuc ouviu o grito do soldado: “Temos de sair deste lugar! Eles vão bombardear aqui e nós estaremos mortos!". Segundos depois, ela viu os restos de bombas de fumaça amarela e roxa ao redor do templo Cao Dai, onde sua família se abrigou por três dias. Ela sentiu o chão balançar e o calor de chamas que explodiram em sua direção, atingindo seu braço esquerdo. Além da dor, ela apenas pensava: “Eu vou ser feia e não vou ser mais normal. As pessoas vão me ver de uma maneira diferente."


Em choque, ela foi atrás de seu irmão mais velho e não viu os jornalistas estrangeiros enquanto corria na direção deles, gritando. Depois disso, perdeu a consciência. Com a ajuda do fotógrafo Ut, ela foi levada para um hospital onde ele exigiu que os médicos tratassem a menina. "Se eu não a ajudasse - se alguma coisa acontecesse e ela morresse - acho que me mataria depois disso”, disse ao “Mail Online”.


Phuc teve 30% de seu corpo queimado e acordou sem saber onde estava. Ela só saiu do hospital 13 meses depois e seu único desejo era ser apenas uma criança novamente. Ut e alguns jornalistas tentaram visita-lá outras vezes, mas pararam depois que as forças norte-comunistas tomaram o controle do Vietnã do Sul em 30 de abril de 1975.


A vida para Phuc tornou-se ainda mais difícil no novo regime porque o tratamento médico e os analgésicos eram caros e difíceis de encontrar. Ao entrar na faculdade de Medicina, ela foi obrigada pouco tempo depois a voltar a sua terra natal para atender jornalistas estrangeiros em visitas monitoradas e controladas pelo governo. "Eu me tornei uma vítima da guerra, mas depois que cresci me tornei outro tipo de vítima."


Foi apenas depois que viajou para a Alemanha Ocidental, em 1982, para cuidados médicos com a ajuda de um jornalista estrangeiro que sua vida mudou. Mais tarde, o primeiro-ministro do Vietnã, também tocado por sua história, conseguiu que ela estudasse em Cuba. Na escola, ela conheceu um jovem vietnamita que se apaixonou por ela. Ela nunca acreditou que alguém se encantaria por ela pelas cicatrizes em seu corpo, mas Bui Huy Toan parecia amá-la mais por causa delas. Eles se casaram em 1992.


Hoje, Phuc se tornou uma embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas para ajudar outras vítimas da guerra. Ela teve um filho e mora com a família em Toronto, no Candá. Phuc e Ut, o fotógrafo que a salvou, se reuniram várias vezes para contar sua história. "Hoje, eu estou tão feliz  Eu ajudei Kim", disse Ut, que ainda trabalha para a AP e recentemente voltou a aldeia Trang Bang. "Eu a chamo de minha filha."


Notícia publicada na Revista Marie Claire, em 1º de junho de 2012.



Breno Henrique de Sousa* comenta


O horror da guerra


O sofrimento deixa feridas abertas que demoram por sarar, depois ficam as cicatrizes que são as marcas da experiência vivida. A então garota Kim Phuc, personagem de uma das fotografias mais vistas no mundo, revela que a guerra lhe perseguiu mesmo depois de seu fim, levando a uma série de outros eventos sofridos.


A guerra é sempre um flagelo para a humanidade. Vejamos o que dizem os Espíritos Superiores, em O Livro dos Espíritos, sobre a Guerra:


742. Que é que impele o homem à guerra?


“Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem - o do mais forte. Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos frequente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas, fazendo-a com humanidade, quando a sente necessária.”


743. Da face da Terra, algum dia, a guerra desaparecerá?


“Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus. Nessa época, todos os povos serão irmãos.”


As vítimas das guerras, aqueles que não têm participação direta, mas que são atingidos por elas, estão em uma situação expiatória. Por nossos comprometimentos passados, estamos vulneráveis ao sofrimento, mas o sofrimento não é condição obrigatória. A lei de Deus é a lei do amor e a da misericórdia. Podemos resgatar nossos débitos com o bem, porém, a insânia humana provoca a dor e o sofrimento, atingindo aqueles que estão susceptíveis, e a maioria de nós estamos susceptíveis porque somos devedores da justiça universal. Porém, ai daqueles que trazem o sofrimento ao seu próximo, porque responderão por cada dor que causaram. Hoje são algozes, amanhã poderão vir a serem vítimas.


O exemplo do poder do amor está no lindo desfecho desta história triste. Kim Phuc conheceu o amor de sua vida, que não se importou com suas cicatrizes físicas e morais. Ao invés disso, decidiu amá-la ainda mais, superando juntos os ecos da guerra. O amor é a força que suplanta todas as demais, pois é a essência fundamental da vida.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.