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Nasce um bebê por hora nos EUA com sintomas de vício, diz estudo

10 de julho de 2012



Nasce um bebê por hora nos EUA com sintomas de vício, diz estudo



A cada hora, nasce um bebê, nos Estados Unidos, com sintomas de dependência de opiáceos, segundo um estudo publicado na revista científica da American Medical Association.


Entre 1999 e 2009, triplicou o número de recém-nascidos com síndrome de abstinência no país, devido a um grande aumento na incidência de grávidas viciadas em substâncias legais e ilegais derivadas do ópio.


Segundo os autores do estudo, baseado em dados de mais de 4 mil hospitais, grande parte do problema é o vício em remédios para dor, entre eles oxicodona e codeína.


Só em 2009, 13,5 mil bebês teriam nascido no país com síndrome de abstinência neonatal.



Vício


Logo após o nascimento, a bebê Savannah Dannelley teve de ficar internada na unidade neonatal de um hospital em Illinois, ligada a máquinas que monitoravam sua respiração e batimentos cardíacos.


Ela chorava muito, tinha diarreia e dificuldade de se alimentar, problemas típicos em bebês com abstinência. Alguns também têm problemas respiratórios, baixo peso e convulsões.


Sua mãe, Aileen, de 25 anos, parou de tomar analgésicos no início na gravidez, substituindo os remédios por metadona sob supervisão médica.


Agora, tanto ela como a bebê passam por um tratamento para combater o vício.


"É muito duro, todo dia, emocionalmente e fisicamente", disse Aileen Dannelley à agência Associated Press.



Altos custos


Não se sabe ao certo quais são os impactos de longo prazo para a saúde de bebês que nascem com sintomas de dependência, mas reagem bem durante as primeiras semanas de vida.


Algumas pesquisas científicas, mas não todas, apontam um risco mais alto de problemas de desenvolvimento.


O que fica claro, segundo o novo estudo, é que os custos médicos são muito mais altos com bebês que nascem com o problema.


"Bebês com síndrome de abstinência neonatal precisam de hospitalizações iniciais mais longas, frequentemente mais complexas e mais custosas", conclui o estudo.


Em média, um recém-nascido com sintomas de dependência passa 16 dias no hospital, comparado com apenas três para os demais bebês.


Para Stephen Patrick, um dos autores da pesquisa, "os opiáceos estão se tornando um grande problema nos Estados Unidos".


Marie Hayes, da Universidade do Maine, diz que em 85% dos casos de bebês com síndrome de dependência, as mães eram viciadas em remédios normalmente vendidos com receita médica e, em poucos casos, as mães eram dependentes de heroína ou estavam tomando remédios por necessidade, após um acidente de carro, por exemplo.


Um editorial da revista que acompanha o estudo diz que enquanto "os opiáceos oferecem um controle de dor superior", eles também tem sido "receitados de forma exagerada, desviados e vendidos ilegalmente, o que cria um novo caminho para o vício em opiáceos e um problema de saúde pública materna e infantil".


Notícia publicada na BBC Brasil, em 1º de maio de 2012.



Breno Henrique de Sousa* comenta


Vício na infância


Se podemos responsabilizar o viciado pelas escolhas que o conduzem ao vício, encontramo-nos diante de uma situação complexa quando nos deparamos com crianças que já nascem viciadas porque suas mães fizeram uso de substâncias entorpecentes.


O uso de substâncias entorpecentes, legais e ilegais, tem devastado milhares de vidas, não apenas por seus males físicos, mas também pelo crime e pela violência que acompanham o mundo das drogas ilegais. No Brasil, o Crack é uma das drogas mais devastadoras que tem tomado conta das periferias e chegado aos jovens da classe média. Poderia trazer aqui alguns dados e estatísticas, falar um pouco sobre os programas de prevenção e tratamento aos viciados, mas quero fazer apenas uma reflexão sobre essa notícia, pertinente ao Espiritismo.


O que fez de errado uma criança para já nascer viciada? Porque Deus, sendo justo, permite isso? Essa é mais uma das muitas questões sem resposta aos que acreditam na existência única do ser humano sobre a Terra. Naturalmente, do ponto de vista humano, a culpa é da mãe e, desde uma perspectiva espírita, a mãe também é responsável e responderá diante da justiça divina. Ainda sob o ponto de vista humano, a criança é inocente, porém, do ponto de vista espiritual, é preciso entender que não há acaso senão nos acontecimentos triviais do dia a dia e que a reencarnação de um espírito é um feito muito importante e planejado pela espiritualidade.


Estão ligados aos futuros pais espíritos que fazem parte do mesmo grupo de relações, com tendências e comprometimentos semelhantes, e não por acaso são trazidos à vida com o intuito de crescerem juntos e juntos superarem as dificuldades da vida. Se um espírito nasce em um lar com determinadas dificuldades, é possível que ele esteja sofrendo as consequências do desequilíbrio que ele mesmo criou desde outras vidas. Filhos de pais violentos talvez foram os algozes do passado que agora estão na condição de “vítimas”. A palavra “vítima” perde completamente seu sentido quando as coisas são elevadas acima do plano da humanidade e compreendidas pela ótica espiritual, que abrange uma percepção ampliada da vida pela lei da reencarnação.


Antes que alguém conteste dizendo que essa é uma concepção cruel e conformista, recomendamos que estude mais a fundo o Espiritismo. Cruel seria um universo sem causa e sem ordem, onde seríamos vítimas do acaso. Menos ainda conformista, porque essa visão não serve para aceitarmos passivamente o sofrimento e sim para sermos artífices do nosso destino e não vítimas das circunstancias. Se sofremos as más consequências do passado, isso nos ensina que podemos plantar o bem para colhê-lo no futuro.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.