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Dados negam existência das chamadas "carreiras no crime"

6 de julho de 2012



Dados negam existência das chamadas "carreiras no crime"



Redação do Diário da Saúde



Não existe uma vocação para o crime


Não existe nada parecido com uma "carreira do crime", pessoas que parecem ter a vocação para transgredir as leis apesar de qualquer punição.


Esta é a conclusão de Volker Grundies, do Instituto Max Planck (Alemanha).


O criminologista examinou os dados de aproximadamente 21.000 homens que tinham entrado em conflito com a lei em uma ou mais ocasiões.


Apesar de se confessar frustrado com os resultados, seu estudo desmente as teorias criminológicas dominantes sobre o desenvolvimento de comportamentos delinquentes na vida de um indivíduo.



Trajetórias criminosas


Grundies e seus colegas acompanharam os registros judiciais de antecedentes criminais de uma coorte da década de 1970, cobrindo homens com idade de 14 a 32 anos nessa data inicial - o estudo cobriu esses últimos 40 anos.


Eles usaram um método estatístico desenvolvido pelos criminologistas Daniel Nagin e K.C. Land.


Este método assume que existe apenas um certo número de trajetórias menos típicas de comportamento delinquente relacionadas com a idade, e que cada infrator pode ser classificado de acordo com uma delas.


Os pesquisadores encontraram várias dessas trajetórias típicas da idade - no entanto, os resultados não suportaram um exame crítico.


"Elas são na verdade um produto do próprio método em si, pois há um pressuposto inerente que as trajetórias criminosas por idade existem," explica Grundies.



Carreiras de crime


Ao avaliar os dados, viu-se que 87% do grupo associado às tais trajetórias de crime tiveram um pequeno número de infrações no seu registro criminal, poucos demais para caracterizar qualquer coisa como uma carreira de crimes.


Outros 11% estiveram em conflito com a lei com mais frequência. Em média, eles cometeram entre sete e oito crimes, que foram perpetrados predominantemente dentro de uma faixa etária definida.


Apenas 2% poderia ser classificado como infratores persistentes ao longo de toda a vida - eles mantiveram um registro criminal quase consistente em todo o período estudado.


De acordo com Grundies, "nós podemos concluir disto que a maioria das carreiras criminosas dura apenas no médio prazo."


Ele alega que trajetórias típicas não podem ser identificadas a partir deste amplo espectro de características potenciais - na verdade, os pesquisadores não encontraram nenhum grupo distinto real em suas análises estatísticas.



Desequilíbrio entre o indivíduo e a sociedade


"Existem sobreposições entre todos os grupos, o que significa que a categorização sob uma perspectiva da criminologia é um exercício sem sentido e arbitrário," diz Grundies.


"Nós não poderíamos nem mesmo determinar uma trajetória geral que tivesse variado apenas em sua intensidade individual, como previsto pelas teorias, que estão focadas em certos traços de personalidade," completa.


O próprio pesquisador afirmou que ficou surpreso com o resultado.


"No começo, eu fiquei certamente frustrado, mas então eu me perguntei qual seria a razão para esses resultados e, de repente, eu vi que eles eram muito entusiasmantes," confessa ele.


Em última análise, isto confirma sua teoria pessoal sobre a causa das "carreiras criminosas": um desequilíbrio entre o indivíduo e a sociedade.


"Mesmo que esses desequilíbrios se agreguem em uma idade jovem, a falta de padrões indica que, em princípio, esse desequilíbrio pode ocorrer em qualquer idade," conclui.


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 9 de março de 2012.



José Antonio M. Pereira* comenta


Segundo o que dizem os Espíritos, nas obras de Kardec, nós somos criados por Deus, simples e ignorantes, ou seja, nem bons nem maus. Eles nos dizem, também, que não nascemos predestinados a fazer mal a ninguém, isso graças ao nosso livre-arbítrio, e não ao chamado destino.


A pesquisa de Volker Grundies parece demonstrar isso, quando afirma não existir pessoas que tenham a vocação para transgredir leis. Os detalhes técnicos do estudo podem deixar o leitor confuso, mas, basicamente, o que Grundies conclui é que poucos criminosos demostram um padrão de comportamento voltado para o crime durante as diversas fases da vida. Em outras palavras, não há um padrão de repetição de comportamento, de um determinado grupo de indivíduos, que permita afirmar que exista uma “carreira do crime”, como algo próprio do ser humano. O que foi constatado é que o crime surge normalmente de um desequilíbrio entre o indivíduo e a sociedade.


Nada mais condizente com a filosofia espírita, que demonstra que, mesmo com a influência do meio e do passado espiritual de cada um, nossos desvios de comportamento são, sempre, fruto de nossas decisões.


* José Antonio M. Pereira coordena o ESDE e é médium da Casa de Emmanuel, além de integrante da Caravana Fraterna Irmã Scheilla, no Rio de Janeiro. Também é colaborador da equipe do Serviço de Perguntas e Respostas do Espiritismo.net.