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Vítima de padre pedófilo diz ter pena de algoz e pede que ele seja ajudado

4 de julho de 2012



Vítima de padre pedófilo diz ter pena de algoz e pede que ele seja ajudado



Uma vítima de um ex-padre católico condenado por abusar meninos sexualmente durante um período de 20 anos disse que tem pena do homem e espera que ele receba ajuda.


Alexander Bede Walsh, de 58 anos, foi julgado culpado por crimes sexuais contra oito meninos em diferentes cidades inglesas entre 1975 e 1994. Ele nega ter cometido os abusos.


Michael Clifford, de Birmingham, disse que foi abusado por Walsh quando criança em uma ocasião na década de 70. O incidente teria ocorrido na instituição católica para crianças Father Hudson, em Coleshill, no condado de Warwickshire.


Clifford abriu mão do seu direito de permanecer anônimo para falar à BBC sobre o caso.


Ele contou que o abuso aconteceu em um banheiro. Na época, não teve coragem de contar o ocorrido a ninguém e só anos mais tarde ficou sabendo que outros meninos tinham sido abusados.



‘Ingênuo e sensível’


"(O incidente) não demorou muito tempo, eu consegui escapar das garras dele e saí do banheiro", disse Clifford.


"Eu não sentia que tinha feito algo errado mas me sentia culpado por não ter ninguém com quem falar".


"Me senti muito perdido. Eu era criança. Muito ingênuo e sensível".


Walsh, ordenado em 1979, era "um homem muito intelectual", respeitado na instituição e na comunidade católica, disse Clifford.


Tudo isso fez com que ele relutasse ainda mais em contar alguém sobre o incidente.


"Na época, não pensei em contar a ninguém".



Defesa


Durante o julgamento, a promotoria disse que Walsh era um pedófilo determinado, manipulador e predatório, que acreditava que, por ser padre, ninguém deporia contra ele.


Walsh disse ao júri que entre suas tarefas como padre estavam visitar famílias e levar crianças para nadar.


Ele negou ter tocado ou ter sido tocado de forma inapropriada por crianças.


Walsh renunciou ao sacerdócio após ser condenado por baixar imagens indecentes de crianças da internet, mas continuou a viver em acomodações da Igreja.


Clifford disse ter ficado chocado ao saber sobre a condenação anterior de Walsh.


Ele explicou que a extensão do problema só ficou clara anos mais tarde, quando leu um artigo em um jornal local que perguntava se crianças que haviam vivido no lar Father Hudson haviam sofrido alguma forma de abuso sexual.


"Quando fiz minhas alegações, era a minha palavra contra a dele. Então, saber que outras pessoas haviam falado sobre as questões ajudou muito", acrescentou.



Em Frente


"Fiquei chocado em ver que um homem com aquele tipo de autoridade e responsabilidade pôde fazer algo como aquilo por tantos anos e nunca ser delatado".


O julgamento foi confortante e deu a ele confiança, disse Clifford, porque ele sabia que tinha havido justiça.


"Sinto raiva mas também sinto pena do homem porque ele precisa de ajuda tanto quando de punição".


"Quero que ele seja punido mas acho que ele precisa de ajuda".


"É óbvio que ele teve razões para fazer o que fez e eu nunca vou ser capaz de seguir em frente com a minha vida se ficar guardando raiva".


Notícia publicada na BBC Brasil, em 9 de fevereiro de 2012.



Nara de Campos Coelho* comenta


Em Nível de Perdão


Sempre que falamos em perdão, o assunto cai por vertentes sombrias, sugerindo fantasiosos posicionamentos, incompatíveis com a “normalidade” humana.


“Fulano perdoou porque é um tolo...”, dizem uns. “Só Jesus para perdoar!”, completam outros.


A questão do perdão ainda é difícil de ser vivida com naturalidade, para a maioria dos homens, por sugerir-lhe uma perfeição que está longe de ser atingida. Entretanto, deve ser compreendida, admirada e seguida por quem quer atingir este nível.


Jesus nos alertou para o perdão como fonte de felicidade. Para tanto, devemos perdoar não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes, como ficou nítido na resposta à indagação de Pedro: “Senhor, quantas vezes errará meu irmão contra mim?” (Mateus, 18:15-35). E erro contra nós mesmos, pois, obviamente, é muito mais fácil perdoar um erro cometido a terceiros... Perdoar setenta vezes sete vezes é fazê-lo o tempo todo. Assim, quem segue este princípio, aprende a perdoar ao infinito.


Nesta passagem citada por Mateus, o perdão não isenta o dever que temos de buscar corrigir o erro. Lucas exalta este comportamento (17:3-14) ao afirmar: “Se teu irmão errar, repreende-o, e se mudar a mente libera-o. E se sete vezes no dia errar contra ti, e sete vezes no dia voltar a ti dizendo ‘mudo a mente’,liberá-lo-ás.


O capítulo do perdão está, perfeitamente, retratado nesta notícia, que diz do caso de Alexander Belde Wash, sacerdote que foi condenado pela justiça inglesa por abusos sexuais, contra meninos, durante 20 anos! Michael Clifford, uma das vítimas, quando teve coragem de falar sobre o assunto, colaborou com as denúncias, mas, embora extremamente prejudicado em sua infância, sente piedade do algoz e sabe que ele precisa de ajuda.


Com os conhecimentos que a Doutrina Espírita nos traz, entendemos como superior a mensagem de Clifford, pois não faz uso da vingança, optando pela justiça e o perdão. “A cada um segundo as suas obras, sentenciou Jesus”. Assim, além da justiça dos homens, que condenou os atos vis do sacerdote, a justiça de Deus o enquadrará, naturalmente, dentro da Lei de Causa e Efeito, a que ele responderá, sem subterfúgios.


Enquanto isto, Clifford, sustentado na paz gerada pelo perdão, edificará uma nova vida, livre do assédio das sombras, nas quais o infeliz padre pedófilo está envolvido e permanecerá até que se harmonize com as leis divinas, ensinadas e exemplificadas por Jesus. Ainda que isto precise de muitas dores e de muitos séculos.


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.