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Igreja Católica da Holanda castrou vítimas de abusos de padres na década de 1950

12 de junho de 2012



Igreja Católica da Holanda castrou jovens vítimas de abusos de padres na década de 1950



Pelo menos dez rapazes foram submetidos ao procedimento. Membros do parlamento holandês irão defender inquérito sobre o caso


Resultados de uma investigação sobre casos de castração de adolescentes pela Igreja Católica publicados pelo jornal NRC causaram comoção na Holanda. Os documentos mostraram que, na década de 1950, pelo menos dez jovens vítimas de abuso sexual teriam sido submetidos à retirada de seus testículos como forma de "extirpar-lhes" a homossexualidade e puni-los por suas denúncias de abusos sexuais.


Membros do parlamento holandês disseram no sábado (17/03) que vão defender a abertura de um inquérito sobre as alegações. A apuração foi conduzida por Joep Dohmen, jornalista estudioso do caso de Henk Heithuis, holandês castrado por padres em 1956 depois de revelar à polícia os abusos que sofrera ao lado de membros do clero.


Dois padres seriam condenados por esse abuso, mas pouco tempo depois a polícia enviaria Heithuis para um hospital psiquiátrico católico, onde registros alegam que a castração foi conduzida atendendo seu próprio desejo. Não há, contudo, nenhum documento no qual o paciente de 20 anos de idade expressa essa vontade.


Segundo Dohmen, algumas de suas fontes contam que “a remoção cirúrgica dos testículos era considerada um tratamento para a homossexualidade e, também, uma punição para aqueles que acusassem membros do clero de abuso sexual”.


Embora ainda existam vários casos, Dohmen explica que a maioria deles "é anônima e não pode ser mais investigada”. Tudo depende do desejo “desses rapazes, hoje homens mais velhos, em querer compartilhar suas histórias”.


Uma investigação oficial conduzida pelo ex-ministro da Educação holandês Wim Deetman recebeu no último mês de dezembro cerca de 1,8 mil relatos de abusos cometidos por dioceses católicas desde 1945.


Surgiram evidências na última segunda-feira (19/03) de que, na época, oficiais do governo estavam cientes da castração de jovens em instituições psiquiátricas mantidas pela Igreja Católica.


Relatórios de reuniões da década de 1950 revelam que inspetores do Estado holandês estavam presentes durante os debates sobre a castração e que membros do clero defendiam que os pais das vítimas não fossem envolvidos no processo.


Há também alegações de que Vic Marijnen, ex-primeiro ministro holandês morto em 1975, esteve vinculado ao caso. Em 1956, ele foi o diretor do Internato de Gelderland, onde Heithuis e outras crianças sofreram abusos.


Notícia publicada no Portal Opera Mundi, em 20 de março de 2012.



Claudio Conti* comenta


O capítulo II, da quarta parte, d’O Livro dos Espíritos é dedicado ao estudo das penas e gozos futuros, apresentando claramente as condições que o espírito poderá se encontrar após se desvencilhar do corpo físico, quando ocorre o processo da desencarnação. Apresenta, ainda, uma avaliação de conceitos que surgiram ao longo do tempo, tais como o céu e o inferno.


Muitas destas teorias sobre o pós-morte surgiram como tentativa de conter o comportamento humano para a adequação na vida em sociedade. Contudo, como é observável pela notícia em análise, não funcionaram como previsto e, certamente, ainda não funcionam hoje.


Nas questões d’O Livro dos Espíritos, apresentadas a seguir, os espíritos responsáveis em trazer a Codificação Espírita esclarecem que o objetivo não é alcançado quando os meios adotados ou os ensinamentos são equivocados.


974. Donde procede a doutrina do fogo eterno?


“Imagem, semelhante a tantas outras, tomada como realidade.”


a) - Mas, o temor desse fogo não produzirá bom resultado?


“Vede se serve de freio, mesmo entre os que o ensinam. Se ensinardes coisas que mais tarde a razão venha a repelir, causareis uma impressão que não será duradoura, nem salutar.”


Vemos, portanto, que os fins não justificam os meios, seja qual for o objetivo que se deseja atingir. Meios inadequados corrompem a mente daquele que os utiliza, sendo preferível manter a postura correta, mesmo que a finalidade não seja alcançada total ou parcialmente, porém a integridade do ser se mantém.


Desta forma, similarmente, os benefícios também não devem ser apresentados exageradamente, além da realidade, visando atrair cada vez mais novos adeptos para uma doutrina ou religião.


A moral pode ser compreendida com um sistema de respostas mentais e/ou comportamentais para um determinado estímulo. A moral adequada, portanto, pode e deve ser desenvolvida através do ensinamento, aprendizado e prática, requerendo trabalho e dedicação.


Daí, surgiram os rituais como subterfúgios para que o indivíduo tenha a sensação de estar realizando o trabalho que lhe cabe. Um bom exemplo é apresentado nos Evangelhos sobre lavar as mãos antes de comer como sendo uma pureza espiritual. Nesta ocasião, Jesus diz que não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai do coração.


A moral pode ser compreendida de duas formas distintas: moral segundo os homens e moral segundo Jesus ou divina.


Quando estes estímulos estão relacionados com a vida em sociedade, sendo regido principalmente pelo modelo coercivo e fiscalizador, isto é, imposto pelas leis humanas e que o não cumprimento acarretará algum tipo de penalidade, podemos denominar de “moral segundo os homens”, que varia segundo os costumes de época ou local.


Quando, porém, os estímulos são mais abrangentes, dirigindo o comportamento do indivíduo na sua essência, sem a necessidade de coerção e/ou fiscalização, podemos denominar de moral na sua versão mais sublime, parte integrante do ser e não mais dissociável segundo as sazonalidades das leis humanas. O código de ética para esta moral foi trazida, para o mundo ocidental, por Jesus. Portanto, podemos denominar de moral segundo Jesus.


Importante ressaltar que a “moral segundo os homens” não necessariamente estará em acordo com a “moral segundo Jesus” e esta sempre prevalecerá sobre a primeira.


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.