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O céu é real

6 de junho de 2012



O céu é real



Leila Cordeiro


A história do menino americano Colton Burpo que disse ter estado no céu quando ficou em coma depois de uma operação de apendicite virou livro e motivo de polêmica nos programas de TV.


Colton está hoje com 11 anos, mas foi aos 4 que ele passou por essa experiência. Os pais dele contam que suas lembranças vieram aos poucos e, entre elas, Colton citou o encontro que teve com o bisavô por parte de pai que ele nunca conhecera. Descreveu-o como um ser iluminado, de cabelos encaracolados e asas enormes. Disse que ele perguntou por seu pai e contou várias histórias de família.


Outro detalhe considerado impressionante foi quando Colton narrou o momento em que uma menina aproximou-se dele dizendo-se sua irmã. Ela confidenciou ao menino que não chegara a nascer e não tivera um nome na terra, mas que estava muito feliz em conhecê-lo pessoalmente já que o via apenas à distância.


Quando Colton contou essa passagem aos pais, os dois se emocionaram e chegaram a chorar. A mãe do garoto havia realmente perdido um bebê de forma natural, sem nem mesmo saber o sexo, e combinou com o marido nunca revelar isso a ninguém pois a perda havia doído muito. Portanto, Colton não sabia do ocorrido pois nem era nascido.


É aí que o mistério começa a aumentar.


Depois desses dois momentos, que chegaram a abalar as concepções religiosas da família, Colton contou outros detalhes intrigantes sobre a viagem que ele descreve como uma ida ao paraíso. Disse que naquele lugar, onde tudo é mais brilhante e colorido, as pessoas vestem-se com roupas luminosas e vaporosas, não usam óculos e parecem sempre jovens, felizes e sorridentes.


Numa outra lembrança, Colton disse que esteve sentado no colo de Jesus, e este lhe dissera que ele teria a missão de levar uma mensagem de esperança ao mundo. Ao mesmo tempo Colton revelou que ao lado de Jesus estava também João Batista, que sorriu para ele e o abençoou.


Além de todas essas revelações outras não menos desconcertantes estão no livro de Colton, “Heaven is for real" (O céu é real, em tradução livre), que já virou best-seller desde novembro de 2010 quando foi lançado. Já vendeu quase dois milhões de cópias nos Estados Unidos e já há pedidos para ser traduzido em outros idiomas.


Ao divulgar suas lembranças aos pais, Colton não sabia o quanto estaria deixando-os intrigados, assim como a todas as pessoas que tomaram conhecimento do caso. A mídia logo de interessou e Colton foi alvo de reportagens em sites, jornais, revistas e na TV. Ao ser entrevistado no programa Today, da rede NBC, ele deixou os apresentadores boquiabertos com sua naturalidade ao contar detalhes de sua “viagem”.


Os jornalistas começaram a entrevista entre curiosos e incrédulos, e acabaram completamente emocionados e convencidos de que Colton estava realmente falando a verdade. Comentaram que o menino já fora ouvido por especialistas, psicólogos e médicos em geral para uma investigação mais detalhada do assunto. A conclusão foi surpreendente. Nenhum desses profissionais soube dar uma explicação científica sobre o que ocorrera com o menino.


Para deixar as pessoas ainda mais confusas, Colton contou com firmeza que viu, do alto do quarto onde estava sendo operado,  os médicos correndo de um lado para o outro para tentar salvá-lo. Dali ele conseguiu ver também o pai falando ao telefone celular no corredor do hospital, preocupado e nervoso e a mãe chorando e rezando na capela. Segundo os pais de Colton, ele não poderia saber de tudo isso ao mesmo tempo, pois ninguém os viu nessa situação naquele momento de desespero quando Colton entrara em coma.


Bem, a história e a polêmica estão lançadas. Nessa viagem ao céu o menino Colton, um pré-adolescente normal, que faz tudo o que um menino da sua idade faz regularmente, disse que trouxe na bagagem uma mensagem de Deus, principalmente àqueles que perderam seus entes queridos. Colton afirma sem pestanejar que “ O céu existe e nele as pessoas podem se reencontrar com quem se foi”.


E como seria bom a gente acreditar piamente nisso, não é mesmo?


“Heaven is for real” fez-me lembrar da história comovente do guitarrista  inglês Eric Clapton que em 1991 perdeu tragicamente o filhinho de quatro anos, que caiu de seu apartamento num andar altíssimo de um prédio em Manhattan, NY. Clapton em seu desespero de pai compôs em memória do filho a música “Tears in Heaven”, onde diz que espera vê-lo algum dia no paraíso.  Agora, quem sabe, depois das revelações de Colton não reacenda em Clapton a esperança de reencontrar o filho? Tomara...


Notícia publicada no Portal Direto da Redação, em 23 de março de 2011.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


O que surpreende a muitos nesta reportagem, já se tornou comum entre os Espíritas. Contatos com familiares desencarnados ou Espíritos Superiores, informações reveladas que ninguém tinha conhecimento para comprovar a veracidade do fenômeno, emancipações conscientes da alma, quer próximas ao corpo ou viajando até às belas paisagens espirituais, já estão catalogadas aos milhares em livros, mensagens e os mais diversos contatos mediúnicos.


Os fatos ocorridos com o menino são bem explicados pela Doutrina Espírita. Chico Xavier foi um dos maiores divulgadores e comprovadores de que a vida não acaba quando morremos e que podemos ter contatos com anjos, ou seja, Espíritos Superiores e nossos familiares que “morreram”. Por ele, pelos estudos da Doutrina Espírita e atualmente pelas experiências de quase morte, como relatado na reportagem, comprovamos a vida espiritual que flui intensamente ao nosso redor e ainda não percebemos.


Os Espíritos Superiores, em “O Livro dos Espíritos”, nos esclarecem quanto a ideia de Céu, na questão 1016: “Em que sentido se deve entender a palavra céu? Julgas que seja um lugar, como os campos Elíseos dos antigos, onde todos os bons Espíritos estão promiscuamente aglomerados, sem outra preocupação que a de gozar, pela eternidade toda, de uma felicidade passiva? Não; é o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os Espíritos gozam plenamente de suas faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias peculiares à inferioridade.” Dessa forma, observamos que os seres perfeitos não possuem um espaço delimitado, em uma localidade acanhada, mas possuem o espaço universal a percorrer. Não para ficar na ociosidade, em uma contemplação passiva, mas para irem à procura de ajudar seus irmãos atrasados em evolução.


Na reportagem observamos ainda o contato com seu avô, fato mais do que natural para aqueles que acreditam na vida futura e sabem que o amor de nossos entes queridos não acaba por que desencarnaram. Por isso, sempre que podem vêm nos observar, aconselhar e amparar. O fato curioso e que alguns podem estranhar é a presença de asas. Para explicarmos, nos utilizamos da nota encontrada no livro “O Céu e o Inferno”: “As asas dos anjos, arcanjos, serafins, que não passam de Espíritos puros, são evidentemente apenas um atributo pelos homens imaginado para dar ideia da rapidez com que se transportam, visto como a sua natureza etérea os dispensa de qualquer amparo para fender os espaços. Contudo, eles podem aparecer aos homens com tal acessório para lhes corresponderem ao pensamento, assim como os Espíritos se revestem da aparência terrestre a fim de se fazerem reconhecíveis.”


O contato com um espírito de Luz que para a criança pode ter sido interpretado como Jesus ou quem sabe com o próprio Mestre, pode ocorrer em um dos muitos fenômenos de emancipação da alma que denominamos de êxtase. “O êxtase é o estado em que a independência da alma, com relação ao corpo, se manifesta de modo mais sensível e se torna, de certa forma, palpável. No êxtase, penetra em um mundo desconhecido, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem que, todavia, lhe seja lícito ultrapassar certos limites, porque, se os transpusesse, totalmente se partiriam os laços que o prendem ao corpo.” Desta forma, o espírito temporariamente no estado criança, mas que já possui uma bagagem espiritual antiga, pode ter se emancipado ao corpo, indo ao seu encontro em esferas Superiores.


A beleza do lugar relatado, sendo um verdadeiro paraíso em suas descrições é incomparável a qualquer beleza que possuímos, já que “o mundo espiritual tem esplendores por toda parte, harmonias e sensações que os Espíritos inferiores, submetidos à influência da matéria, não entreveem se quer, e que somente são acessíveis aos Espíritos purificados.” (O céu e o Inferno, Cap. III.)


Para finalizarmos, uma reflexão que podemos fazer é o quanto nós brasileiros e espíritas temos à nossa disposição de informação sobre a realidade espiritual e por ser até certo ponto comum para nós, não a temos utilizado adequadamente para a nossa melhora íntima, divulgação e auxilio ao nosso próximo. Informações deste tipo que ainda surpreendem a muitos pelo mundo todo, fazem o diferencial na vida de qualquer um na humanidade. Busquemos meditar o que estamos fazendo com nosso melhor talento. Lembrando-nos sempre do preceito: “A quem muito foi dado, muito será cobrado.” (Lc, 12:48.)


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.