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Pai viaja de Cuiabá a Vitória e busca filha que fugiu com capixaba

4 de junho de 2012



Pai viaja de Cuiabá a Vitória e busca filha que fugiu com capixaba



A menina tem 13 anos, conheceu o rapaz na internet e fugiu para o ES. O homem está preso por suspeita de estupro e subtração de incapaz.


Amanda Monteiro e Vinícius Baptista
Do G1 ES, com informações da TV Gazeta


Após um mês de separação e mais de 2 mil quilômetros de distância, o reencontro emocionou pai e filha, no Espírito Santo, neste domingo (22). A adolescente, de 13 anos, fugiu de casa, em Cuiabá, no Mato Grosso, para viver com um rapaz de 25 anos, que ela conheceu pela internet, em Vila Velha, na Grande Vitória. Apesar da mágoa, o pai disse que perdoa a filha. Ela, por sua vez, se diz arrependida de ter fugido, mas afirma que quer continuar com o rapaz.


"Criei minha filha com muito carinho, dei muito amor para ela. Nesse momento de fraqueza dela eu vou perdoá-la. Tenho certeza que ela vai ficar do meu lado e vai saber que isso aí de nada serviu para a felicidade dela. Foi só uma aventura, que não traz alegria", afirma o pai da menina, que pediu que o nome não fosse divulgado para preservar a adolescente.


"Vou voltar com meu pai para Cuiabá. Amo meu pai, entendo o lado dele, vou respeitar as regras dele, mas também quero que ele entenda que eu quero ficar com o rapaz. Pretendo levar o relacionamento adiante. Eu o amo muito", afirma a garota.


Na tarde deste domingo, após assinar o termo recuperando a posse da filha, os dois voltaram para Cuiabá, no Mato Grosso. Antes de partir, a menina pediu notícias do rapaz e pediu para a família dele vender o notebook dela e outros objetos para pagar a fiança tentar tirá-lo da cadeia. O rapaz, de 25 anos, está preso por subtração de incapaz e estupro de vulnerável - quando a vítima tem menos de 14 anos.


"Creio que a atitude dela é precipitada e o tempo vai dizer para ela que não é isso que ela quer. Só o tempo vai dizer", comenta o pai da menina.


Ele ainda fez um alerta para os pais: "Cuidem dos seus filhos, não deixem que eles fiquem com internet ligada abertamente, vigiem o que eles fazem na internet e no telefone. É muito triste ter um filho longe, sem saber por onde anda, se está na favela, se está morto. Graças a Deus minha filha está viva".



Risco


A conselheira tutelar Liduina Portela explicou que a adolescente passou por exames e coleta de material no Departamento Médico Legal (DML), em Vitória, e foi medicada. "Ela se expôs a um risco muito grande. Confiou em alguém que não conhecia, maior de idade, que em nenhum momento usou preservativo ou qualquer método anticoncepcional. Ela corre risco de ter adquirido uma doença. Por isso passou por todos os procedimentos médicos antes de viajar de volta para casa".



Entenda o caso


A garota saiu de Mato Grosso no dia 19 dezembro do ano passado para viver com o rapaz de 25 anos que conheceu pela internet, e desde então estava sem dar notícias para a família, que a procurava. Antes de chegar em Vitória, o casal passou por São José do Rio Preto, em São Paulo, e Belo Horizonte, em Minas Gerais.


De acordo com a polícia, em janeiro, o suspeito começou a pressionar a menina a pedir R$ 1,5 mil ao pai. "Foi a partir daí que, em conversas por telefone, o pai acabou descobrindo onde a filha estava. O pai da adolescente, então, entrou em contato com o Conselho Tutelar do estado que, em conjunto com a PM, flagrou a menina morando com o jovem", afirmou o soldado Charles, da Polícia Militar.


O rapaz foi preso na manhã desta sexta-feira (20) por suspeita de estupro e subtração de incapaz. Ele e a garota foram encaminhados para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), no bairro Jucutuquara, em Vitória. Segundo o delegado Marcelo Nolasco, o rapaz vai responder pelos crimes e pode pegar de 8 a 15 anos de prisão. "Foi estupro. Mas, como foi consensual e não houve violência, a pena não deve ser máxima", disse.


Notícia publicada no Portal G1, em 22 de janeiro de 2012.



Reinaldo Monteiro Macedo* comenta


Infelizmente, este é mais um exemplo lamentável do uso criminoso da tecnologia, entre tantas outras situações similares que têm sido relatadas nas notícias.


Uma menina, de apenas 13 anos, após contactar virtualmente com um rapaz maior de idade de outro estado, sentiu-se aliciada em fugir de casa para se encontrar com ele. Foi encontrada pela polícia um mês depois e a 2.000 quilômetros de casa, estando na companhia desse rapaz, que entretanto foi acusado de estupro, com subtração de incapaz.


A impulsividade juvenil, estando associada com a natural imaturidade que os adolescentes ainda revelam para conduzirem a própria vida, expoêm-nos a perigos vários. São muitos os exemplos parecidos com este narrado na notícia, e alguns têm até desfechos mais trágicos.


É por isso fundamental uma proximidade emocional entre pais e filhos, firmada na atenção, diálogo mútuo e a conversa franca. Apenas dessa forma é que os filhos poderão desenvolver um respeito e admiração pelos pais que os levarão a tomarem em maior consideração as suas orientações.


No depoimento da conselheira tutelar Liduina Portela, ela refere que: "Ela se expôs a um risco muito grande. Confiou em alguém que não conhecia, maior de idade, que em nenhum momento usou preservativo ou qualquer método anticoncepcional. Ela corre risco de ter adquirido uma doença”. Já o pai da menor forneceu a seguinte reflexão à reportagem o seguinte: "Cuidem dos seus filhos, não deixem que eles fiquem com internet ligada abertamente, vigiem o que eles fazem na internet e no telefone. É muito triste ter um filho longe, sem saber por onde anda, se está na favela, se está morto. Graças a Deus minha filha está viva".


Como se vê, a crítica pela crítica não ajuda. Educação pelo exemplo, atenção, alertar para os perigos e consequências da vida moderna, exigir responsabilidade, passando-lhes informação e o conhecimento necessário para que possam estar mais preparados para enfrentar os desafios e tentações que os aguardam em cada esquina, essa é a receita básica.


Somente assim estaremos cumprindo nossa missão de pais, evoluindo ao mesmo tempo como seres humanos na Terra. Dividindo o que se sabe, preocupando-nos com o próximo, ajudando a quem precisa, porém fazendo essas coisas com a convicção que se está fazendo a coisa certa por ter a certeza que só a fé nos traz. Fé não é um dom divino, mas algo conquistado pelo pensamento e pela vontade em encontrar as verdades procuradas. A fé é algo que fazemos por merecer. A humanidade está fadada à evolução, mas depende apenas dela a maneira pela qual irá chegar lá.


* Reinaldo Monteiro Macedo é aposentado, administrador e analista de sistemas de formação, expositor de estudos e colaborador do Centro Espírita Nair Montez de Castro no Rio de Janeiro/RJ e de algumas outras Casas.