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Britânico paralisado ganha direito de pedir à Justiça para morrer

27 de maio de 2012



Britânico paralisado ganha direito de pedir à Justiça para morrer



O britânico Tony Nicklinson, que está completamente paralisado e se comunica apenas através de movimentos dos olhos, ganhou nesta segunda-feira o direito de pedir à Justiça o suicídio assistido.


Um derrame em 2005 deixou Nicklinson, de 58 anos, com a chamada "síndrome de encarceramento", incapaz de realizar qualquer movimento à exceção dos olhos – e incapaz de se suicidar sem ajuda.


Ele quer que a Justiça britânica dê proteção legal a algum médico que o ajude a encerrar sua vida.


O Ministério da Justiça argumenta que uma decisão favorável a Nicklinson significaria mudar as leis em relação aos assassinatos.


A decisão da Suprema Corte significa que Nicklinson poderá levar seu caso adiante e que a Justiça poderá analisar em audiência as evidências médicas em relação ao seu caso.


A "síndrome do encarceramento" deixa as pessoas com corpos paralisados, mas mantém o funcionamento do cérebro e a capacidade de raciocínio intactos.



‘Atitudes do século 20’


Após a decisão da Justiça nesta segunda-feira, a mulher de Nicklinson, Jane, leu à BBC um comunicado de seu marido.


"Estou satisfeito com o fato de que as questões relacionadas à morte assistida possam ser discutidas no tribunal. Os políticos e outros não podem reclamar de os tribunais serem fóruns de debate se os políticos continuarem a ignorar uma das mais importantes questões que a nossa sociedade enfrenta hoje", afirmou.


"Não é mais aceitável que a medicina do século 21 seja governada pelas atitudes do século 20 em relação à morte”, completou.


Nicklinson, que se comunica por meio do movimento dos olhos, com a ajuda de um quadro eletrônico ou de um computador especial, afirmou anteriormente que sua vida era "sombria, miserável, humilhante, indigna e intolerável".


Sua mulher afirmou que o marido "somente quer saber que, quando o momento chegar, ele tem uma saída".


"Se vocês soubessem o tipo de pessoa que ele era antes, saberiam que a vida assim é insuportável para ele", disse.


Ela afirmou ainda não saber quando o marido quer realmente morrer. "Suponho que seja quando ele não suportar mais", comentou.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 12 de março de 2012.



Luiz Gustavo C. Assis* comenta


“As vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa”. (Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo.)


A história do inglês Tony Nicklinson nos comove a todos. Ficar completamente paralisado, se comunicando apenas com os olhos, é algo que deve ser estranhamente doloroso e inaceitável para grande parte das pessoas. Com certeza, muitos, ao lerem esta notícia, simpatizam com a causa de Tony, imaginando, inclusive, que, se estivessem em uma situação análoga, gostariam de poder escolher a hora de morrer, isto é, gostariam de morrer quando esta situação se tornasse insuportável... Isto acontece porque as pessoas observam apenas a vida presente, não acreditam na vida futura.


Contudo, conforme nos ensina a Doutrina Espírita, todas as vicissitudes da vida, mesmo as mais difíceis, devem ser suportadas com fé, resignação e confiança na bondade divina. Lembremo-nos de que nada acontece por acaso. E, se não encontramos as causas de nossas dores nesta existência, devemos procurá-las noutra.


Deus é justo! Não nos pune de forma indevida. Recordemo-nos, também, que a vida no plano material é temporária, e pela forma que encararmos as nossas dores sairemos vitoriosos ou derrotados dessa existência. Fugir, pois o suicídio é uma fuga, nos rebelarmos contra a vontade Divina, apenas aumentará os nossos débitos, fazendo-nos ter que passar novamente pela mesma situação, futuramente. Apenas Deus pode dispor de nossas vidas e o suicídio é uma transgressão às Leis Divinas.


Reflitamos sobre o que nos diz Allan Kardec, no capítulo V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “Bem-aventurados os Aflitos”:


“Tal o sentido das palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados.” São ditosos, porque se quitam e porque, depois de se haverem quitado, estarão livres. Se, porém, o homem, ao quitar-se de um lado, endivida-se de outro, jamais poderá alcançar a sua libertação. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, porquanto nenhuma há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra. Entre essas faltas, cumpre se coloque na primeira fiada a carência de submissão à vontade de Deus. Logo, se murmurarmos nas aflições, se não as aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos, que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento. É por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma cota e a tomássemos de novo por empréstimo”.


O suicídio, estimados leitores, é uma fuga que não nos leva a nada. A primeira decepção do suicida é perceber que a morte não existe e que seus problemas apenas aumentaram. Não existe morte, apenas vida nos dois planos da vida. Somos espíritos imortais!


Lutemos para acabar com essa ideia de que a vida acaba com a morte do corpo físico. Ajudemos os nossos irmãos dando-lhes forças, orando por eles e, se possível, conscientizando-os da necessidade de enfrentar suas provas, com força, resignação e fé em Deus. Divulguemos que a vida material é apenas um minuto na eternidade. Tudo passa. Passemos a ver as nossas dores como algo efêmero e que receberemos nossas consolações na vida espiritual, se soubermos nos resignar e aceitarmos as provações.


Divulguemos o Espiritismo, pois a forma como o homem encara a vida pode suavizar ou aumentar o amargor das suas provas. Saibamos que mesmo em situações difíceis, dolorosas, o homem pode ser um exemplo para os outros. vejamos o gênio Stephen Hawking, ou a grande Hellen Keller, ou Jerônimo Mendonça, conhecido nos meios espíritas como o “Gigante Deitado”.


Assim, depende de cada um, da forma como encare sua limitação, aumentar ou suavizar as suas provas e servir de exemplo para os seus irmãos que sofrem. Sabemos da dificuldade que é estar na situação do senhor Tony Nicklinson, mas, mesmo nesta situação, o suicídio não é recomendável. Nunca o é. Portanto, oremos por ele, para que recue dessa ideia de assassinato assistido e para que tenha forças e resignação para suportar sua prova até o final determinado por Deus.


“O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. Tanto mais sofre ele, quanto mais longa se lhe afigura a duração do sofrimento. Ora, aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito, compreende-lhe a curteza e reconhece que esse penoso momento terá presto passado. A certeza de um próximo futuro mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar. Contrariamente, para aquele que apenas vê a vida corpórea, interminável lhe parece esta, e a dor o oprime com todo o seu peso”. (Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, “Bem-aventurados os Aflitos”.)


Sugestão de Leitura: O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, “Bem-aventurados os Aflitos”.


* Luiz Gustavo C. Assis é psicólogo, trabalhador do Centro Espírita Maranhense, em São Luís do Maranhão, e da equipe do Espiritismo.net.