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Nobel da Paz defende lei da Libéria que criminaliza homossexualidade

25 de maio de 2012



Nobel da Paz defende lei da Libéria que criminaliza homossexualidade



Ao longo dos anos, o Comitê Norueguês do Nobel já recebeu diversas críticas por conta de suas escolhas para o prêmio Nobel da Paz, cujo objetivo é celebrar as ações daqueles que tomaram atitudes para promover a paz no mundo. Neste ano, ao dividir o prêmio entre as ativistas Leymah Gbowee e Tawakul Karman e a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, o comitê saiu ileso diante dos críticos. Até esta segunda-feira.


Nesta segunda, o jornal britânico The Guardian publicou uma entrevista conjunta com o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair e com Sirleaf, reeleita para a presidência da Libéria em novembro de 2011, e o resultado foi bombástico. Na frente de Blair, que se notabilizou, entre outras coisas, por comandar um governo que defendia os direitos dos homossexuais, Sirleaf defendeu as leis da Libéria que consideram crime passível de prisão de um ano a “sodomia voluntária” e se esquivou até mesmo de pronunciar a palavra “homossexualidade”.


“Eu já tomei uma posição sobre isso… não vamos assinar tal lei.” “Eu não vou assinar nenhuma lei que tenha a ver… com essa área. Absolutamente nenhuma. Nós gostamos de nós da maneira que somos” (…) “Temos alguns valores tradicionais em nossa sociedade que gostaríamos de preservar”.


Questionado sobre as respostas de Sirleaf, Blair, que está na Libéria como fundador da organização Africa Governance Initiative (AGI), disse que o foco de sua instituição era a infra-estrutura e a geração de empregos na Libéria e que não ia comentar a posição de Sirleaf sobre este assunto. A jornalista pressionou Blair para obter uma resposta, mas foi interrompida por Sirleaf, que se mostrou irritada.


Blair se recusou a dar qualquer conselho sobre reformas para os direitos dos gays. Ele soltou uma risada abafada depois que Sirleaf o interrompeu para deixar claro que Blair e sua equipe só poderiam fazer aquilo que ela disse que eles poderiam. “A AGI Libéria tem termos de referência específicos. Eles cumprem suas funções nesses termos de referência. É só isso que pedimos deles”, disse ela, cruzando os braços e encostando na cadeira.


Matéria publicada na Revista Época, em 19 de março de 2012.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Não sabemos quais são os critérios de escolha do Prêmio Nobel. Independente de como fazem, é importante que considerem por inteiro a forma que as pessoas indicadas pensam, no que acreditam, se têm uma visão mundial, sem preconceito de qualquer natureza. Em um prêmio desta natureza, elas não representam apenas uma nação ou uma comunidade, mas um tipo de modelo para o mundo.


A premiação não deveria ser dada para alguém que delimite o bem para um grupo, deixando excluído outro por qualquer motivo que seja. Precisamos, cada vez mais, de modelos de pessoas que tenham uma visão nos moldes de Jesus, com o coração e ações trabalhando juntos, tendo por base o respeito e a fraternidade universal. Utilizemos o exemplo dado por nossa irmã e meditemos que, independente do tamanho e quantidade de nossas caridades ou benevolências, nosso trabalho não estará completo se não nos reformularmos interiormente. Nossas ideias, preconceitos e atitudes devem ser trabalhados e melhorados para que realmente tenhamos um crescimento espiritual real.


Já tivemos muitos exemplos na história que utilizaram seus preconceitos para justificarem suas atrocidades; não precisamos de mais um. Os homossexuais de todo o mundo já possuem dificuldades suficientes em combater, como o preconceito, a violência, as brincadeiras de mau gosto e desrespeito de toda a natureza. Aprendamos com o bom senso de Chico Xavier: “Não vejo pessoalmente qualquer motivo para críticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais às tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impedirá certo número de pessoas de trabalharem e de serem úteis à vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria (...)” (Jornal Folha Espírita, do mês de março de 1984.)


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.