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Casal pega oito anos de prisão nos EUA após morte de filho por câncer

3 de maio de 2012



Casal pega oito anos de prisão nos EUA após morte de filho por câncer



Os pais de uma criança de oito anos que morreu vítima de um tipo altamente curável de câncer foram condenados nessa quinta-feira a oito anos de prisão por um tribunal do Estado americano de Ohio.


Monica Hussing, 37 anos, e William Robinson, 40 anos, moradores de Cleveland, já haviam se declarado, em janeiro, culpados da acusação de homicídio involuntário pela morte de seu filho, William Robinson, Jr., conhecido como Willie, ocorrida em março de 2008.


A criança foi vítima de pneumonia causada por linfoma de Hodgkin, um tipo altamente curável de câncer que atinge o sistema linfático.


A promotoria alega que o menino morreu porque seus pais não providenciaram os cuidados médicos necessários. Segundo a polícia e o Instituto Médico Legal do condado de Cuyahoga, Willie teria sobrevivido se tivesse recebido tratamento.



Tratamento contra pulgas


No júri, os pais alegaram que não tinham dinheiro para pagar pelo tratamento. Eles dizem não ter dado assistência médica a nenhum de seus seis filhos nos três anos anteriores à morte de Willie.


Apesar disso, a promotoria afirma que o casal teve dinheiro para pagar pelo tratamento contra pulgas de seu cão pitbull, na mesma época em que seu filho estava doente. Hussing alega que seus pais pagaram pelo veterinário.


Assistentes sociais começaram a visitar mensalmente a família de Willie a partir de julho de 2007, quando ela morava na cidade de Warren. Profissionais que trabalharam no caso dizem ter tentando convencer os pais do menino a levá-lo a um médico, mas as tentativas, segundo eles, foram em vão.


No entanto, segundo o advogado do casal, um assistente social que visitou a família em janeiro de 2008 disse que todas as crianças pareciam "felizes e saudáveis".



Drogas e álcool


Hussing e Robinson foram indiciados em 2009, e estavam em liberdade sob fiança desde então. Eles não têm a custódia de nenhum de seus filhos.


O juiz do caso afirma que, enquanto o pai de Willie demonstrou algum remorso durante o julgamento, a mãe não derramou uma lágrima sequer.


"O tribunal acha que os acusados demonstraram um padrão de abuso de drogas ou álcool que é relacionado à acusação", afirmou o juiz Michael Astrab, segundo a rede de TV Fox 8 Cleveland.


Os pais de Willie foram levados para a prisão imediatamente depois do fim do julgamento. Eles planejam recorrer da sentença.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 17 de fevereiro de 2012.



Breno Henrique de Sousa* comenta


A família é a célula do tecido social. As constantes notícias de desajustes familiares nos levam a pensar sobre a saúde moral e espiritual de nossa sociedade. A Terra passa por momentos difíceis de transição e é preciso esforçar-se para manter a harmonia do núcleo familiar. Uma família estruturada é suporte seguro para confrontar-se com as turbulências do mundo.


As drogas têm o poder de esfacelar famílias porque desconectam o indivíduo da realidade, fazem-no perder a sensibilidade emocional e fixar a sua mente apenas na satisfação de seu vício, perdendo a noção da responsabilidade de seus atos. É uma forma de alienação que entorpece a consciência.


O que temos aqui senão mais um triste exemplo de uma família esfacelada pelas drogas? Mas, nesse caso, por que os pais se importaram com o cão e deixaram o próprio filho padecer de uma enfermidade curável? Isso demonstra que talvez eles não se encontrassem em um estado absoluto de alienação, afinal, eles foram alertados várias vezes e negaram o tratamento ao filho. Tinham consciência de que o filho estava doente e ambos se recusaram a oferecer os cuidados médicos.


Quem sabe não se escondem, por detrás desta trágica história, inimizades do passado, vítimas e algozes que renasceram juntos no mesmo núcleo familiar com o objetivo da reconciliação, mas que fracassaram em seus propósitos? A família é também uma oportunidade sagrada de reavermos os entes queridos do passado, às vezes, separados por desavenças, feridos em seus corações, amargurados ou traídos. Quem sabe, se esta família dispusesse de diretrizes edificantes, auxílio psicológico, apoio religioso, houvessem superado a prova e aquele filho que lhes foi confiado, estaria vivo na companhia de seus pais?


O sofrimento nessa situação é inevitável. Mesmo a mãe que se parece alienada e distante, um dia acordará para gravidade de seus atos. Quem sabe sofrerá com o sentimento de culpa paralisante? Não sabemos, mas todos teremos de prestar contas por nossos atos. Ao invés de nos revoltarmos contra essas almas que faliram em sua missão de pais, oremos para que a misericórdia divina ilumine os seus corações e para que o espírito do filho desencarnado possa ter a grandeza de perdoar aqueles que foram seus pais aqui na Terra.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.