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Holanda terá unidade móvel para eutanásia em domicílio

1º de maio de 2012



Holanda terá unidade móvel para eutanásia em domicílio



CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO


A Holanda lança no próximo mês a primeira unidade móvel do mundo que fará eutanásia em domicílio.


A equipe vai atuar quando a família ou os médicos se recusarem, por motivos éticos, a dar drogas letais a pacientes incuráveis que desejam morrer. A eutanásia é legalizada na Holanda desde 2002. A pessoa tem permissão para fazê-la se o sofrimento for "duradouro e insuportável".


Por ano, o país realiza 2.700 eutanásias, segundo a Associação Direito de Morrer. A estimativa é que, com a unidade móvel, ao menos mais mil sejam feitas anualmente.


A ideia é que as unidades (serão seis) também atendam pessoas com demências.


A Federação dos Médicos Holandeses é contrária à iniciativa porque acredita que alguns pacientes poderiam ser tratados. "Sempre há possibilidade de um outro tipo de ajuda", afirmou um porta-voz da entidade.


Cada unidade móvel de eutanásia terá um médico e uma enfermeira. O doente é sedado e entra em coma. Depois, é aplicada outra droga que provoca a parada cardiorrespiratória e morte.


A iniciativa, apoiada pelo governo holandês, já provoca polêmica em outros países. Na Grã-Bretanha, Phyllis Bowman, do grupo Direito à Vida, disse estar "absolutamente chocado".


"É uma verdadeira tragédia quando você considera que na Segunda Guerra Mundial o holandês se recusou a implementar o programa de eutanásia nazista."


No ano passado, a ministra da Saúde da Holanda, Edith Schippers, disse ao parlamento holandês que as unidades são "para pacientes que sofrem insuportavelmente sem nenhuma perspectiva de melhora", mas cujos médicos não estão dispostos a fazer eutanásia.


Notícia publicada na Folha.com, em 17 de fevereiro de 2012.



Claudia Cardamone* comenta


Esta notícia é muito clara quanto à intenção daquele que deseja a eutanásia: “para pacientes que sofrem insuportavelmente sem nenhuma perspectiva de melhora”. Isto quer dizer, claramente, que o indivíduo não quer morrer, apenas quer parar com o seu sofrimento. E é esta, muitas vezes, a função da medicina: tornar nossa existência, quando numa prova muito difícil, suportável.


Seja por qual motivo for, matar um corpo humano é um crime contra as leis divinas. Alguns podem parecer justificáveis, mas não o são quando compreendemos a vida de uma forma mais ampla.


É louvável dar aos cidadãos holandeses o direito de exercerem o seu livre-arbítrio, mas terão eles conhecimento necessário para isto? As nossas escolhas sempre são morais, que é a ação de uma ética, e esta é construída com nossa inteligência e nossos valores. É por isso que a questão fundamental é saber se é ética a prática da eutanásia.


Não é simplesmente uma questão de ser a favor ou contra, mas de saber se temos maturidade suficiente para compreender eticamente a eutanásia.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.