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Catadora de lixo vive primeiro dia de aula na Universidade Federal do ES

11 de abril de 2012



Catadora de lixo vive primeiro dia de aula na Universidade Federal do ES



Ercília Stanciany, de 41 anos, estudava com livros achados no lixo. Ela teve o seu primeiro dia no curso de Artes Plásticas na Ufes, em Vitória.


Leandro Nossa
Do G1 ES


Uma nova jornada começou a ser trilhada pela catadora de materiais recicláveis, Ercília Stanciany, de 41 anos, nesta segunda-feira (5). Ela teve o seu primeiro dia de aula no curso de Artes Plásticas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), após ter sido aprovada estudando com livros que encontrava no lixo. A catadora disse que viveu um misto de emoções tão grande, que não conseguiu explicar o que sentiu quando chegou ao campus da Ufes, em Goiabeiras, na capital do estado, para estudar. Só que em vez de aulas, o primeiro dia foi marcado por confraternização e muitas brincadeiras.


"É uma emoção inexplicável, parecia que meu coração ia explodir quando cheguei na Ufes. Realizei meu sonho de infância. Fui para meu primeiro dia de aula e fui pintada pelos meus veteranos no trote, estou cheia de tinta, teve muitas brincadeiras, mas valeu à pena. Agora preciso tomar um banho reforçado para tirar essa tinta toda", disse aos risos, Ercília.


Ela conta que mesmo na universidade, vai continuar com os serviços de catadora para auxiliar a renda mensal da família. "No que eu puder ajudar meu esposo, eu vou ajudar. E tenho que ajudar porque vou ter que pagar materiais de estudo e o transporte de casa até a Ufes", conta a catadora, que mora na Serra, Grande Vitória. Mas o marido dela, Everaldo Mozer, de 47 anos, quer que ela foque nos estudos. "Sempre foi o sonho dela estudar, se formar. Sempre apoiei e agora que ela conseguiu quero que ela siga em frente com os estudos", afirma.



Reconhecimento na Ufes


Logo que chegou na universidade na manhã desta segunda-feira (5), Ercília disse que foi reconhecida pelos colegas de sala e por demais estudantes. "Todos me receberam muito bem, bateram palmas para mim e me cumprimentaram. Não entendi direito, mas todo mundo já me conhecia por causa da história que saiu na mídia. Eu não quero ser o xodó dos meus colegas de turma, mas quero fazer parte da história deles, porque eles com certeza vão fazer parte da minha", diz.



Relação com as artes


Vivendo boa parte da vida como catadora de lixo, Ercília lembra que sempre foi fascinada pelo mundo das artes. Ela sempre quis ter uma caixa de lápis de cor, mas só teve a primeira aos 19 anos. "Sempre adorei cores, desenhos e artes. Queria ter uma caixa de lápis de cor quando criança, mas só tive quando ganhei de uma moça, e eu já tinha 19 anos. Sempre quis os lápis, mas não tive coragem de usar, a caixa está guardada comigo até hoje e vai para o meu museu", recorda.


Apaixonada por livros, ela agora vai ter que se adaptar a estudar artes também por outro meio, o computador. "Estou juntando dinheiro para comprar um computador. Sempre estudei pelos livros achados no lixo, mas na faculdade já me falaram que eu preciso de computador e internet para muita coisa, então vou ter que dar um jeito, mas vai dar tudo certo. Espero que eu sirva de lição para muita gente que acha que não tem condições de estudar, sempre há jeito", finaliza.


Notícia publicada no Portal G1, em 5 de março de 2012.



Sonia Maria Ferreira da Rocha* comenta


Mais uma vez nos deparamos com importantes ensinamentos da Doutrina Espírita, que nos mostra a reencarnação de um espírito já intelectualizado e que, por razões que desconhecemos, se viu envolvida no trabalho de um lixão, certamente, muito importante ao seu desenvolvimento espiritual, a oficina da humildade.


As suas aspirações artísticas são latentes no seu espírito. Provavelmente, fazem parte de aquisições do seu passado reencarnatório.


Isso demonstra o arquivo que trazemos no nosso espírito, tanto de erros como de acertos vividos. Daí, a importância da vigilância na nossa caminhada, conforme a recomendação de Jesus:


"Vigiai e orai, para não cairdes em tentação." (Mateus, 26:41.)


Vejamos o que nos orienta o espírito Joanna de Ângelis, no livro Oferenda, psicografado pelo médium Divaldo Franco:


“A colheita é intransferível. Cada um dispõe da liberdade para semear onde, quando e como melhor lhe aprouver.


Ninguém, porém, se eximirá a fazer a viagem de volta, recolhendo.


Responsáveis pelos próprios feitos, estes fazem-se senhores austeros e graves, cobradores às vezes odientos e perversos, ou benfeitores amoráveis.


Por esta razão, a vida é oportunidade que se sucede, uma após outra, favorecendo reparação.


A cada instante podes modificar inteiramente o destino, graças à utilização boa ou má do ensejo que se te apresente em permanente convite.


Responsáveis pelos próprios feitos, estes fazem-se senhores austeros e graves, cobradores às vezes odientos e perversos, ou benfeitores amoráveis.


Por esta razão, a vida é oportunidade que se sucede, uma após outra, favorecendo reparação.


A cada instante podes modificar inteiramente o destino, graças à utilização boa ou má do ensejo que se te apresente em permanente convite.”


Essa irmã aproveitou a oportunidade oferecida por Deus para sua evolução, confiou e modificou seu destino, usando o seu livre-arbítrio para melhorar a sua caminhada nesta encarnação.


É, sem dúvida, um exemplo para todos nós que ainda estamos no caminho. Seguir, com fé e confiança, as possibilidades que temos ao nosso alcance de entender que a Lei Divina é aquela que nos levará, sempre, em direção ao Pai, que, na sua infinita misericórdia, nos protege, nos orienta, e oferece uma plêiade de espíritos que nos indica o caminho de amor e paz, o caminho que Jesus, nosso amado Mestre, veio nos indicar para a nossa verdadeira felicidade.


* Sonia Maria Ferreira da Rocha reside em Angra dos Reis, RJ, estuda o Espiritismo há mais de 30 anos e é colaboradora regular do Espiritismo.net.