Espiritismo .NET

Mãe que defendia parto residencial morre após dar à luz filha em casa

22 de março de 2012



Mãe que defendia parto residencial morre após dar à luz filha em casa



Bebê nasceu com saúde, mas a australiana Caroline Lovell não resistiu. Mulher de 36 anos acreditava na vantagem de poder conhecer a parteira.


Do G1, em São Paulo
 
Uma mãe que era defensora dos partos feitos em casa morreu após o nascimento de Zahra, sua segunda filha, em Melbourne, na Austrália. Caroline Lovell tinha 36 anos e estava na companhia de parteiras. Paramédicos chegaram a fazer o socorro, mas não foi o suficiente para salvar a vida da mãe. As informações são do jornal britânico "Daily Mail".


Durante a vida, Caroline lutava pelas parteiras e procurou garantir financiamento e indenizações a elas junto ao governo australiano. Para um grupo que representa as parteiras em Melbourne, a morte de Caroline foi um choque, mas um caso raro e que não invalida o parto feito em casa, sem o auxílio da estrutura de uma maternidade ou hospital.


Uma investigação sobre a morte de Caroline será conduzida na cidade. Pouco antes da morte, ela havia afirmado que chegaria a fazer um parto sem nenhuma assistência caso as parteiras não recebessem proteção legal. A australiana acreditava em partos residenciais pela vantagem de poder conhecer melhor a parteira que irá tirar o bebê de dentro do ventre.


Uma ambulância ainda a levou para o Hospital Austin, em Melbourne, mas Caroline morreu no dia seguinte à internação.


Notícia publicada no Portal G1, em 1º de fevereiro de 2012.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


A primeira coisa que vem à nossa cabeça quando lemos a reportagem é: "Mas que ironia do destino". Depois, analisando o caso e as observações feitas no texto, concluímos que devemos tomar cuidado com nossos posicionamentos extremistas. Quantas vezes, para provarmos nossas teses ou opiniões, agimos de forma equivocada para convencer os outros, mesmo que para isso nos prejudiquemos.


Sabermos quem está certo, no caso da reportagem, provavelmente não saberemos, e não é este o nosso propósito, pois, para opinarmos sobre algum assunto, necessitaríamos nos aprofundar e analisar. Como Allan Kardec mencionou em O que é o Espiritismo: “Equivale a dizer que a estudastes sob todas as suas faces; que vistes tudo o que se pode ver, lestes tudo o que sobre a matéria se tem escrito, analisastes e comparastes as diversas opiniões; que vos achastes nas melhores condições de observação pessoal; que durante anos lhe consagrastes vigílias; em suma: que nada desprezastes para chegar à verdade. Devo crer que tal se deu, se sois um homem sério, porque somente aquele que fez tudo isso pode dizer que fala com conhecimento de causa. É de lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o que, sua opinião não tem valor”. Para falamos sobre o assunto em questão necessitaríamos estudar o fato, ver os costumes da sociedade daquele país e muitos outros aspectos que apenas a leitura superficial da reportagem não nos dá material para tanto.


Como sabemos que a morte é a única fatalidade real de nossas vidas, fica a pergunta em nossas mentes: "Era o momento dela desencarnar?" Para qualquer entendimento que tentamos ter, é sensato procurarmos na resposta dos Espíritos a Allan Kardec, na questão 258a, de O Livro dos Espíritos: “Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus quem estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Ide agora perguntar por que decretou Ele esta lei e não aquela. Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das consequências que estes tiverem. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal. Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação de que nem tudo se lhe acabou e que a bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi mal feito.”


Dessa forma, sem dúvida havia chegado seu momento de desencarne, do contrário a Espiritualidade Maior utilizaria meios de fazê-la escapar. No entanto, mesmo que o desencarne programado antes da reencarnação fosse em outro momento, e se ocorreu antes, há uma razão justa para auxiliar na evolução espiritual da grávida, de seus familiares, amigos e porque não da sociedade. Muitos da humanidade abreviam seu tempo de vida devido a desregramentos de ordem física ou moral, os quais consomem todos os fluidos vitais que deveriam durar por mais tempo. Ou ainda, por métodos dos mais variados em arriscar a vida ou por abreviação da existência corpórea por imposição da Misericórdia Divina, com o objetivo da pessoa não aumentar seus débitos.


Momento certo de partir ou hora abreviada? Não sabemos. Certeza só se tivéssemos contato mediúnico sobre o caso. Seja qual for o motivo de seu desencarne, o ensinamento que podemos tirar é que a Educação Divina deixa total liberdade para qualquer de seus filhos pensarem e agirem como bem quiser, mas possui uma Lei Natural perfeita com Ação e Reação, onde o excesso de qualquer natureza poderá ter como consequência dor, sofrimento, angústia ou até mesmo a morte.


Utilizemos o exemplo em questão para assumimos nossos ideais de vida, fazendo o melhor que pudermos em todas as nossas atividades, mas tomemos cuidados para não exceder o limite entre o ideal e o fanatismo, pois sempre é válido o aviso de um Espírito Protetor, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capitulo XI: “A história da cristandade fala de mártires que se encaminhavam alegres para o suplício. Hoje, na vossa sociedade, para serdes cristãos, não se vos faz mister nem o holocausto do martírio, nem o sacrifício da vida, mas única e exclusivamente o sacrifício do vosso egoísmo, do vosso orgulho e da vossa vaidade. Triunfareis, se a caridade vos inspirar e vos sustentar a fé.”


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.