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Sem fundos para continuar processo, ex-paquita segue longe do filho

18 de março de 2012



Sem fundos para continuar processo, ex-paquita segue longe do filho


Diagnosticada com esclerose múltipla, Louise Wischermann cria blog e programa de TV para encarar a doença.


Bárbara Duffles
do EGO, no Rio


O drama da ex-paquita Louise Wischermann, que luta para ter a guarda do filho, Oliver, de cinco anos, ainda está longe de chegar ao fim. Sem recursos, ela precisou suspender o processo, que corre na Justiça canadense. “Gastei todos os meus fundos com o processo e advogados, tanto no Canadá como no Brasil. Mas em junho pretendo retomá-lo”, conta Louise, conhecida em seus tempos de paquita como Pituxa.


Tudo começou quando Louise, que morou fora por 18 anos após trabalhos como atriz na Europa, Japão e Canadá, precisou voltar para o Brasil no final de 2010, para se tratar da esclerose múltipla, doença degenerativa que afeta a coordenação motora. Mas Oliver, fruto do casamento desfeito com um canadense, não veio com ela, já que, segundo a Convenção de Haia, uma criança não pode sair do país onde vive sem autorização dos dois pais. Desde então, Louise vem tentando obter a guarda da criança.


“Estou sempre indo para o Canadá. O Oliver vem passar férias aqui no Brasil. Nos vemos a cada seis semanas”, diz a loira, com uma ponta de tristeza na voz. Mas Louise logo se anima quando lembra as peripécias do filho em sua última vinda ao Rio, no fim de 2011. “Ele passeou e brincou muito com os primos. Fizemos vários passeios, fomos à praia. Ele praticou até stand up paddle (esporte onde a pessoa se equilibra na prancha usando um remo), uma gracinha”.



Menino é fã de Michel Teló


Oliver, que nasceu no Brasil sem apoio algum do ex-marido, ainda não fala fluentemente português, mas já entende tudo da língua materna. Louise conta que este ano, ele terá aulas de português uma vez por semana no Canadá. Segundo a atriz, o menino é apaixonado pelo Brasil.


“Foi tão bonitinho, outro dia o Oliver me ligou e pediu: ‘Mamãe, me manda a música ‘Ai, se eu te pego’?”, conta ela, imitando o sotaque estrangeiro do filho. “Depois, ele apareceu na internet tomando banho de banheira, com o cabelo igual ao do Neymar e cantando a música do Michel Teló”, diverte-se.


Apesar de não ver o filho sempre que pode, Louise está esperançosa de que o drama vai chegar ao fim. “O relacionamento com meu ex-marido está começando a melhorar”, conta ela, que atualmente namora o fotógrafo Felipe Monsanto.



Blog e programa de TV para enfrentar a doença


Outra luta enfrentada pela ex-paquita é a esclerose múltipla, descoberta em 2005. O começo, segundo ela, foi difícil. “Chorei muito. Não achava respostas para as minhas dúvidas”. Uma das formas encontradas por Louise para encarar o problema foi a criação do blog “Por que não eu?”. “As pessoas sempre se perguntam: ‘por que logo eu?’ quando algo ruim acontece com elas. Mas ninguém é melhor ou pior do que ninguém que não possa ter problemas”.


Hoje, prestes a completar 38 anos, Louise foca seu tratamento na alimentação, optando por uma dieta mais natural. “Faço uma dieta ayurvédica, sem glúten, com muitas frutas, legumes, verduras. Tudo acompanhado por médicos”, conta ela, que faz massagens terapêuticas regularmente e usa óculos de prisma que, segundo Louise, ajudam a manter o equilíbrio motor.


Outro projeto de Louise, este ainda em fase de implementação, é um programa de TV sobre pessoas que sofrem de alguma limitação, física ou mental. “Quero ser uma porta-voz dessas pessoas, quero mostrar que descobrir uma limitação pode ser um recomeço, e não um fim. A vida não acabou”, diz a atriz.


Notícia publicada no Portal Ego, em 22 de janeiro de 2012.



Carlos Miguel Pereira* comenta


O aumento drástico do número de divórcios no mundo, normalmente associado à revolução ideológica que se seguiu à decadência do sistema patriarcal, não pode mesmo assim ser considerado um indicador de progresso. A família, menor célula da nossa sociedade, está em crise, desestabilizada não apenas pela intensidade e exigência do modo de vida moderno, mas também pelas sucessivas rupturas e modificações das suas estruturas fundamentais e que originam feridas emocionais profundas com significativos impactos sociais. O aumento do número de divórcios é, talvez, a face mais visível da crise que existe na família.


A Doutrina Espírita não possui um posicionamento absoluto contra ou a favor do divórcio. O Espiritismo é uma proposta pedagógica que não impõe comportamentos nem exige o cumprimento escrupuloso de determinadas regras de conduta. O seu objetivo fundamental é esclarecer e educar, ajudando as pessoas a ampliar a sua compreensão sobre os mistérios da vida, potenciando as suas habilidades para ultrapassarem as limitações próprias do seu nível evolutivo, para que usufruam de uma vida mais feliz. No século XIX, em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec perguntou aos Espíritos se a indissolubilidade absoluta do casamento seria uma lei humana ou natural. A resposta é suficientemente clara: “É uma lei humana, muito contrária à lei natural.” Não existem dúvidas de que o direito ao divórcio é uma conquista social. É um mecanismo de livre escolha para todos os que, mergulhados num casamento opressor que obsta à sua felicidade, ao desenvolvimento próprio e à sua liberdade, desejam colocar-lhe um termo: “Acreditais que Deus vos obriga a viver com aqueles que vos desagradam?” – Questão 940 de O Livro dos Espíritos.


O núcleo do problema não se encontra no divórcio, mas na visão estreita que prevalece na sociedade sobre os relacionamentos afetivos e que estão na origem de muitas decisões precipitadas e constantes abusos. Quando juntamos ignorância e liberdade, é normal que os equívocos proliferem. Ao decidirem aceitar a responsabilidade de se casarem, um significativo número de pessoas estão mais preocupadas com as vantagens que podem usufruir desse relacionamento do que com aquilo que vão colocar de si próprios nessa união. Assim, os casamentos transformam-se em meros veículos de satisfação dos desejos individuais, palcos de acusações e exigências mútuas, frágeis castelos de areia, incapazes de se igualarem às expectativas criadas, e onde se procura desesperadamente exigir do outro aquilo que não possuímos, que não somos e que não temos. São relacionamentos que caminham naturalmente para o precipício, criando tensões e conflitos, em que o individualismo prevalece e em que o casal divide tudo, mas não partilha nada a não ser o espaço físico onde vive. Não havendo uma comunhão física, emocional e espiritual, para que servirá um casamento, senão apenas para perpetuar os genes e produzir durante algum tempo uma certa satisfação psicológica, social e sexual?


É urgente uma visão mais transcendente das uniões conjugais. Partilhamos a vida com alguém não apenas porque amamos essa pessoa, mas porque queremos aprender a amá-la ainda melhor. Só é viável partilhar a vida com alguém havendo uma comunhão de sentimentos, de amparo mútuo e responsabilidades repartidas, em que exista um desejo firme de ambos colocarem o seu melhor, tanto na realização dos objetivos individuais como dos coletivos. O próprio processo de construção do amor numa união conjugal ajuda-nos à revelação de nós mesmos. O nosso companheiro é o espelho mais limpo que pode existir para nos ajudar a compreender a verdadeira face daquilo que somos. Através da vivência diária, o casal impele-se mutuamente à confrontação própria, à auto-descoberta e à análise crítica de si mesmo, em comparação com a pessoa que julgavam que eram. Em algumas situações, estes conflitos são mal-entendidos:


“Divorciei-me porque queria acabar com a infelicidade, a rotina angustiante e os conflitos que me desgastavam as forças físicas e mentais, mas essas perturbações parece que não me largam, por quê?” Porque não conseguimos fugir nem nos divorciar de nós mesmos e é sempre mais fácil culpar os outros do que aceitar as próprias fraquezas. Renunciando sistematicamente às oportunidades que a vida nos proporciona para mudar, sofremos o efeito dos mesmos equívocos vezes sem conta.


Mais do que um problema social, o aumento drástico do número de divórcios é uma evidência das fragilidades humanas ao nível do relacionamento afetivo e da sua desorientação na procura da felicidade. As uniões conjugais não são constrangimentos sociais, instrumentos de maceração, nem servem para pagar dívidas espirituais de ninguém. Elas têm como objetivo a harmonização dos Espíritos através do exercício do amor, da vontade de estarem junto, aprenderem um com o outro e compartilharem momentos preciosos da sua vida imortal.


Urge compreender as imensas oportunidades que essa experiência proporciona.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.