Espiritismo .NET

Em 2011, desastres naturais no mundo geraram quase 30 mil mortos

16 de março de 2012



Em 2011, desastres naturais no mundo geraram quase 30 mil mortos



Brasil entra na conta com 900 óbitos causados por inundações e deslizamentos


Agência Brasil


O ano passado foi marcado por 302 desastres naturais, que mataram 29.782 pessoas no mundo, mas principalmente na Ásia. O Brasil não está fora das estatísticas registrando 900 mortes causadas pelos impactos das inundações e dos deslizamentos de terras provocados pela chuva. A estimativa é que os desastres geraram US$ 366 bilhões de prejuízos. A conclusão é do Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres (cuja sigla em inglês é UNISDR).


Pelos dados da UNISDR, com base em informações do Centro de Investigação sobre a Epidemiologia dos Desastres (Cred), a maior parte das mortes foi provocada pelos efeitos dos terremotos. Pelo menos 20.943 pessoas morreram devido às consequências dos tremores de terra. Do total de mortos, 19.846 ocorreram no Japão.


Porém, 2011 também registrou inundações no Brasil, terremotos na Nova Zelândia e tsunami no Japão. Além disso, houve tempestades acompanhadas por tornados nos Estados Unidos, o furacão Irene também em território norte-americano e alagamentos na Tailândia, tremores de terra na Turquia e tempestades nas Filipinas.


A UNISDR informou ainda que a elevação das temperaturas também causou problemas, pois 231 pessoas morreram em consequência da mudança climática. No entanto, o alerta da organização é que por dois anos consecutivos – ou seja, para 2012 e 2013 - a tendência é de ocorrerem grandes terremotos, assim como foi observado em 2011 e 2010.


A chefe da UNISDR, Margareta Wahlström, lembrou que mais de 220 mil pessoas morreram no Haiti, em janeiro de 2010, em consequência do terremoto registrado no país. O fenômeno, ressaltou ela, não ocorria na região há 200 anos. “A menos que nós nos preparemos para o pior, o mundo estará destinado a ver perdas ainda maiores de vida no futuro”, disse.


O diretor do Cred, Debby Guha-Sapir, acrescentou que os desastres naturais ocorrem em regiões em desenvolvimento e ricas. Para ele, a seca na chamada região do Chifre da África é considerada um fenômeno gravíssimo por provocar mortes em massa e gerar falta de perspectivas para as populações de vários países.


Matéria publicada na Revista ISTOÉ, em 19 de janeiro de 2012.



Breno Henrique de Sousa* comenta


Desencarnações coletivas


Apesar de sabermos que cataclismos fazem parte da rotina geológica do planeta, é certo também, segundo alguns cientistas, que os últimos anos concentraram grande quantidade desses fenômenos, independentemente do número de vítimas.


O fato de tantas pessoas morrerem no ano de 2011, revelando números impressionantes, se deve também ao fato de que com o aumento da população mundial, aumenta também o número de pessoas susceptíveis de serem atingidas por terremotos, tsunamis, etc. Isso fica claro, por exemplo, no Rio de Janeiro, que nas últimas décadas teve um vertiginoso aumento de pessoas vivendo em áreas de risco.


O Espiritismo não desconsidera esses fatores naturais, bem humanos, conhecidos pela geologia e pela geografia. A questão é saber se aquelas pessoas estavam ali por acaso ou se estavam pré-destinadas a morrer naqueles acidentes. Para lançar um pouco de luz sobre a questão, devemos nos lembrar que estamos em um mundo de provas e expiações e que o fato de nascermos aqui significa que, no nosso nível evolutivo, este é o mundo que nos cabe, com tudo o que há de bom e de ruim. Quando encarnamos na Terra, estamos sujeitos, por isso mesmo, às condições de vida da Terra, sem privilégios especiais, apenas as diferenças individuais, conforme as escolhas de cada um.


É verdade que muitas pessoas têm pré-definido um gênero de morte, mas isso pode ser alterado conforme a vida que leve. Deus pode, perfeitamente, abreviar ou prolongar uma vida, de acordo com a Sua Justiça. Quantos não são salvos milagrosamente de um tsunami ou queda de avião? Por que uns têm esse privilégio, quando uma maioria sucumbe? Quando Deus julga que não é a hora de deixar a existência física, não importa o que ocorra, nada acontece sem a permissão divina, e quem não deve morrer não morre. Até mesmo alguns que tentaram o suicídio não tiveram sucesso em sua tentativa, porque a misericórdia divina estabeleceu que não era o momento.


E o que faz com que para uns seja o momento de partir e para outros não? Essa questão só pode ser respondida no âmbito geral, porque não temos como saber a situação individual de cada ser humano, nem muito menos de sondar os desígnios divinos. Mas é importante desconstruir a ideia de que a morte é um castigo para os maus e a vida o prêmio para os bons. A morte, não raras vezes, é a libertação para o espírito encarcerado no corpo, o retorno à pátria espiritual, isso para aqueles que possuem a consciência tranquila. Mas para aqueles outros que se encontram culpados, a morte física os lança em outro patamar de sofrimentos, ampliando os tormentos gerados aqui na Terra.


Através das mortes coletivas, Deus utiliza a destruição como ferramenta de renovação e de impulso ao progresso. O Japão é um bom exemplo de renovação e progresso tecnológico diante das antigas e recentes catástrofes que sofreu este país.


Devemos buscar os meios de avançar para preservar mais vidas. Mas quando tudo o que pudermos fazer for feito e mesmo assim alguém partir deste mundo, saibamos compreender que a vida é muito mais que a vida física, e olhando a existência desde lá do alto, o que é uma vida diante da eternidade e da infinitude das vidas? Sobre este tema, recomendamos a leitura de O Livro dos Espíritos, sobretudo das questões 737 a 741, que trata dos flagelos destruidores. A espiritualidade lança luz sobre o assunto nos fazendo compreender que a justiça divina paira acima de todas as coisas, até sobre aquelas aparentemente inexplicáveis.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.