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Doação anônima de US$ 200 mil é deixada em cesto de roupas na Dinamarca

17 de fevereiro de 2012



Doação anônima de US$ 200 mil é deixada em cesto de roupas na Dinamarca


Um doador anônimo deixou cerca de US$ 200 mil (R$ 312 mil) em um depósito de roupas usadas em frente a uma loja de caridade mantida pela Cruz Vermelha na municipalidade de Tornved, na Dinamarca.


O dinheiro foi encontrado no cesto, embaixo de pilhas de roupas doadas, junto de uma nota que dizia: "À Cruz Vermelha norueguesa, de um anônimo. Guardei (o dinheiro) por 40 anos".


A equipe que trabalha na loja ficou agradecida, mas a polícia pediu ao doador que se identifique para que se tenha certeza de que o dinheiro não foi ligado a nenhum ato criminoso.


"Não é todo dia que aparece este tipo de dinheiro, encontrado em um saco plástico entre as roupas", diz a secretária da Cruz Vermelha em Tornved, Birgit Dam.


"(As notas) estavam em um saco de lixo branco comum, dentro de outro grande saco de lixo preto, junto de algumas roupas de boa qualidade", afirmou Birgit.


"E no saco estavam dez envelopes com um monte de dinheiro."


A funcionária da Cruz Vermelha conta que as notas estavam perfeitamente divididas, com dois elásticos em torno de cada envelope.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 21 de julho de 2011.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Não é qualquer pessoa que seria capaz de realizar a doação de 200 mil dólares para uma entidade filantrópica. Não é apenas pelo fato de poucos terem essa quantia, mas de se dispor a doá-la. Qual poderia ser a intenção ou o que gerou esta doação? Caridade sem interesse, resgate de culpa, dinheiro roubado, ou qualquer outra razão que nossa mente puder arquitetar.


Pelo que observamos, cada personagem desta história concluiu de uma forma. O policial, desconfiando de um criminoso. A senhora da Cruz vermelha, incrédula e surpresa. A equipe, com agradecimento. E ainda, cada leitor da reportagem deve ter imaginado de uma maneira. A verdade? Quem sabe?


Em todos os fatos que presenciamos, ou temos conhecimento, ocorre de forma parecida. Veremos com as nossas verdades e crenças. Os maiores e mais belos ensinamentos, ou os atos mais solidários e sem interesse, poderão ser deturpados, segundo o entendimento de quem vê. Hammed, no Livro Renovando Atitudes, nos elucida: “os frequentes julgamentos que fazemos em relação às outras pessoas nos informam sobre tudo aquilo que temos por dentro. Explicando melhor, a forma e o material utilizados para sentenciar os outros residem dentro de nós.”


Todos possuímos uma bagagem espiritual constituída pelo que trazemos de outras existências, acrescido pelo conjunto de nossas experiências pessoais na atualidade, formando a base para gerarmos nossos pontos de vistas em relação aos fatos da vida. Não que estejam certos, mas, para nós, eles são os melhores posicionamentos na conquista da felicidade ou segurança psicológica. Deles tiraremos nossas interpretações e conclusões das atitudes dos outros e dos acontecimentos que estão à nossa volta.


Eles são os pensamentos-base que geram nossas crenças e reações. Dessa forma, só conseguiremos nossa reforma íntima real quando nos aprofundarmos, identificarmos e substituirmos todas as “verdades” que nos prendem ao orgulho, egoísmo e vaidade pelas Verdades que nos libertam.


Não adiantará aprendermos que precisamos melhorar nossos impulsos sexuais, se ainda acreditamos que nosso bem-estar se localiza nos prazeres imediatos. Como conseguir serenidade, se nossa verdade está localizada nos bens perecíveis de beleza, poder, dinheiro ou aprovação dos outros? Poderemos tentar, mas sem reformulação da causa, estaremos apenas modificando a superfície.


Muitas vezes, não nos melhoramos porque não conseguimos ver nossas verdades ou crenças, pois estão defendidas por nossas proteções psicológicas, escondendo o eu verdadeiro de nós mesmos. Observarmos como estamos interpretando as ocorrências da vida nos fará identificarmos nossa realidade íntima abafada.


Sem defesa, como você avaliou a notícia, assim que leu o título ou a reportagem? Como estamos interpretando os acontecimentos de nossas vidas? Com pessimismo, depressão, medo, revolta e desconfiança, ou alegria, coragem, compreensão e esperança. A forma que estivermos observando a vida ou as pessoas de nosso convívio será o reflexo de nossa realidade íntima. Portanto, não esqueçamos o conselho de Joanna de Ângelis, no livro Libertação do Sofrimento: “A mente produz aquilo que o pensamento direciona. É necessário, portanto, pensar edificando o bem, a fim de que o bem se edifique nos teus sentimentos. (...) Pensa, portanto, de forma saudável, edificante, e receberás as altas cargas de estímulos que procedem das faixas nobres da vida, através do pensamento.”


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.