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Adolescente publica fotos no Facebook e chama a atenção de assaltantes

11 de fevereiro de 2012 




Adolescente publica fotos no Facebook e chama a atenção de assaltantes



Por Redação Yahoo! Brasil | Yahoo! Notícias


Um adolescente de 16 anos planejou um assalto à casa de outro jovem após ter acesso a fotos de viagens da família e equipamentos eletrônicos que a vítima publicava na rede social Facebook. Os dois estudavam na mesma escola. O roubo, que teve a participação de dois adultos, aconteceu em um apartamento de classe média da zona oeste de São Paulo, na noite de 29 de novembro. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.


Os adultos usaram uma chave furtada dias antes pelo jovem para entrar no apartamento. De acordo com a polícia, os assaltantes renderam quatro pessoas e levaram joias, aparelhos de telefone celular, relógios, eletroeletrônicos e R$ 370.


Na fuga, os bandidos trocaram tiros com policiais da Rota, foram baleados e morreram no hospital. O jovem alegou que foi pressionado para ajudar no crime. “Um dos elementos que contribuiu nesse crime foi o fato da vítima expor a situação econômica da família nas redes sociais. A internet é uma porta aberta para vários crimes; os pais devem ter mais vigilância com o que os filhos publicam”, comentou a delegada Fabiana de Sena, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), ao Yahoo! Brasil.


Notícia publicada no Yahoo! Notícias, em 6 de dezembro de 2011.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Será que seríamos capazes de reunir 200 pessoas num auditório e colocar em datashow fotos da nossa intimidade, distribuindo cópias à saída? Ou será que ousaríamos falar sobre a nossa vida pessoal, contando piadas na frente delas? Para a maioria das pessoas a resposta seria: "Nem doido!!!". Isso acontece porque somos demasiado tímidos para falar em público e é normal não nos sentirmos confortáveis em expor a nossa vida dessa maneira diante dos outros.


Muitos esquecem que quando postamos algo no facebook ou em qualquer outra rede social fazemos mais ou menos isso. Em algumas situações até se observam exageros maiores. Alguns argumentam que isso é uma bobagem porque só postamos para amigos ou então que não tem perigo, pois se alguém quiser fazer algo contra nós, irá fazer de qualquer maneira. Neste momento deveríamos parar e racionalizar os nossos argumentos. Alguém que tenha em média 100 a 200 amigos na sua rede social, conhece todos eles pessoalmente, convive com eles ou sabe das vontades, impulsos e tendências? Tem a certeza que pode confiar em todas as pessoas que estão na sua rede social cadastrados como seus amigos?


Se os nossos amigos mais íntimos e parentes mais próximos por vezes nos surpreendem com atitudes que não esperávamos, quais serão os comportamentos de colegas ou pessoas que mal conhecemos, e que, na ânsia de possuir mais seguidores para mostrar o quanto somos populares, juntamos ao nosso círculo de amizades virtuais.


Sendo verdade que todos estamos expostos ao perigo, devemos compreender que qualquer informação é preciosa para aqueles que desejem fazer o mal. Funciona mais ou menos como a conversa daqueles que não colocam alarme no carro porque dizem que isso não resolve nada, se quiserem roubá-lo conseguirão. Poderemos argumentar que isso é verdade, mas havendo opção entre roubar um carro com alarme e outro sem alarme será que o ladrão vai roubar o mais fácil e desprotegido ou o que possui alarme?


Assim, porque haveremos de facilitar a vida daqueles que ainda vivem moralmente desequilibrados? Devemos nos precaver e tomar certos cuidados. Muitos postam o lugar onde se encontram, o que estão fazendo naquele momento, fotos de suas casas, viagens feitas, com seus filhos ou bebês nus ou seminus e suas escolas. Há os que expõem recados ou declarações  que deveriam ser tratadas na intimidade. Outros postam opiniões preconceituosas, desrespeitosas ou seguem sites desequilibrados. Cada uma dessas posições poderá ser um prato cheio para ladrões, pedófilos, avaliadores da vida alheia, chefes que buscam esses sites para conhecer seus funcionários, entre outros.


Não estamos aqui defendendo que devemos deletar as nossas contas das redes sociais, ficar com medo e desconfiados de tudo e de todos. O que precisamos aprender é a tomar certas precauções quando usamos essas modernas ferramentas virtuais. Sabemos que o sentido da vida não é o de fugirmos de tudo aquilo que potencialmente pode nos magoar porque se assim fosse não poderíamos sair de casa. A Espiritualidade Superior nos elucida em “O Evangelho Segundo Espiritismo”, capítulo 2: "Deus, conseguintemente, não condena os gozos terrenos; condena, sim, o abuso desses gozos em detrimento das coisas da alma". Saibamos conviver com tudo que a vida nos proporciona de forma equilibrada e previdente.


Meditemos nas perguntas feitas pelos espíritos no mesmo livro: "Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência." Façamos uma análise profunda de todos os atos das nossas vidas virtuais. Caso contrário, poderemos continuar com as apresentações ao nosso público "privado" e "confiável" suportando as consequências dos nossos excessos. Como o exemplo evidenciado na reportagem, mais tarde teremos que aprender de forma dura e sofrida o valor da prudência, sendo provável que depois chegue a compreensão: "Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição."


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.