Espiritismo .NET

Avós espanhóis sofrem estresse por excesso de responsabilidade com netos

Com a crise, avós espanhóis sofrem estresse por excesso de responsabilidade com netos



Anelise Infante


De Madri para a BBC Brasil


Cuidar dos netos pode ser um prazer, mas também um problema. Um relatório espanhol indica que, desde o início da crise econômica em 2009, o número de avós que passaram a cuidar dos netos para ajudar o bolso dos filhos aumentou 47%. E, com isso, subiu o nível de estresse entre os mais velhos.


Patologias como ansiedade e depressão foram detectadas por excesso de responsabilidades no estudo Avôs e avós para tudo - Percepções em relação à educação e cuidado dos netos, apresentado recentemente pela Fundação Obra Social Caixa Madri.


Diante dos cortes de gastos dos pais com creches, atividades extraescolares e babás, os avós viraram serviços de primeira necessidade. Assim, 50% dos maiores de 65 anos na Espanha cuidam de seus netos diariamente; 45% o fazem todas as semanas.


Essa responsabilidade quintuplicou em menos de uma década. Em 1993, apenas 9,5% dos avós tinham a tarefa de ocupar-se dos netos. Atualmente, duas em cada três famílias apelam para o que os sociólogos definem como "avós-pais" ou "avós-babás".


Em outros países, como a Grã Bretanha, uma de cada quatro famílias recorre aos avós para o cuidado das crianças.


O problema, segundo o informe, é que na Espanha "estão ocorrendo muitos casos de abusos".



‘Angustiados’


Há avós que precisam eles mesmos de cuidados e que afirmam que se sentem "angustiados e utilizados por filhos que lhes delegam excessiva responsabilidade no cuidados dos netos".


"Por um lado, reivindicam seus direitos de serem avós, não educadores. Demandam que haja limites em relação as suas obrigações, porque existe um temor de interferir nas estratégias educativas dos pais. Não sabem se aplicam seus critérios ou os dos seus filhos", disse à BBC Brasil o coordenador da pesquisa e psiquiatra, Eusébio Megías.


"E, por outro, temem que depois de cuidar de filhos e netos durante toda a vida, ninguém se preocupe por cuidar deles, acrescentou ele."


Segundo as conclusões do relatório, os avós se sentem divididos entre o prazer de passar tempo com seus netos e os excessos de exigências de seus filhos nestas tarefas.


Nestas circunstâncias estão aumentando as consultas médicas por estresse, ansiedade e depressão, de acordo com as estatísticas da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia (SEGG) feitas para o Ministério da Saúde.


Para a SEGG, "o fato de 50% dos maiores de 65 anos dedicarem em média seis horas por dia de maneira forçada ao cuidado dos netos, negligenciando suas próprias necessidades, está causando problemas nervosos, porque muitos avós se sentem sobrecarregados".



Cultura e expectativa de vida


Além da crise econômica, o aumento da expectativa de vida e a cultura de ajuda familiar também são fatores que colocam os avós espanhóis nesta nova realidade de educadores por imposição. As espanholas lideram os índices europeus de expectativa de vida, com 84,9 anos, sendo que a média continental é de 82,4; entre os homens espanhóis, 78,7 (contra 76,4 anos de média na Europa).


Ao contrário de vários países ocidentais europeus, 56% dos espanhóis acham que os parentes devem ser a primeira opção na hora de pedir apoio financeiro e ajuda com o cuidado de algum integrante da família.


A taxa cai para 20% na França, 32% na Alemanha e não chega aos 10% nos países escandinavos.


"(Isso ocorre) provavelmente porque nestas sociedades há mais ajuda social. A questão é que, na Espanha, os avós passam mais horas com os netos do que a média europeia. Aí se produz um desajuste", afirmou à BBC Brasil a investigadora Maria Teresa López.


Professora de Economia Aplicada da Universidade Complutense de Madri e co-autora da pesquisa Dupla dependência: avós que cuidam de netos na Espanha, López disse que os idosos são os mais adequados para substituir os pais no cuidado de netos, mas com pré-condições.


"Precisam de agradecimento pelo esforço, que os filhos não abusem de suas possibilidades e que as pautas de atuação sejam negociadas, porque eles devem ter suas necessidades também atendidas e valorizadas."


O psiquiatra Paulino Castells, uma das maiores autoridades nacionais no assunto com 18 livros publicados, acredita que o papel dos avós nos tempos de crise é tão importante que, "se fizessem greve, o país entraria em colapso".


O psiquiatra e avô de três netos disse à BBC Brasil que "está havendo uma mudança hierárquica. Pais que procuram refúgios no lar da infância e se transformam em irmãos mais velhos de seus filhos. Isso é um erro".


Notícia publicada na BBC Brasil, em 28 de novembro de 2011.



Reinaldo Monteiro Macedo* comenta


Se um país do chamado 1º mundo, como a Espanha, se ressente da realidade retratada na reportagem, podemos concluir que ela também se pode aplicar ao Brasil. Para poderem trabalhar, e assim ganharem o sustento de suas famílias, muitos pais precisam deixar os seus filhos sob os cuidados dos avós. A má distribuição de renda, no nosso caso, também redunda nisso.


Diante dos fatos econômicos que afetam a Europa como um todo (o que se reflete no resto do mundo), os pais tiveram de fazer cortes nos orçamentos domésticos, tais como creches e muitos outros. Assim sendo, os avós se tornaram “um serviço” de primeira necessidade, fato que quintuplicou em menos de 10 anos. Na Inglaterra, cerca de 25% dos avós, já possuem esse papel. A necessidade de trabalhar cada vez mais para sustentarem as suas famílias, está exigindo que os pais recorram aos seus progenitores para ajudá-los a tomarem conta dos netos (o que por vezes, conforme se observa pela reportagem, é usado em excesso).


A natureza prevê um ciclo para a vida do homem (entendamos aqui como sendo um espírito encarnado), que prevê nascimento, crescimento, envelhecimento e morte. Da mesma forma, prevê acontecimentos inerentes a essas diferentes fases da vida que visam o aprendizado do espírito imortal no seu caminho rumo à evolução. Alterações dos ciclos naturais provocam desequilíbrios que podem gerar doenças de toda ordem, porque estamos subvertendo a inexorabilidade das leis naturais.


Ao invertermos a sequência desses acontecimentos, estaremos a pedir que pessoas em fase de declínio físico, passem a ter de desempenhar funções que exigem demasiado da sua mente e do seu corpo. Com certeza isso trará incompatibilidades de toda ordem. A educação dos filhos compete principalmente aos pais, a quem foram “emprestados” por Deus para que deles cuidem ajudando-se mutuamente no crescimento e evolução que lhes cumpre.


O psiquiatra Paulino Castells, uma das maiores autoridades nacionais no assunto com 18 livros publicados, acredita que o papel dos avós nos tempos de crise é tão importante que, "se fizessem greve, o país entraria em colapso".


A crise financeira mostra de maneira incontestável que o homem está vivendo dias críticos em que precisa de possuir plena consciência do seu papel no mundo, do objetivo que precisa alcançar, compreendendo que a necessidade de amor nunca foi tão grande, mas que também nunca existiram tantas formas de manifestação desse amor.


A natureza na sua prodigalidade Divina, vem mostrando ao homem a necessidade crescente de amar vez cada vez mais, assimilando em seu interior que o necessário é vital mas que o supérfluo é desnecessário e é causa de dor. Enquanto o materialismo for o alvo principal da vontade do homem (povos e governantes), os tempos serão difíceis e as dificuldades aumentarão cada vez em maior velocidade e o impacto envolverá mais pessoas.


"A cada um conforme suas obras”; “O plantio é livre mas a colheita é obrigatória”; “Fazei ao próximo aquilo que gostarias que te fizessem”; “A felicidade não é uma estação na viagem da vida, é a maneira pela qual se viaja pela vida”. Enfim, somos herdeiros de nós mesmos...


* Reinaldo Monteiro Macedo é aposentado, administrador e analista de sistemas de formação, expositor de estudos e colaborador do Centro Espírita Nair Montez de Castro no Rio de Janeiro/RJ e de algumas outras Casas.