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Humanidade é mais inteligente e menos violenta, diz estudo

Humanidade é mais inteligente e menos violenta, diz estudo



Violência diminuiu nos últimos séculos e permitiu aos homens conviverem melhor, defende psicólogo


Londres - A história da humanidade representa uma evolução na qual as pessoas são cada vez mais inteligentes, e em consequência disso, menos violentas, diz estudo publicado nesta quarta-feira no último número da revista ‘Nature’.


O psicólogo canadense Steven Pinker argumenta que o aumento da inteligência, que se reflete em pontuações médias cada vez mais altas nos teste de raciocínio abstrato, e também o desenvolvimento da empatia entre os seres humanos, propiciaram um declive da barbárie nos últimos séculos.


Além disso, a alfabetização e o cosmopolitismo favoreceram uma troca de ideias em nível global que ‘possibilita a compreensão do mundo e facilita os acordos’ entre distintas sociedades.


‘Apesar de atualmente nos sentirmos constantemente rodeados pela violência, em séculos anteriores a situação era muito pior. Impérios em colapso, conquistadores maníacos e invasões tribais’ eram comuns, afirma Pinker.


A arqueologia forense e a demografia sugerem que em torno de 15% dos indivíduos nas sociedades ‘pré-estatais’ morriam de maneira violenta, uma proporção cinco vezes maior à registrada no século XX, apesar de suas guerras, genocídios e crises de fome.


Nesse sentido, Pinker aponta que a afirmação popular de que ‘o século XX é o mais sangrento da história’ é uma mera ‘ilusão’ que dificilmente pode ser apoiada em dados históricos.


A barbárie diminuiu comparada a épocas anteriores não só com relação a conflitos armados, mas também a comportamentos sociais, diz o pesquisador.


No século XIV, 40 em cada 100 mil pessoas morriam assassinadas, enquanto atualmente essa taxa se reduziu a 1,3 pessoas.


‘Além disso, nos últimos séculos, a humanidade abandonou progressivamente práticas como os sacrifícios humanos, a perseguição de hereges e métodos cruéis de execução como a fogueira, a crucificação e a empalação’, lembra o psicólogo.


Pinker atribui essa evolução ao aperfeiçoamento da racionalidade e não a um ‘sentido moral’ dos seres humanos, que por si só serviu para ‘legitimar todo tipo de castigos sangrentos’.


‘A propagação de normas morais tornou frequentes as represálias violentas por faltas como a blasfêmia, a heresia, a indecência e as ofensas contra os símbolos sagrados’, afirma.


O estudo ressalta que com o tempo o ser humano foi diversificando sua tendência ao comportamento agressivo, presente desde os primeiros ‘Homo sapiens’.


‘A racionalidade humana precisou de milhares de anos para concluir que não é bom escravizar outras pessoas, exterminar povos nativos, encarcerar homossexuais e iniciar guerras para restaurar a vaidade ferida de um rei’, diz o psicólogo.


O autor do estudo apoia sua tese sobre o aumento da inteligência em pesquisas anteriores, que mostram como o Quociente Intelectual (QI) médio aumenta a cada geração.


‘As empresas que vendem testes de inteligência têm que normalizar seus resultados periodicamente. Um adolescente médio de hoje em dia se voltasse a 1910 marcaria um QI de 130, enquanto uma pessoa típica do século XX não passaria da pontuação 70 atualmente’, explica Pinker.


EFE


Matéria publicada em Exame.com, em 19 de outubro de 2011.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Não tem como nós espíritas comentarmos algo de inteligência e moralidade sem nos remetermos à questão 780, de O Livro dos Espíritos: “O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual? Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.”


Observamos na história a comprovação desta resposta. O quanto a evolução intelectual da humanidade adquiriu patamares inimagináveis, mas o quanto a moral não teve grandes progressos. Chegando ao ponto de, muitas vezes, dizermos “este mundo não tem jeito”, devido à quantidade de jornais ou revistas com tanta violência estampada, nos quais muitos brincam em dizer que se torcê-los sairia sangue.


Sem dúvida, não somos ingênuos em achar que o mundo é perfeito e que a mídia é má por se apresentar desta forma. Sabemos que a humanidade ainda tem arragaida em seu íntimo o prazer dos circos de Roma do passado, onde ainda nos alimentávamos psiquicamente com as tragédias. No entanto, não podemos, por isso, acreditar que o mundo está pior ou estagnado, que com certeza é uma ideia que a espiritualidade inferior, encarnada ou desencarnada, deseja que perdure. A humanidade nunca teve tanto progresso em suas leis de ética, liberdade ou igualdade como atualmente.


A resposta da Espiritualidade maior continua (780-a): “Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral? Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.”


É basicamente isso o que o psicólogo canadense Steven Pinker nos mostra: a racionalidade nos auxiliando a escolher o melhor caminho a se tomar. Não temos dúvida que a inteligência, com o tempo, fará o papel que a ela está programado. Paulatinamente a utilizaremos para termos maiores progressos morais. Como entender isso?


Muitas vezes, é difícil analisarmos a humanidade como um todo, pois nossa visão acanhada, de verdadeiras formigas querendo abarcar o universo, às vezes, chega a ser pontos de vistas ridículos. Talvez, para tentarmos entender o processo de evolução do nosso planeta, consigamos através de uma analogia do individual com o coletivo, ou seja, comparando o que acontece com cada um de nós para compreendermos o do todo.


Caminhamos pela vida executando muitos equívocos, deixando os impulsos e as ilusões nos guiar e, por conseguinte, sofrendo as consequências desses atos. Depois de muito sofrer e observar que o caminho escolhido não é bom, buscamos outro melhor.


Utilizando a inteligência que temos, o primeiro passo que fazemos é a busca do conhecimento através de pessoas mais experientes, psicólogos, livros, palestras, biografias dos grandes homens da humanidade, textos, análises científicas, observação do dia-a-dia e, principalmente, o Evangelho de Jesus.


Depois disso, muitas vezes, nos vangloriamos pelo conhecimento adquirido e pela nossas descobertas espirituais e, por isso, pensamos que a tarefa de melhoramento está cumprida.


No entanto, o tempo passa e observamos que continuamos fazendo as mesmas coisas, com os mesmos impulsos e ilusões de antes. Acrescentando ainda a culpa por não conseguir vivenciar aquilo que já sabemos. Ficamos infelizes e sem esperança, achando que o trabalho de melhoramento não está dando certo.


Neste momento, do fundo do poço íntimo, reagimos e observamos que há a necessidade de internalizar os conhecimentos, ou seja, aprofundá-los no nosso interior para podermos sentí-los. Por exemplo, conhecemos os ensinamentos da vida futura, mas continuamos sentindo e tendo como base a unicidade da existência, pois ainda nos desesperamos com nossas perdas, aumentamos constantemente nossos medos de viver e nossa fé e confiança em Deus não têm aumentado.


Após sentir os conhecimentos, meditá-los, treiná-los por um longo tempo, iremos internalizá-los e eles farão parte de nossa realidade espiritual. Onde os impulsos desequilibrados se transformarão em impulsos equilibrados, já que a fonte de sentimentos onde eles buscarão para reagir já está completamente límpida.


Com o planeta Terra ocorre também desta mesma maneira. Podemos entender a evolução planetária seguindo as mesmas fases como colocada acima para o indivíduo. Estamos chegando naquele momento ímpar de observar que o conhecimento e as descobertas extraordinárias não são suficientes para o homem, pois não deixamos de ter doentes, depressivos e violentos.


Por esta reportagem, temos o alento em ver que a Humanidade está começando a fase de reagir por estar no fundo do poço e começando a voltar para si, para analisar os equívocos do passado, os desequilíbrios excessivos no presente, para fazer melhor no futuro. Isto coletivamente está ocorrendo não porque a maioria da humanidade melhora moralmente, mas porque as dores do intelectual sem moral estão ficando insuportáveis e exigem que mudemos de rumo. Se já temos a consciência do melhor caminho a tomar, façamos nossa parte para influenciar o coletivo a andar mais depressa para o destino que o espera.


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.