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Casal consegue ter bebê após 22 anos de tentativas

Casal consegue ter bebê após 22 anos de tentativas



Um casal que esperou 22 anos para conseguir ter um filho comemorou a chegada de seu primeiro bebê este mês, na Grã-Bretanha.


Susan Comiskey, de 42 anos, deu à luz Anna Margaret apenas um ano após ter vencido uma batalha contra o câncer, que incluiu duas operações e um tratamento de radioterapia.


"Ela é um milagre, um presente", disse o pai, de 55 anos.


Susan e Shane Comiskey se casaram em 1988 e começaram imediatamente a tentar ter filhos, mas não tiveram sucesso.


"Quando as pessoas perguntavam se tínhamos filhos, Shane costumava dizer que já havíamos feito o pedido, mas que o bebê ainda não tinha sido entregue", contou Susan.


Os médicos acreditavam que seus problemas de fertilidade eram causados por um pequeno tumor benigno na glândula pituitária, que teria aumentado os níveis do hormônio prolactina, suspendendo a ovulação e alterando os ciclos menstruais.


Quando o casal foi morar em Liverpool, no norte da Inglaterra, em 2007, Susan começou a se tratar com o especialista em fertilidade Nabil Aziz. Ele receitou remédios para regular seu ciclo reprodutivo, o que aumentou suas chances de conceber de forma natural e também reduziu o tumor.



Câncer


Durante uma consulta em 2008, o médico notou um nódulo no pescoço de Susan.


"Eu já havia visto aquilo, mas não achei nada de mais. Aziz disse que não estava gostando da aparência do nódulo e ligou para a oncologista Alison Waghorn no Hospital Universitário Royal Liverpool, que concordou em me ver quase imediatamente", disse Susan.


Ela foi diagnosticada com câncer de tireoide.


"Foi um choque terrível descobrir que eu tinha câncer, mas mesmo durante o tratamento, eu estava pensando que mais um ano ia se passar sem a chance de ter um bebê."


Susan terminou o tratamento em 2009 e em janeiro deste ano, começou a sentir enjoos. Ela logo imaginou que o câncer tivesse se espalhado.


"Meus ciclos (menstruais) sempre foram um pouco estranhos, então não fiz a ligação entre uma coisa e outra. Depois de um mês ou dois, eu pensei ‘Quem sabe?’ e fiz um teste de gravidez. Deu positivo. Eu quase desmaiei", disse ela.


"Eu fiz três testes no mesmo dia e todos deram positivo. Ainda assim eu só acreditei quando meu clínico geral confirmou. Finalmente havíamos começado a jornada pela qual esperamos por tanto tempo."


"Nós dois choramos. Não contamos para ninguém no início e ainda ficamos nos perguntando se iria durar, se realmente iria acontecer."


Susan e Shane, que são pastores de uma igreja em Liverpool, agradecem aos médicos e a Deus por terem tornado seu sonho realidade.


"Nunca perdemos as esperanças de que Deus atenderia nossas preces um dia e espero que nossa história sirva de inspiração para quem ainda está esperando por seu bebê."


Notícia publicada na BBC Brasil, em 20 de outubro de 2010.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Observamos, no exemplo deste casal, a história de vida da maioria da humanidade, recheada de doenças, contrariedades, sonhos desfeitos e dificuldade das mais diversas. Ficamos a nos perguntar: Qual a melhor forma de se agir nessas situações? Para tentarmos responder, precisamos inicialmente saber que “de duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.” (O Evangelho Segundo Espiritismo, Cap V, item 4). Sem dúvida, não há aflição sem sua causa anterior e sua necessidade atual para crescimento íntimo do sofredor.


Isso já não é novidade no meio espírita, e porque não dizer para a humanidade, que já diz uma verdade sem saber sua profundidade no “aqui se faz aqui se paga”. Quantos problemas de gestações atuais não são em decorrência de abortos, desvalorização maternal ou abandono de filhos feitos em outras existências e agora precisamos passar pelas provas duras de dificuldade de engravidar, juntamente com o trabalho dos sentimentos de baixa auto-estima, culpa e decepções?


O que fará a diferença nessas horas serão nossas bases psicológicas, ou seja, o conjunto de pensamentos que formam o nosso crer, a nossa personalidade e a forma de reação para os acontecimentos da vida. Quando uma mesma contrariedade ocorre com diferentes pessoas, haverá respostas totalmente diversas, mas todas procurando o caminho mais acertado para recuperar a felicidade perdida. Alguns, na mesma situação do casal, reagem com revolta, outros com depressão e outros aceitam a situação como uma forma de martírio para pagar todos os seus pecados.


Todas essas três formas levam as pessoas a ficarem estagnadas no seu grau evolutivo, pois nenhuma delas faz a mudança íntima, ou seja, a modificação de suas ideias que o levaram a precisar passar por aquela situação. Ficando, por isso, anos ou vidas sem melhoras devido a cristalização de ideias equivocadas. Mais ou menos como uma criança birrenta que teima que aquele é o melhor caminho a seguir, mesmo que a vida, as tristezas e as consequências que advêm mostrem o contrário.


Muitos podem pensar: Mas aqueles que aceitam as contrariedades não estão no melhor caminho? Depende. Quantas pessoas nos chegam relatando seus problemas, numa posição de resignação, mas quando mostramos um caminho para sair do sofrimento eles não aceitam. São os preguiçosos que não aceitam trabalho, os rancorosos que não aceitam perdoar, os egoístas que não querem dividir e muitos outros que preferem “aceitar” como são e como a vida se apresenta do que modificarem ou buscarem modificações nos seus posicionamentos.


A aceitação ou o bem-aventurado os aflitos que Jesus nos estimula são aqueles que se consideram felizes mesmo com a dor, “visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranquilidade no porvir.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capitulo V, item 12.)


Esses são os resignados, mas não apáticos, que buscam sua melhora física e todos os meios que Deus nos deu para sairmos das contrariedades, não esquecendo que a porção espiritual é a mais importante. Onde buscam em cada contrariedade o aprendizado embutido e sabem que normalmente passarmos ou nos manter em paz por elas estão na nossa conduta íntima. Conforme observamos no mesmo livro, “quando vos advenha uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponde-vos a ela, e, quando houverdes conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, dizei, de vós para convosco, cheio de justa satisfação: Fui o mais forte.”


Necessitamos ter como base de nossos pensamentos o ponto de vista da vida futura. “O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. Tanto mais sofre ele, quanto mais longa se lhe afigura a duração do sofrimento. Ora, aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito, compreende-lhe a curteza e reconhece que esse penoso momento terá presto passado. A certeza de um próximo futuro mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar”. Com este sustentáculo daremos a verdadeira importância para as coisas da vida material.


Podemos escolher diversos caminhos para quando as adversidades vierem, nisto está o livre-arbítrio de cada um, mas todos teremos as consequências naturais deles. No entanto o melhor caminho, mais estreito e difícil, mas o que Jesus e os Espíritos Superiores nos aconselham e que nos trará a verdadeira felicidade é a fé. “A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, assim nas pequenas coisas, que nas grandes. Da fé vacilante resultam a incerteza e a hesitação de que se aproveitam os adversários que se têm de combater; essa fé não procura os meios de vencer, porque não acredita que possa vencer.”


Lemos ainda: “Entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta segurança”. Este conceito recai bem ao que observamos neste casal que por mais de vinte anos tentou a bênção da maternidade. A fé, como mostrada na reportagem, não se baseia em achar que temos que ficar sentados esperando que o anjos ou Deus trarão nossa paz ou nossas curas. Ao contrário, precisamos utilizar o “buscai e achareis”, tentando todos os meios que estão ao nosso alcance, seja cientifico, médico ou espiritual que não traga prejuízo para ninguém, no intuito de retirar os espinhos que a vida nos traz. Sempre com paciência e resignação, pois sabemos que aquele que possui fé “deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus. Por essa razão é que os bons Espíritos lhe vêm em auxílio.” Deus utilizará, sem necessidade de milagres, qualquer desses meios para nos proporcionar o que queremos, se assim for o que precisamos.


Sabemos que as dificuldades da vida são enormes, difíceis e por vezes irremediáveis, por isso necessitaremos ter Deus ao nosso lado, utilizando a prece nos momentos mais difíceis. Saber esperar anos, décadas ou a vida toda para aprendermos aquilo que for necessário para o nosso crescimento espiritual e resgatar nossos débitos do passado, para quando toda essa fase passar ouvirmos no íntimo de nosso espírito: “Meu filho, sua fé te curou. Vá e não peques mais”.


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.