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Nível de brigas se mantém ao longo do casamento, aponta estudo

Nível de brigas se mantém ao longo do casamento, aponta estudo



Estudo acompanhou mil casais entre 1980 e 2000 e publicou que apenas 16% dos relacionamentos enfrentam poucas brigas


Efe


WASHINGTON - O nível de conflito dentro de um casamento muda pouco com o passar dos anos, o que significa uma boa notícia para os casais que brigam pouco e má para os que discutem muito, explica um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista Journal of Family Issues.


O estudo, que acompanhou mil casais entre 1980 e 2000, publicou que 16% dos casamentos enfrentam poucas brigas; 60% falam de níveis moderados de conflito, e 22% dos casais garantiram que discutem muito.


"Não houve muita mudança nos níveis de conflito ao longo do tempo", assinalou Claire Kamp Dush, autora principal do estudo e professora de Desenvolvimento Humano e Ciências da Família na Universidade de Ohio.


"No fim do estudo houve uma leve queda no conflito, que foi um pouco mais notável nos casais com níveis altos de brigas", acrescentou. "Mas mesmo assim as diferenças ao longo dos anos foram pequenas".


Kamp Dush conduziu o estudo ao lado de Miles Taylor, pesquisadora da Universidade da Flórida, e usou dados da enquete conduzida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia.


A enquete via telefone começou com 2.033 pessoas casadas, menores de 55 anos em 1980. Muitas destas mesmas pessoas foram entrevistadas outras cinco vezes até o ano 2000, e responderam uma lista de perguntas sobre a qualidade de seu casamento e do relacionamento com seus cônjuges.


O conflito no matrimônio foi medido de acordo com a frequência que os participantes disseram que discordavam em alguma situação com seus companheiros, entre os níveis "jamais", "raramente", "às vezes", "frequentemente", e "muito frequentemente".


Os casais com menores conflitos e que participam equitativamente na tomada de decisões são as que contam com níveis mais altos de felicidade e as que têm níveis mais baixos de divórcio, segundo o estudo.


Notícia publicada no estadao.com.br, em 16 de agosto de 2011.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Sempre quando vemos problemas de relacionamentos e casamentos nos lembramos de uma mensagem de João Batista Armani:


“Na visão espírita, o casamento pode ser entendido conforme qualificação a seguir:


Casual – Primeiro encontro de duas criaturas. Dessa espécie de casamento tem o casal conseguido levar uma satisfatória relação conjugal. Outros casais não se adaptando e não suportando as desavenças, separam-se. Sem dúvida, em próxima vida terrena, reencontram-se para uma reconciliação.


Provatório - Reencontro de espíritos de diferentes graus de adiantamento espiritual, que no passado desentenderam-se, por isso, voltam a encarnar para superar as provas a que forem submetidos, e progredirem.


Expiatório - Em vidas anteriores marido e mulher erraram muito. Reencarnam em novo lar, para corrigir os erros cometidos. É um casamento de resgate.


Sacrificial - União de um espírito um tanto evoluído com outro menos evoluído com o fim de auxiliá-lo a progredir.


Afins - Espíritos evoluídos com sentimentos elevados, que se amam verdadeiramente. Corações afetuosos, juntos com objetivos supremos para, aliados, adiantarem-se espiritualmente.”


O que observamos pelos casos de busca de auxílio dentro do atendimento fraterno da Casa Espírita e dos que recebemos no site do Espiritismo.net recai bem pelo resultado desta pesquisa. Grande número dos atendimentos tratam de problemas de relacionamento com o cônjuge. Os exemplos são os mais variáveis: traições, desrespeitos, falta de amor, decepções, violências e muitas outras que já conhecemos, pois pode ocorrer conosco ou com algum conhecido.


Muitas vezes nos equivocamos em achar que, quando se tem amor, não iremos observar ideias divergentes: irão concordar com tudo que o outro disser ou jamais terão brigas. Com certeza, isso poderá existir, mas é raro, e entre espíritos afins. Conosco, que temos muito a progredir, não será dessa forma. Mesmo amando, cada um tem seu processo evolutivo, suas verdades e seu mundo, que quando entram em contato com o mundo do outro resultam em divergências.


As brigas que ocorrem não são necessariamente por pensamentos divergentes, pois em todas as relações da pesquisa existem, mas o que cada casal faz com eles. Os relacionamentos que evoluíram para amor aprenderam a conviver e compreender o outro, mesmo com suas imperfeições e sem cobranças absurdas, que muitas vezes nem um ser perfeito conseguiria cumprir. Os que seguiram para brigas, levaram para revolta, cobranças, expectativas e posses excessivas. Os primeiros não criaram ilusões, pois conheciam seu parceiro e os amavam mesmo assim. Os segundos não os conheciam, pois plantaram ilusões e colheram decepções.


Seja relacionamento de resgate ou amoroso, o objetivo da união é um só: que o amor floresça nos corações dos dois. Quando nós, espíritas, vamos tirar dos nossos conceitos que Deus quer que soframos com uma relação difícil e por isso precisaremos conviver com a pessoa por largos anos para cumprir nosso "carma”, com brigas constantes e sem nenhum tipo de harmonização, e quando desencarnamos pensamos: "pronto, missão cumprida", grande decepção, pois observaremos que não houve nenhuma melhora de sentimentos. O que era de inimizade e aspereza continuou na mesma e, às vezes, piorou. Trabalho mal feito, objetivo não conquistado, repetição requerida. Segundo Emmanuel, no livro Na Era do Espírito, lembra: “Não basta casar-se. Imperioso saber para quê. Dirás provavelmente que a resposta é óbvia, que as criaturas abraçam o matrimônio por amor. O amor, porém, reclama cultivo. E a felicidade na comunhão afetiva não é prato feito e sim construção do dia-a-dia.”


Somos eternos repetentes desta lição. O problema é que sempre pensamos que estamos apenas na posição de ensinar e reformar o outro, sempre listando as atitudes equivocadas. A melhor conduta seria observar o que a vida quer nos ensinar, como paciência, compreensão, renúncia, humildade e muitas vezes discernimento para nossas ilusões. Tenhamos consciência que não existe acaso, sempre estamos onde precisamos estar. Observemos o que podemos aprender com cada situação.


Sempre vem aquela pergunta: Já faço tudo que posso e ele não se modifica, o que fazer? Alegre-se e reze. Pelo menos um do casal aproveitou a oportunidade que a vida ofereceu.


Para o outro, rezemos, pois terá que percorrer um longo caminho até aprender. Só não podemos esquecer que muitas vezes nós fomos os responsáveis por eles serem dessa forma, devido nossas condutas de outras vidas.


Sem dúvida, há casos em que a separação é a melhor alternativa, devido a violências físicas, morais e psicológicas. No entanto, mesmo nesses casos, a harmonia terá que ser conquistada devido a presença de filhos, pois temos o direito da separação conjugal, mas temos o dever da educação filial.


Para qualquer relação que tivermos, só conseguiremos algum tipo de paz e sucesso seguindo os preceitos dos Espíritos Superiores: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.