Espiritismo .NET

Uma pessoa é internada a cada 20 minutos por causa de bebida alcóolica em SP

Uma pessoa é internada a cada 20 minutos por causa de bebida alcóolica em SP



O Globo


SÃO PAULO - Em São Paulo, uma pessoa é internada a cada 20 minutos por problemas de uso de álcool, segundo levantamento feito pela Secretaria Estadual de Saúde. Os motivos vão desde intoxicação por abuso pontual até cirrose alcoólica, problemas cardíacos e câncer.


Bares e restaurantes de São Paulo poderão até ser fechados se venderem bebida alcoólica a menores de 18 anos. Um projeto de lei responsabilizando o proprietário do bar se o menor consumir álcool em seu estabelecimento será enviado à Assembleia Legislativa.


A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que 4% das mortes ocorridas no mundo (cerca de 2,5 milhões de pessoas) são ocasionadas pela bebida, sem contar acidentes de trânsito potencializados por ela.


No estado de São Paulo, o Cratod (Centro de Referência em Tratamento de Álcool, Tabaco e Outras Drogas) detectou que 80% dos pacientes diagnosticados alcoólatras deram o primeiro gole antes dos 18 anos, parte deles muito jovens, com 11 ou 12 anos.


Uma outra pesquisa, feita pelo Instituto Ibope, a pedido do governo do estado, apontou que 18% dos adolescentes entre 12 e 17 anos bebem regularmente, e que quatro entre dez menores compram livremente bebidas alcoólicas no comércio. Segundo a pesquisa, o consumo de álcool acontece, em média, aos 13 anos.


O projeto de lei encaminhado à Assembleia Legislativa pelo governador Geraldo Alckmin nesta segunda-feira prevê aplicação de multas de até R$ 87,2 mil para o restaurante, bar, supermercado ou loja de conveniência que for flagrado vendendo bebida para menores.


Atualmente, o comerciante só pode vender bebidas alcoólicas a maiores de 18 anos. No entanto, se essa pessoa repassa o álcool ao adolescente ou criança no estabelecimento, ele não tem qualquer responsabilidade. A nova legislação muda esse ponto e obriga o comerciante a pedir documento de identificação para realizar a venda ou deixar que o produto seja consumido no local.


Notícia publicada no Jornal O Globo, em 1º de agosto de 2011.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


É uma pena que esta reportagem não nos surpreenda. Como gostaríamos de dizer que o estado de São Paulo é uma exceção no quadro nacional e internacional, mas sabemos que isso ainda é um sonho distante. Quantos de nós não conhecem alguém com dependência alcoólica? Quantos homicídios, acidentes automobilísticos, casos de violência doméstica e sonhos desfeitos têm como causa principal o desequilíbrio com a bebida? Sempre nos perguntamos: Por que isso?


Precisamos reformular a pergunta para: Por que não isso? Seria de espantar que fosse diferente. Como desejar resultados diferentes com causas tão evidentes que só poderiam levar a essas mesmas consequências? Desde criança observamos nossos ídolos utilizando a bebida para os momentos de alegria, para os de tristeza ou apenas para passar o tempo. Para acompanhar um churrasco no final de semana, como "prato" principal ou como um parceiro de aperitivos em tantas conversas jogadas fora. Já viram algum filme ou novela em que não haja alguém com uma garrafa ou um copo na mão?


Poderíamos ficar listando uma infinidade de exemplos para demonstrar o culto ao álcool que existe na atualidade, mas não temos espaço para tanto. Por isso reforçamos o quanto é necessária força de vontade, conhecimento e firmeza de princípios para não ser influenciado pelo meio em que vivemos. Com certeza, essas pessoas passarão pelos "idiotas”, "fanáticos religiosos" ou os que "não sabem curtir a vida". Se os pais não assumirem a responsabilidade do crescimento íntimo dos seus filhos através de uma sustentação psicológica firme, eles não conseguirão suportar a pressão que a sociedade lhes impõe para se transformarem em “bebedores sociais”.


Sempre ficamos nas nossas meditações nos perguntando por que é que a bebida, sendo a droga mais vendida no planeta, não é proibida? Os extremistas argumentam que proibir ou acabar a produção por completo, isolando nossos filhos dessas influências, nos livraria do problema. Sem dúvida, mas as drogas ilícitas, as quais devem continuar proibidas, nos mostram que não é bem assim. Mesmo proibindo, as pessoas criam meios alternativos para alimentarem seu vício, o que não seria diferente com o álcool que já está bem entranhado na sociedade. O desligamento desse problema da sociedade terá que ser de uma forma pacífica, pois a simbiose entre a chaga e o hospedeiro já está bem instalada. As leis são apenas o começo, pois a dependência alcoólica não existe porque temos o álcool, mas sim porque temos fascínio pela bebida, devido às sensações imediatas e fugas da realidade que ela proporciona. Apenas o equilíbrio de quem bebe acabará com o alcoólatra e, quem sabe no futuro, com a bebida.


Para prevenir este mal de saúde pública, precisamos incutir em nossos menores a valorização da capacidade de escolha. Mostrar que a única liberdade real é a de pensar e qualquer coisa que nos tire essa capacidade deve ser bem avaliada, pois as consequências serão da nossa inteira responsabilidade. É fundamental não permitir que eles julguem que as pessoas alcoolizadas não têm responsabilidades apenas porque não tinham a intenção de fazer algo de errado ou não tinham consciência do que faziam. Deixarmos que a bebida nos controle é uma escolha e seremos responsáveis, pois quisemos assumir os riscos.


O que buscamos na bebida? Desenvoltura, menos acanhamento, integração num grupo ou qualquer outra coisa. Precisamos compreender que tudo o que procuramos numa bebida, conseguimos sem ela. Tudo está latente em nós, basta para isso trabalharmos o nosso interior e conquistar o mesmo resultado. Mas poucos querem ou têm coragem de fazer este bom combate. Preferimos ficar a mercê da “sorte”. Entendamos este termo como obsessões espirituais, desequilíbrio perispiritual e físico (cirrose alcoólica, problemas cardíacos e câncer), gerando as consequências de todas as nossas “felicidades instantâneas”.


Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro "O Consolador", nos mostra as consequências espirituais: “O viciado ao alimentar o vício dessas entidades que a eles se apegam, para usufruir as mesmas inalações inebriantes, através de um processo de simbiose em níveis vibratórios, coleta em seu prejuízo as impregnações fluídicas maléficas daqueles, deixando o viciado enfermiço, triste, grosseiro, infeliz, preso à vontade de entidades inferiores, sem o domínio da consciência dos seus verdadeiros desejos”.


Por mais que em um primeiro momento a bebida nos traga alegria ou nos tire de uma realidade difícil de suportar, isso é temporário. A consciência sempre trará a realidade de volta para a podermos trabalhar e crescer espiritualmente e psicologicamente. Quando bebemos para fugir da realidade, teremos dois problemas para corrigir em vez de um. Se a prevenção parece não estar resultando e o problema da dependência se instala cada vez mais, a solução é o distanciamento total, sem chances de tomar um só gole. Este caso se enquadra no “Se a vossa mão é motivo de escândalo, cortai-a.” (S. MATEUS, cap. XVIII, vv. 6 a 11)”. Sendo esta a causa de limitações físicas e mentais que adquirimos por erros de vidas passadas ou até por equívocos desta vida mesmo, já que a Lei de Causa e Efeito tem ocorrido cada vez mais rápida para resgatarmos os nossos atos equivocados.


No entanto este é o primeiro passo, o próximo será o de conviver novamente com o motivo de nossa queda, para avaliar o nosso aprendizado. Não é porque uma pessoa que vem cega em uma vida, devido a uma causa qualquer, virá em todas as outras com o mesmo mal. Chegará o momento de vir enxergando, sentir as mesmas vontades que outrora o fez cair e provar que aprendeu a lição. Muitos que hoje não bebem ou possuem tendências a beber, mas se esforçam para se conter, vivem a segunda etapa que os alcoólatras de hoje terão que passar em outras existências.


A melhor forma de combate é a prevenção para o mal do alcoolismo, não necessariamente acabar com a existência da bebida ao nosso redor, mas acabar com sua importância dentro de nós. Levemos este entendimento para as nossas crianças e adolescentes, pois não podemos esperar que o mal já esteja instalado para começarmos a agir. Fazendo isso, todos terão um senso crítico bem estabelecido, interiorizando que onde o pensamento está equilibrado o ambiente não tem vez.


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.