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‘Meu filho devia ter se suicidado’, diz pai de Breivik

‘Meu filho devia ter se suicidado’, diz pai de Breivik



Atirador de Oslo afirma estar disposto a passar o resto da vida na prisão


Jens Breivik, o pai de Anders Behring Breivik, autor confesso do massacre na Noruega, afirmou nesta segunda-feira que seu filho deveria ter cometido suicídio ao invés de matar ao menos 76 pessoas. "Acho que o que ele devia ter feito era se matar ao invés de matar tantas pessoas", declarou Jens Breivik ao canal de televisão norueguês TV2 de sua residência no sul da França.


O pai do atirador está sob proteção policial e isolado em sua casa no município de Cournanel, onde vive com sua segunda mulher. De acordo com o promotor de Carcassonne (vilarejo próximo a Cournanel), Antoine Leroy, agentes policiais estão vigiando as imediações da residência desde domingo por prevenção. "Nenhum elemento nos faz pensar na menor ameaça contra este homem, mas é algo preventivo. Houve rumores de uma revista da casa, mas isso é totalmente inexato. Não há nenhuma questão judicial em Cournanel", afirmou.


Depoimento - Em entrevista divulgada no domingo pelo jornal norueguês Verdens Gang, Jens Breivik declarou-se comovido com a situação e disse que não vê o filho há mais de 15 anos. O pai do atirador afirmou ter se "emocionado" ao ver a fotografia de Anders Breivik na primeira página dos jornais on-line no dia da tragédia. "Estava lendo as notícias na internet e, de repente, vi seu nome e sua foto. Ainda não consegui me recuperar da comoção", contou o aposentado.


"Estou comovido, é terrível ouvir algo assim", acrescentou, afirmando ignorar as atividades às quais se dedicava o filho. Jens Breivik é divorciado de sua primeira mulher desde o nascimento do filho e disse ter perdido o contato com ele em 1995, quando Anders Behring Breivik tinha 15 ou 16 anos. "Quando era mais novo, era um menino normal, mas retraído, e não se interessava por política", disse ao jornal.


Interrogatório - Também nesta segunda-feira, o atirador de Oslo declarou-se disposto a passar toda a sua vida na prisão, segundo o promotor Christian Hatlo. "Ele disse durante os interrogatórios que está disposto a passar toda a sua vida na prisão", afirmou Hatlo à imprensa.


Massacre - A Noruega viveu, no último dia 22, a maior tragédia do país desde a Segunda Guerra Mundial. Dois atentados teriam deixado, até o momento, um saldo de 76 mortos (o número divulgado até a manhã desta segunda-feira apontava para 93 vítimas). Primeiro, uma bomba explodiu no centro da capital, Oslo, na região onde estão localizados vários prédios governamentais, inclusive o escritório do premiê, Jens Stoltenber. Oito pessoas morreram, mas a polícia admite que possa haver corpos não resgatados nos prédios.


O segundo ataque aconteceu em uma ilha próxima da capital, Utoya. Lá, Anders Behring Breivik, um homem de 32 anos vestido com uniforme policial, abriu fogo contra jovens reunidos em um acampamento de verão. Ao menos 68 pessoas teriam morrido - de acordo com uma estimativa inicial -, a maioria pelos tiros disparados. Alguns outros morreram afogados após tentarem fugir nadando.


Breivik foi detido logo depois e admitiu o crime. O atirador, que é ligado à extrema-direita, publicou um manifesto na internet chamando à violência contra muçulmanos e comunistas. Nesta segunda-feira, ele prestou depoimento em sua primeira audiência no tribunal de justiça, na qual admitiu ter contado com cúmplices.


(Com agência France-Presse)


Matéria publicada na Revista Veja, em 25 de julho de 2011.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Talvez o que mais nos marca neste texto não é a declaração do pai do atirador de Oslo, mas o distanciamento de mais de 15 anos entre eles. Uma das maiores responsabilidades de um homem na Terra é ter um filho e conseguir dar uma sustentação espiritual e psicológica para que ele possa sair vitorioso pelas contrariedades da vida.


Todos do meio espírita conhecemos a responsabilidade em guiar os espíritos que nos são confiados pela Divina Providência. Em O Livro dos Espíritos, questão 208, observamos: "Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste?” Resposta: “Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho.”


Não temos dúvidas que o desfecho absurdo da existência falida deste jovem atirador poderia ser igual, mesmo que os pais tivessem dado toda a orientação ética e espiritual, já que sabemos que esta atitude é fruto de um espírito de baixa escala evolutiva. No entanto, se a criação e a orientação de nossos filhos já são difíceis com eles próximos, imaginem distanciados. Os pais, neste caso, possuem um grau de responsabilidade e é provável que mais tarde busquem formas de reparar este erro, seja nesta vida ou em outra.


A declaração equivocada de Jens Breivik, muitas vezes, é fruto de nossas conclusões precipitadas e sem muita profundidade. Nós, em um primeiro momento, podemos imaginar que a declaração é acertada, pois assim teria evitado o assassinato de tantas pessoas, mas se pararmos para meditar chegaremos a conclusão que se não fosse Anders Breivik teria sido outro.


O atirador não estava só, junto a ele estavam todos aqueles que possuem a mesma ideologia e que o apoiaram neste ato. É preciso que todos nós tenhamos a consciência de, primeiro, buscarmos um melhor direcionamento para nossos pensamentos e, depois, amparar e tentar auxiliar que nosso próximo faça o mesmo. Segundo Emmanuel, no livro Fonte Viva, “orientar o pensamento, esclarecê-lo e sublimá-lo é garantir a redenção do mundo, descortinando novos e ricos horizontes para nós mesmos”. Com a mente equilibrada e bem sintonizada com a Divindade, não teremos os crimes e as ideologias deturpadas, pois o criminoso estará transformado.


Dessa forma, o atirador e os pais possuem sua parcela de culpa, mas nós, como sociedade, também temos, se não estivermos estimulando aos que estão ao nosso lado em melhorar seu âmbito de pensamentos e ideias. Não de uma forma impositiva ou violentando consciências, mas de uma forma cooperativa, amorosa e através de nossos exemplos.


Chegará um dia, quando o mundo das ideias estiver bem desenvolvido e moralizado com os ensinamentos do Cristo, que as ideologias como grupos extremistas, Skinheads, Ku Klux Klan, neonazistas e outras estarão apenas na história. No entanto, antes que isso ocorra, façamos nossa parte, “ajudemos a vida mental da multidão e o povo conosco encontrará Jesus, mais facilmente, para a vitória da Vida Eterna.” (Emmanuel)


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.