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Americano é atingido por raio pela sexta vez

Americano é atingido por raio pela sexta vez



Do UOL Notícias
Em São Paulo


Um norte-americano foi hospitalizado após ter sido atingido por um raio pela sexta vez.


Melvin Roberts, de 58 anos, estava do lado de fora de sua casa, em Seneca, na Carolina do Sul, guardando sua máquina de cortar grama durante uma tempestade quando um raio o atingiu, no mês passado, segundo o canal de TV local WYFF.


Os vizinhos encontraram Roberts desmaiado no jardim e chamaram uma ambulância. O americano sofreu queimaduras em suas pernas e pés.


Os machucados, no entanto, nem se comparam ao que Roberts passou em 2007, quando um raio o deixou em uma cadeira de rodas por mais de um ano. Na ocasião, ele cuidava de suas galinhas quando foi atingido.


"Na época, quando eu acordei, estava coberto em sangue, todo queimado e confuso", contou.


Os raios forçaram Roberts a abandonar seu emprego como operador de máquinas pesadas. Após seis raios, o americano diz que, finalmente, irá pensar duas vezes antes de sair à rua durante uma tempestade.


"Não digo que estou com medo dos raios, mas preciso respeitá-los um pouco mais", falou.


Roberts acha que os raios podem ser algum tipo de punição cósmica por algo errado que ele fez.


"Já fui casado cinco vezes e atingido seis vezes por raios. Não vou poder largar minha atual mulher", brincou.


Notícia publicada no Portal UOL, em 4 de julho de 2011.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Melvin Roberts diz-se vítima de uma punição cósmica. Será ele um notável exemplo de fatalidade? Procurando mostrar a reduzida possibilidade dos acontecimentos se repetirem, o povo costuma afirmar que um raio não cai duas vezes no mesmo local. Mas será mesmo assim? Então, o que pensar deste homem que parece estar sendo perseguido por uma nuvem negra carregada de raios?


Se alguma fatalidade atormenta Melvin Roberts, ela tem origem nas suas repetidas imprudências que o leva a permanecer no exterior durante as tempestades. A fatalidade é o argumento preferido quando procuramos encontrar uma causa para a teimosa obstinação da vida em nos infligir dores ou promover a infelicidade. Tal como crianças chorosas que se cristalizam no papel de vítimas e culpam o mundo pelos seus infortúnios, ficamos reféns de conceitos obtusos como sorte, destino, boa estrela ou fatalidade. Acreditamos tanto no poder desses conceitos que até lhes atribuímos capacidades sobrenaturais. O caminho que trilhamos é construído pedra a pedra através daquilo que pensamos, fazemos e sentimos. As nossas escolhas determinam a direção tomada, mas quando essas decisões nos levam sucessivamente à dor ou ao desespero fugimos à responsabilidade e atribuímos-lhe o nome de fatalidade.


A minha mãe conta que quando eu era uma criança pequena adorava correr. Ela sempre me dizia para não correr dentro de casa porque poderia ser perigoso. Mas o que a minha mãe percebia de corridas? Para qualquer lugar que eu fosse, eu ia correndo, reproduzindo com a boca o ruído do motor de um carro. Saltava a toda velocidade por cima de obstáculos, acelerava na reta da meta e virava nas esquinas, como o Senna fazia nas gincanas. Por vezes, me magoava feio, procurando, lavado em lágrimas, o regaço da minha mãe. Ela me confortava com doçura, mas não esquecia de dizer: “Eu não avisei?” Ela conta que eu sempre achava que a culpa não era minha. Ficava furioso com a posição dos móveis, reclamava do soalho escorregadio e até me revoltava com a falta de vigilância de minha mãe. Quando a dor passava, eu ia de novo para as pistas e acelerava a fundo.


Crescemos em tamanho, mas a mentalidade infantil, muitas vezes, permanece. Enfrentando tribulações e dificuldades, rejeitamos sistematicamente que elas possam ser, em alguma medida, da nossa responsabilidade e preferimos arranjar culpados no exterior. Não importa quem seja, o importante é atribuir as culpas a alguém. Descansamos no comportamento de uma vítima que se sente vulnerável diante de um destino que não pode controlar e nos queixamos.


Quando nos iludimos com falsas acusações, permanecemos estacionados no próprio processo evolutivo. Este tipo de ilusão é um mecanismo de defesa muito débil, porque nos expõe consecutivamente às inevitáveis consequências dolorosas a que as nossas escolhas equivocadas nos empurram. A vida proporciona-nos constantemente situações que nos permitem perceber os nossos erros, aprender, corrigir a nossa perspetiva e ajustar a rota. Normalmente, essas situações são expressas em acontecimentos dolorosos. Através do livre-arbítrio, temos sempre a possibilidade de estar atentos à situação ou não; de perceber as nossas responsabilidades ou não; de concentrar esforços para corrigir esse comportamento ou não. Mas enquanto não aprendermos a agir corretamente, surgirão novas oportunidades para o fazermos, provavelmente com um nível de dor crescente, o qual funcionará como um sinal de alerta, procurando nos despertar para a realidade e estimular a necessidade de correção.


Precisamos interiorizar que o queixume é um comportamento tipicamente infantil. A maturidade acontece quando deixamos de procurar culpados pelos nossos infortúnios e reconhecemos que o nosso presente é unicamente resultado daquilo que fomos, daquilo que somos e das escolhas que fazemos.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.