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Mendigo americano herda fortuna de irmão rico

Mendigo americano herda fortuna de irmão rico



Do UOL Notícias*
Em São Paulo


Max Melitzer era um mendigo que vivia catando materiais recicláveis pelas ruas de Salt Lake City, nos Estados Unidos, até o último sábado. Nesse dia, o sem-teto foi surpreendido com uma notícia difícil de acreditar: estava herdando uma boa quantidade de dinheiro de seu irmão, que morreu de câncer no ano passado.


O detetive particular David Lundberg foi quem deu a informação ao agora ex-mendigo.


“Ele não vai mais ter de viver nas ruas ou abandonado em abrigos. Com esse dinheiro, ele poderá ter uma vida normal, com uma casa, boas roupas, comida e plano de saúde’, contou Lundberg, sem revelar a quantidade de dinheiro herdada.


Lundberg foi contratado por um escritório de advocacia para encontrar Melitzer. Ele pretende fazer a reunião do herdeiro com a família nas próximas semanas.


Segundo Lundberg, Melitzer estava sentado em um banco de um parque de Salt Lake City, quando recebeu a notícia que irá mudar sua vida para sempre.


“Ele está chocado. Para ele, isso veio do nada. Melitzer é um sujeito alegre e doce, com cerca de 60 anos de idade. Ele é mais articulado do que eu pensei para um homem na sua posição”, contou.


Melitzer mora nas ruas já há anos e costumava conversar com seus parentes por cartas, apesar de nunca telefonar para ninguém.


O herdeiro foi levado a um local não revelado em Salt Lake City e, por enquanto, não quer falar com a imprensa.


*Com informações da AP


Notícia publicada no Portal UOL, em 20 de junho de 2011.



Darlene Polimene Caires** comenta


Vivemos em um plano material, nos apegamos a ele, mas nada é nosso: Somos somente zeladores de toda a materialidade à nossa volta, inclusive nosso corpo.


Como nos iludimos! E esse sistema em que vivemos contribui muito para aumentar o nosso sofrimento. Entretanto, se olhamos para a história, desde sempre o apego aos bens materiais, o culto ao poder, estava presente em todo o tipo de sociedade.


Alguns, intuídos e menos materializados, tentavam alertar o engano que estávamos cometendo. Eram os sábios em forma de filósofos, profetas, gurus.


Mas o mais surpreendente é que essas advertências e sugestões, ao longo do tempo, foram se distanciando da ética, da moral, para tornar-se uma forma para ganhar o céu: tornaram-se religião.


Todavia, as religiões conseguiram inverter os valores em favor da materialidade, basta olharmos para a história e termos olhos de ver: Elas conseguiram colocar Deus, Jesus e a Espiritualidade Maior a serviço do homem. Quem já não fez promessas para isso ou aquilo, tentou barganhar algo que achava ser de vital importância, ainda faz preces pedindo empregos, casas, carros para nós e até mesmo para os nossos?


Realmente, é muito difícil o desapego quando tudo em nós e à nossa volta é matéria. E ficou muito mais difícil com a tecnologia que nos encanta, nos hipnotiza, sem contar com uma maciça indústria de marketing e designers dando o sangue para nos seduzir cada vez mais. Basta olharmos para o lado, que enxergamos alguém bonito, feliz, saudável, expondo algum artigo de consumo para nos prender ainda mais nessa teia, muitas vezes mortal.


O que nos cega a razão? Por que não conseguimos aceitar o necessário como forma normal de viver? E Allan Kardec nos elucida: “É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos”(1)


Então, vemos claramente uma viagem de retorno aos valores éticos e morais. Precisamos urgentemente aprender a colocar as coisas em seus devidos lugares, porque “o homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais”.(2)


E com essa matéria percebemos claramente isso acontecendo: A fortuna passar para as mãos de outro, após o desencarne  da pessoa em questão.


Foi justiça? Foi merecimento? Nada podemos afirmar porque não conseguiremos contextualizar as histórias de ambos, mas uma coisa é certa: “A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação”.(3) “A riqueza é um meio de o experimentar moralmente”.(4)



Fontes:


(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, Utilidade providencial da riqueza. Provas da riqueza e da pobreza;


(2) O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, A verdadeira riqueza;


(3) O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, Emprego da riqueza;


(4) O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, Desigualdade das riquezas.


** Darlene Polimene Caires é professora aposentada e participa das atividades do Centro Espírita Nosso Lar, em Londrina, no Paraná.