Espiritismo .NET

A triste realidade de centenas de crianças que aguardam adoção

A triste realidade de centenas de crianças que aguardam adoção



O Mais Você, desta quinta-feira, 28 de abril, levantou uma questão diante de tantos casos de abandono de bebês que acontecem no país: o que leva uma mãe a se livrar do filho recém-nascido?


Após o caso do bebê abandonado em uma caçamba de lixo, no litoral de São Paulo, outros dois casos foram registrados. No bairro do Tucuruvi, na zona norte de São Paulo, no quintal de uma casa, foi encontrado um menino com cerca de cinco dias. Ele ainda estava com a pulseira da maternidade. E em Jundiaí, também no estado de São Paulo, um bebê recém-nascido foi abandonado no lixo do banheiro de um hospital da cidade.


Problemas psiquiátricos, desestrutura familiar, uso de drogas e profunda pobreza estão no perfil de quem abandona os filhos de maneira violenta como um rompante de desespero. Uma pesquisa feita pelo Instituto de Psicologia da USP mostrou que as mulheres mais pobres são as que mais sofrem de depressão pós-parto. Um transtorno psíquico que não é justificativa para todos os casos de abandono, mas que somado a diversos outros fatores pode sim contribuir para que as mães tenham atitudes de extrema agressividade contra os próprios filhos. No estudo, entre as gestantes que pariram em hospitais particulares, apenas 7% manifestaram o transtorno. Entre as atendidas pela rede pública esse número foi de 33%.


Histórias como essas deixam o Brasil com o coração na mão, mas o que a população poderia fazer para diminuir a dor do abandono e a solidão dessas crianças?



A realidade da adoção no Brasil


A equipe do Mais Você foi conhecer crianças que vivem em abrigos para descobrir os sonhos e aspirações dessas inocentes vítimas da vida. São crianças que não têm mais nenhum contato com os pais, ou porque foram abandonadas ou porque estão impedidas judicialmente de conviver com eles.


Hoje, no Brasil, estão disponíveis para adoção 4.427 crianças, e quase 27 mil casais dispostos a adotar. A pergunta é: por que essa conta não fecha se existem, pelo menos, seis vezes mais candidatos do que crianças para adoção? A explicação é triste, já que a maioria delas, cerca de 90%, tem mais do que cinco anos e não são brancas. E a preferência brasileira de adoção é por crianças com até três anos, do sexo feminino e da cor branca, sendo que boa parte dos candidatos não aceita irmãos.


Entenda os números: 4.427 crianças estão disponíveis para adoção. Dessas crianças, 76% possuem irmãos e 1/3 delas são brancas. O número de pessoas a procura de filhos: 26.694. Desses milhares de casais à espera de um filho adotivo, 84% só querem adotar uma criança, 37% só aceitam crianças brancas, 82% não aceitam irmãos, e 78% só aceitam crianças de até três anos de idade.



Mãe dispara tiro contra filhas


Em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, uma mulher teve a prisão temporária decretada, porque é suspeita de balear as duas filhas gêmeas, de um ano de idade. A arma apreendida pelos investigadores foi levada para a perícia e vai passar por um exame que identifica se os tiros que atingiram as gêmeas foram disparados desse revólver. O resultado deve sair em um mês. A direção do hospital, onde as crianças estão internadas, informou que as duas estão fora de perigo, e que o estado de saúde delas vem melhorando.


Matéria publicada na página do Programa Mais Você, em 28 de abril de 2011.



Sonia Maria Ferreira da Rocha* comenta


O amor materno será uma virtude ou um sentimento instintivo, comum aos homens e aos animais? “Uma e outra coisa. A Natureza deu à mãe o amor a seus filhos no interesse da conservação deles. No animal, porém, esse se limita às necessidades materiais; cessa quando desnecessários se tornam os cuidados. No homem, persiste pela vida inteira e comporta um devotamento e uma abnegação que são virtudes. Sobrevive mesmo à morte e acompanha o filho até no além-túmulo. Bem vedes que há nele coisa diversa do que há no amor do animal.” (Questão 890, de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec.)


A mulher foi contemplada, por Deus, com a bênção de trazer dentro do seu ventre um irmão necessitado da reencarnação, como todos nós o somos, tornando-se co-autora da vida ao se tornar mãe. Aos pais foi dada a oportunidade de cuidar e encaminhar esse novo ser para que ele tenha capacidades de com seu próprio esforço superar as suas dificuldades e subir alguns degraus da sua escalada evolutiva. Mas o que está acontecendo com as nossas mães? Podemos tentar enumerar inúmeras razões que justifiquem tais atitudes, porém, somente uma consegue superar todas essas tentativas de justificação que é a falta de Deus no coração dessas irmãzinhas. É a falta da certeza que Deus nos sustenta nas maiores dificuldades que possam existir nesse abençoado planeta. A fé nos remete à certeza de que com Ele tudo é possível, por mais frágeis que sejamos.


Mulheres, queridas, vocês são a máquina bendita da procriação. Deus não colocaria nas vossas mãos tão importante missão se não tivessem condições de cumpri-la com louvor. Assim como, não as abandonariam sem o amparo para a superação de qualquer dificuldade. É maravilhosa essa missão de poder colaborar com o Pai para que outros irmãos possam galgar os degraus da escalada evolutiva espiritual, como todos nós em infinitas oportunidades. Vejamos a preciosa mensagem que o querido amigo espiritual Emmanuel, no livro “Família”, psicografado por Chico Xavier, deixou para as mães:


“Ama-o e educa-o, oferecendo-lhe o melhor de tua alma, porque, cumpridas as tuas obrigações no lar, ainda mesmo que teu filho não te possa compreender a nobreza do sacrifício e a excelsitude da abnegação, receberás do Eterno Senhor, Nosso Pai Celestial, a bênção da alegria e da paz, de vez que, diante d’Ele, todos somos filhos e tutelados também.”


Que estas notícias sejam definitivamente abolidas do nosso bendito planeta para que todos nós possamos continuar tendo futuras oportunidades tão importantes nas nossas caminhadas, amparadas pela FÉ e pelo AMOR que o nosso Mestre Jesus veio nos ensinar.


* Sonia Maria Ferreira da Rocha reside em Angra dos Reis, RJ, estuda o Espiritismo há mais de 30 anos e é colaboradora regular do Espiritismo.net.