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Cegonha visita namorada ferida todos os anos na Croácia

Cegonha visita namorada ferida todos os anos na Croácia



Por Danielle Bohnen (da Redação)


Uma amada ferida pelos disparos de um malvado. Um galã apaixonado que cruza meio planeta para visitá-la todos os anos, apesar de todas as dificuldades. A história parece mais um roteiro de filme de romance, mas é a realidade da vida de um casal de cegonhas na Croácia.


A cada primavera, o país se emociona com a chegada do macho Rodan que volta da África ao país balcânico para encontrar sua amada Malena, que não pode voar devido às sequelas de um tiro da qual foi vítima há 18 anos.


O casal de aves oferece este ano, um espetáculo de alegria, já que em seu ninho, há quatro filhotes recém-nascidos, enquanto os demais estão por sair de seus ovos, segundo informou a imprensa local.


Malena foi encontrada ferida, em 1993, em um campo perto de Slavonski Brod, uma cidade de 200 km a leste de Zagreb, com a asa ferida por tiros dados por um caçador italiano.


Stipe Vokic, porteiro de uma escola primária, cuidou da ave, conseguiu curá-la e fez um ninho no telhado da escola para ela.


Faz nove anos que Rodan se apaixonou por Malena, que não pode acompanhar seu amado na viagem até a África, pois apresenta sequelas do ferimento que a impedem de voar para a rota migratória que faz as aves de sua espécie todos os anos.


Durante o inverno, Vokic cuida e alimenta Malena, mas todas as primaveras, quando Rodan regressa, ele mesmo trata de cuidar da companheira. Ele leva comida fresca a ela, arruma o ninho e alimenta os filhotes.


“É uma relação terna, da qual se pode fazer um filme de amor”, comenta Vokic ao jornal Vecernji list.


Em Julho, Rodan ensinará aos seis filhotes a voar e, em meados de agosto, voarão juntos à África.


“A cada ano, me parte o coração quando chega a hora de partirem. Rodan chama Malena, para que vá com ele, mas ela não pode. Até hoje, já criaram 35 filhotes”, diz Vikic.


Esta primavera, a imprensa croata publicou a triste notícia de que Rodan não estava de volta e, certamente, alguma coisa ocorreu na África, mas para a alegria de todos, apareceu de repente, apesar de mais cansado do que nunca.


As cegonhas que fazem seus ninhos na Croácia todos os anos, realizam uma longa viagem de 13 mil quilômetros pelo Vale do Nilo até a África do Sul, caminho onde encontram muito perigos e penúrias.


Matéria publicada na Agência de Notícias de Direitos Animais, em 21 de maio de 2011.



Darlene Polimene Caires* comenta


O que me encantou nessa matéria foi o fato de Rodan voar milhares de quilômetros durante meses para voltar para Malena todos os anos. Na hora da partida, além de ensinar seus filhotes voar, ele sempre a “chama”. Sabemos que esse é um comportamento basicamente instintivo, mas não é por isso que deixa de ser encantador.


As cegonhas, como tantos outros animais, são monogâmicos. Isso por si só já é bem intrigante. O que leva animais irracionais a terem um comportamento de fidelidade e um “compromisso” para sua vida inteira com o mesmo companheiro que um dia escolheram?


De acordo com as respostas da Espiritualidade Maior a Allan Kardec, os animais possuem inteligência, porém, limitada. Mesmo sabendo disso, quem possui um animalzinho de estimação chega a se surpreender com a sua inteligência, fidelidade e carinho. Muitas vezes até temos a sensação de estarmos a ser manipulados por eles. Esse fato deve-se ao contato com o ser humano. E mesmo sendo mais instinto que sentimento, não podemos negar que os animais sofrem de dor, frio, fome e solidão. Principalmente aqueles que estão habituados à companhia e proteção do ser humano. Ouvimos histórias reais do que esses animaizinhos são capazes de suportar e até mesmo de morrer pelos seus donos.


Os animais, mesmo possuindo alma, não possuem ainda livre arbítrio e portanto não podem escolher em que espécie reencarnar. Assim que encontram a morte física, um espírito encarregado pelos animais resgata-o e imediatamente ele segue para reencarnação. Na espiritualidade, eles ficam numa espécie de erraticidade, mas não são espíritos errantes. Tivemos alguns relatos de animais na espiritualidade através das obras de André Luiz e Yvonne A. Pereira. O animal, de acordo com a Espiritualidade Maior, “conserva sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.” (Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”.)


Eles também evoluem e através das experiências que vão acumulando vão adquirindo capacidades para um dia chegar a um nível superior da sua evolução espiritual. Eis o que a Espiritualidade Maior nos ensina: “Tudo na Natureza se encadeia por elos que ainda não podeis apreender. Assim, as coisas aparentemente mais díspares têm pontos de contato que o homem, no seu estado atual, nunca chegará a compreender”. (Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”.)


Algumas religiões orientais possuem a crença que o homem pode reencarnar num animal. Na questão 612, Allan Kardec questiona sobre a metempsicose e a Espiritualidade Maior nos responde: “Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.”


Então podemos concluir que depois que atingimos o estágio de humanidade, somente reencarnaremos como homens até que nossa moralidade esteja totalmente desenvolvida e que tenhamos aprendido a amar o próximo como a nós mesmos. Todavia, o amor não nos é dado, ele deverá ser aprendido, como tudo no resto na nossa jornada.


Ainda estamos muito longe de conseguirmos expressar o amor em sua forma pura. Poucos conseguiram nos exemplificar o verdadeiro amor ensinado por Jesus, nosso amado Mestre. Precisamos em nossa jornada, expiar e resgatar muita coisa, e por isso é que ainda habitamos esse orbe de provas e expiações. À medida que formos nos burilando, aprendendo a nos enquadrar na lei de amor, vamos nos libertando das nossas amarras interiores e o amor vai desabrochando como nesse lindo trecho que o Espírito de Lázaro ditou e Allan Kardec editou em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capítulo XI, logo no início das Instruções dos Espíritos: “O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! Ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra – amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo”.


* Darlene Polimene Caires é professora aposentada e participa das atividades do Centro Espírita Nosso Lar, em Londrina, no Paraná.